FIQUE POR DENTRO

Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Sistema previdenciário: um vazamento silencioso - Marco Bertaiolli



    *Marco Bertaiolli


    O sistema previdenciário, que deveria ser um pilar de proteção social para aqueles que dedicaram sua vida ao trabalho, tem revelado fragilidades preocupantes. Entre elas, destaca-se o modelo de descontos em folha de pagamento, originalmente concebido como um instrumento para facilitar o acesso ao crédito com maior segurança e menores taxas de juros. Contudo, na prática, essa modalidade tem se convertido em um mecanismo que, inadvertidamente, compromete a dignidade e o sustento dos aposentados, especialmente daqueles em idade avançada. Um cenário alarmante de falhas e irregularidades.

    Essa é uma das tristes constatações da Auditoria Extraordinária realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, da qual fui relator enquanto Conselheiro da egrégia Corte, que examinou detalhadamente os 219 Institutos de Previdência do Estado. O resultado do exaustivo trabalho dos servidores do Tribunal expõe não apenas vulnerabilidades administrativas, mas também evidenciam a grave exposição dos aposentados a práticas que comprometem sua segurança financeira e dignidade, exigindo, com máxima urgência, medidas corretivas contundentes.

    Só no mês de dezembro de 2024, os 218 Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) do Estado e a SPPrev descontaram a quantia de R$ 519 milhões de pensionistas e aposentados. Mas apenas 105 dos RPPS possuem meios formais que lastreiam esses descontos, expondo uma extrema frouxidão legal.
    
    Da mesma forma, das 845 entidades consignatárias auditadas nesse trabalho do TCESP, só um pouco mais da metade (57,17%) possui todas as autorizações para os descontos em folha de pagamento dos aposentados ou pensionistas. Ou seja, há uma boa fração do universo de 727 mil pensionistas e aposentados do Estado de São Paulo, sob os RPPS e a SPPrev, sendo atingida por um vazamento silencioso e tóxico.

    A ampliação indiscriminada da autorização para descontos em folha, que ultrapassou o âmbito das instituições financeiras e bancos, inclui hoje associações, sindicatos, planos de saúde, convênios odontológicos e múltiplos outros convênios. Essa falta de controle e transparência agrava a vulnerabilidade dos aposentados, colocando-os à mercê de débitos que muitas vezes desconhecem ou não consentiram.

    O cenário se torna ainda mais preocupante ao considerarmos os beneficiários em idade avançada — acima de 80 anos — que enfrentam limitações naturais para acompanhar o universo digital, checar seus contracheques e identificar as razões de cada desconto. Pequenos valores, muitas vezes inferiores a R$ 20 ou R$ 30, são descontados de maneira contínua, dificultando sua percepção e, consequentemente, a tomada de providências. A repetição desses débitos resulta em significativa redução da renda mensal, impactando diretamente na qualidade de vida do aposentado.

    Ademais, muitos desses beneficiários carecem de condições físicas, cognitivas ou mesmo de mobilidade para formalizar reclamações ou esclarecer dúvidas acerca dos descontos realizados. A inexistência de canais eficazes de ouvidoria e atendimento, ativos e acessíveis, nas instituições de Previdência reforça a sensação de desamparo e aumenta o risco de perpetuação dessas práticas lesivas.

    Diante dessa realidade, impõe-se uma reflexão crítica acerca do modelo vigente: será que o atual sistema de descontos em folha realmente lhes presta serviço, ou representa, na prática, uma fonte de prejuízo e insegurança?

    A minha recomendação é a adoção da autenticação biométrica como requisito mínimo de segurança e validação das transações. Essa medida poderia fortalecer o controle individual do aposentado sobre suas finanças, reduzindo a ocorrência de fraudes e prevenindo autorizações indevidas por terceiros, que chegam a contrair empréstimos ou contratar serviços em nome do beneficiário sem o seu consentimento.

    Essa auditoria do TCESP, inédita em escopo e profundidade, com a participação de 226 servidores do Tribunal que auditaram, in loco, todos os RPPSs ativos no Estado, é um ponto de inflexão na forma como se fiscalizam os regimes próprios de Previdência.

    É imperativo, portanto, que o sistema previdenciário seja revisado e aprimorado, colocando-se em primeiro plano a proteção dos direitos e da dignidade dos aposentados, assegurando-lhes transparência, segurança e respeito. O compromisso institucional deve ser firme e inequívoco na defesa daqueles que, ao longo de sua vida, contribuíram para o desenvolvimento social e econômico do país.

    É Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

sábado, 31 de maio de 2025

Sanções dos Estados Unidos a Ministros do STF: Implicações para Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal



Por: Claudia Souza

    Em um desdobramento que repercutiu em toda a América Latina e além, os Estados Unidos teriam considerado impor sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, incluindo o ministro Alexandre de Moraes. Tal medida representaria um nível sem precedentes de escrutínio e intervenção internacional nos assuntos judiciais internos do Brasil, levantando questões complexas sobre soberania, Estado de Direito, normas democráticas e o papel internacional dos EUA na promoção ou fiscalização da democracia.
 
    O Supremo Tribunal Federal (STF), mais alta corte do país, tem desempenhado um papel crucial na defesa das instituições democráticas, especialmente após os ciclos eleitorais de 2018 e 2022. O ministro Alexandre de Moraes, em particular, ganhou destaque nacional e internacional por sua postura firme contra a desinformação, movimentos antidemocráticos e indivíduos acusados de orquestrar ou apoiar os ataques de 8 de janeiro de 2023 às sedes dos Três Poderes em Brasília — momento frequentemente comparado à invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021.

    Moraes tem conduzido diversas investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados, especialmente aqueles acusados de minar a integridade eleitoral e incitar ataques institucionais. Essas ações o tornaram uma figura central na polarização política brasileira. Enquanto muitos o aplaudem por sua defesa das instituições democráticas, outros — especialmente setores conservadores — o acusam de abuso de poder, censura e politização do Judiciário.

    As sanções dos EUA: aspectos legais e diplomáticos


    Embora nenhuma sanção tenha sido formalmente confirmada pelo governo dos EUA até o momento, relatos sobre essa possibilidade já geraram intenso debate. Sanções normalmente são aplicadas a indivíduos estrangeiros acusados de corrupção, violações de direitos humanos ou ações contra a democracia, geralmente com base na Lei Global Magnitsky. Se os EUA aplicassem tais medidas a ministros do STF, isso indicaria que autoridades americanas enxergam algumas ações da Corte não como defesa da democracia, mas como possíveis violações de direitos fundamentais ou abusos de autoridade.

As possíveis sanções poderiam incluir:

Congelamento de ativos nos Estados Unidos
Proibição de entrada em território norte-americano
Restrições a transações com empresas ou cidadãos americanos

    Para Alexandre de Moraes e outros ministros, essas sanções não apenas teriam impacto financeiro e reputacional, mas também poderiam colocar em xeque a independência do Judiciário brasileiro e a legitimidade dos processos democráticos do país perante a comunidade internacional.

    Repercussões internas no Brasil

     Internamente, as sanções poderiam acirrar ainda mais a polarização política. Grupos pró-Bolsonaro poderiam interpretar a medida como validação de suas denúncias contra o STF, enquanto defensores da 

    Corte poderiam ver a ação como ingerência externa alinhada a interesses autoritários.

    Além disso, a medida poderia intensificar tensões institucionais entre os poderes Executivo e Judiciário. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem se mostrado aliado do STF, enfrentaria grande pressão para defender a soberania nacional e a integridade de suas instituições. Também há o risco de desgaste na opinião pública, enfraquecendo tanto a imagem do STF quanto as relações entre Brasil e Estados Unidos.

    Implicações para as relações Brasil–EUA

    Do ponto de vista diplomático, a imposição de sanções contra membros do Judiciário brasileiro colocaria em risco a relação bilateral entre os dois países. O Brasil é a maior democracia da América Latina e um parceiro estratégico dos EUA em temas como comércio, meio ambiente e segurança. Acusações de viés político ou excesso de autoridade de qualquer lado podem abalar a confiança e a cooperação.

    Além disso, os EUA correm o risco de estabelecer um precedente polêmico ao sancionar juízes de uma democracia constitucional. Enquanto sanções desse tipo são mais comuns contra figuras de regimes autoritários, aplicá-las a membros do Judiciário de um país democrático — ainda que com falhas — levanta questionamentos sobre motivações políticas e os limites da política externa americana.

    As possíveis sanções dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes e outros ministros do STF refletem um novo nível de envolvimento internacional em disputas internas sobre democracia. Embora tenham como objetivo defender princípios democráticos globais, essas ações levantam sérias dúvidas sobre soberania, independência judicial e estratégia geopolítica.

    O impacto final dependerá não apenas da efetivação das sanções, mas também de como as instituições brasileiras, a sociedade civil e os aliados internacionais responderão. A situação representa um teste importante para os limites das ferramentas da política externa dos EUA e sua compatibilidade com os princípios do pluralismo democrático e do respeito mútuo entre nações.


terça-feira, 6 de maio de 2025

Senador Marcos do Val Denuncia Ministro Alexandre de Moraes à União Interparlamentar


    Por: Claudia Souza

Crise Institucional Ganha Palco Internacional


    Nos últimos dias, o cenário político brasileiro ganhou mais um capítulo delicado — e agora, internacional. O senador Marcos do Val (Podemos-ES) protocolou uma denúncia na Inter-Parliamentary Union (IPU), organização internacional sediada em Genebra e conhecida como a "ONU dos Parlamentos", alegando perseguição política e abuso de autoridade por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

    A atitude do senador reacende o debate sobre os limites entre os poderes e o papel das instituições internacionais diante de possíveis violações das prerrogativas parlamentares.

    O Que É a IPU?

    A Inter-Parliamentary Union foi fundada em 1889 e reúne hoje mais de 180 parlamentos nacionais. Seu objetivo principal é fortalecer a democracia e o papel dos parlamentos no mundo, promovendo o diálogo, os direitos humanos e o Estado de Direito.

    Entre suas competências está o monitoramento de violações contra parlamentares, especialmente em países onde há denúncias de perseguição política, censura ou ameaças institucionais.

    As Acusações de Marcos do Val

    Em vídeos divulgados em suas redes sociais e também em pronunciamentos no Senado, Marcos do Val afirma que tem sido alvo de retaliações políticas por parte de Alexandre de Moraes, após se recusar a participar de um suposto plano de gravação ilegal envolvendo o ministro — fato que o próprio senador revelou em 2023.

    Entre as medidas que ele considera abusivas, estão:

  • Bloqueio de contas bancárias
  • Multa de R$ 50 milhões
  • Suspensão de perfis nas redes sociais
  • Quebra de sigilo telefônico e telemático

    O senador questiona a postura de Moraes e também a omissão do próprio Senado, que, segundo ele, “se curva ao arbítrio de um único ministro”.

    A Importância da Denúncia na IPU


    O envio da denúncia à IPU é um movimento estratégico. Apesar de a IPU não ter poder de julgamento, ela pode investigar, emitir pareceres, fazer recomendações públicas e pressionar governos a respeitarem os direitos parlamentares. Casos anteriores analisados pelo Comitê de Direitos Humanos da IPU já geraram repercussão diplomática e política significativa.

    Esse tipo de atuação reforça o papel da diplomacia parlamentar internacional como instrumento de equilíbrio e fiscalização entre os poderes.
    

    O Que Está em Jogo?


    Independentemente de posicionamentos políticos, esse episódio levanta uma discussão necessária: quais os limites da atuação do Judiciário no Brasil? Quando uma denúncia de abuso chega a um órgão internacional, o país também coloca sua democracia em exame diante do mundo.

    Enquanto isso, o silêncio de algumas instituições brasileiras e a polarização nas redes sociais agravam a sensação de instabilidade institucional — algo que, em democracias maduras, deveria sempre ser tratado com transparência e diálogo entre os Poderes.

    A denúncia de Marcos do Val à IPU não é apenas mais um episódio de embate político. Ela representa um sinal de alerta sobre o equilíbrio entre os poderes, os direitos dos parlamentares e o papel de organismos internacionais na mediação de conflitos institucionais.

    Se a IPU aceitar a denúncia e abrir uma investigação formal, o Brasil pode entrar novamente no radar internacional — desta vez, não por sua economia ou diplomacia, mas por suspeitas de que um de seus Poderes esteja extrapolando suas funções.

Assista



***

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Empresário é Preso em Flagrante na CPI das Bets por Falso Testemunho: Entenda o Caso




    A sessão da CPI das Apostas Esportivas (CPI das Bets), realizada recentemente no Senado Federal, foi marcada por um episódio incomum: a prisão em flagrante do empresário Daniel Pardim Tavares Lima. A decisão foi tomada pela relatora da comissão, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), após ela identificar inconsistências e contradições graves no depoimento prestado por Pardim, especialmente no que diz respeito ao conhecimento de uma sócia da empresa Peach Blossom River Technology.

    A empresária mencionada na CPI das Bets é Adélia de Jesus Soares. Ela foi apontada como sócia de Daniel Pardim Tavares Lima na empresa Peach Blossom River Technology.  Adélia de Jesus Soares também é citada como administradora da Payflow Processadora de Pagamentos, empresa investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro e envolvimento com plataformas de apostas online . Ela foi convocada para depor na CPI, mas não compareceu, o que levou a comissão a determinar sua condução coercitiva .

    Segundo a senadora, o empresário teria mentido deliberadamente ao negar conhecer a pessoa em questão, o que configuraria falso testemunho — crime previsto no artigo 342 do Código Penal, com pena de dois a quatro anos de reclusão e multa. A parlamentar justificou a prisão com base nas prerrogativas legais que regem o funcionamento das CPIs, amparadas pela Lei nº 1.579/1952.

    O que é a CPI das Bets

    A CPI das Bets foi criada para investigar possíveis irregularidades e crimes associados às plataformas de apostas esportivas online, um mercado que movimenta bilhões de reais no Brasil. Entre os principais pontos investigados estão a suspeita de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, uso das empresas para ocultação de patrimônio e até ligações com organizações criminosas.

    A senadora Soraya Thronicke tem sido uma das vozes mais firmes no processo, denunciando, inclusive, tentativas de obstrução dos trabalhos da comissão e supostas pressões para frear o avanço das investigações.

    Prisão em CPI: legalidade e controvérsias

    A prisão de testemunhas durante CPIs é legalmente prevista, mas raramente utilizada — e sempre cercada de polêmicas. Pela legislação brasileira, uma pessoa pode ser presa em flagrante durante depoimento se ficar caracterizado o crime de falso testemunho. No entanto, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) estabelece que testemunhas têm o direito de permanecer em silêncio ou até mentir, caso isso seja necessário para não se autoincriminar.

    Juristas e especialistas apontam que a decisão de Soraya pode ter respaldo legal, mas abre margem para debate sobre os limites da atuação parlamentar e o risco de se utilizar a força coercitiva da CPI sem provas absolutamente claras.

    Repercussão política e social

    A prisão de Daniel Pardim repercutiu fortemente nos meios políticos e na imprensa. Para alguns, a ação foi uma demonstração de que a CPI está disposta a ir fundo nas investigações. Para outros, levantou dúvidas sobre a condução do processo e os riscos de abusos de autoridade.

    A senadora, por sua vez, afirmou que não irá tolerar mentiras na comissão e reiterou o compromisso da CPI com a verdade e com a proteção do interesse público.

    O caso ainda está em análise por órgãos competentes, mas já evidencia os desafios enfrentados pela CPI das Bets: desmascarar um setor poderoso, com interesses bilionários, e que, segundo os senadores, tem resistido às tentativas de investigação.

    A prisão de uma testemunha durante uma CPI é um ato extremo, e seu impacto político e jurídico deve ser acompanhado de perto. O que está em jogo não é apenas a credibilidade da comissão, mas também a forma como o Brasil lida com a regulamentação e fiscalização das apostas esportivas, um mercado em franca expansão.



***



sábado, 29 de março de 2025

Comissão do Congresso dos EUA Publica Documento Crítico às Decisões de Moraes sobre o X no Brasil

 



    A Comissão de Assuntos Judiciários da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, liderada pelo congressista republicano Jim Jordan, divulgou um relatório contundente de 541 páginas que examina as decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em relação à moderação de conteúdo na plataforma X (antigo Twitter) no Brasil. 

O documento, intitulado "O ataque à liberdade de expressão no exterior e o silêncio da administração Biden: o caso do Brasil", acusa Moraes de "censurar" a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e levanta sérias preocupações sobre a liberdade de expressão no país.

    O relatório, divulgado na quarta-feira (17.abr.2024), detalha 90 despachos do STF que ordenaram ao X a remoção de posts e perfis de usuários. A comissão argumenta que essas decisões representam "ataques à liberdade de expressão" e questiona o silêncio do governo Biden diante do que considera uma crescente censura no Brasil.

    Acusações de Censura e Oposição ao Governo Lula


    O documento da comissão dos EUA é particularmente crítico em relação ao ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de usar seu poder para silenciar vozes críticas ao governo Lula. O relatório alega que Moraes está "censurando" qualquer oposição brasileira que utilize a plataforma X para expressar críticas ao governo de esquerda.

    A comissão também aborda o recente embate entre Elon Musk, proprietário do X, e o ministro Moraes. Musk chamou o magistrado de "ditador" e sugeriu que ele deveria sofrer impeachment, levantando questionamentos sobre a extensão do poder do STF em relação à moderação de conteúdo online.

    Preocupações com a Liberdade de Expressão no Brasil


    O relatório da comissão dos EUA expressa profunda preocupação com o estado da liberdade de expressão no Brasil. O documento cita relatórios internos do X que indicam que a plataforma está sendo "forçada" por decisões judiciais a bloquear certas contas no país. A comissão argumenta que essas ações representam uma ameaça à liberdade de expressão e ao debate democrático no Brasil.

    Repercussão e Contexto Político


    A divulgação do relatório da comissão do Congresso dos EUA ocorre em um momento de crescente tensão política no Brasil. As decisões de Alexandre de Moraes em relação à moderação de conteúdo online têm sido alvo de críticas por parte de políticos de oposição e defensores da liberdade de expressão, que argumentam que o ministro está excedendo seus poderes e censurando vozes dissidentes.

    Por outro lado, defensores das decisões de Moraes argumentam que elas são necessárias para combater a desinformação e o discurso de ódio, e para proteger a democracia brasileira de ataques antidemocráticos.

    O relatório da comissão dos EUA certamente aumentará o debate sobre a liberdade de expressão no Brasil e a atuação do STF na moderação de conteúdo online. O documento também coloca pressão sobre o governo Biden para se pronunciar sobre a situação no Brasil e defender os princípios da liberdade de expressão.

    Íntegra do Documento


    A íntegra do documento da comissão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos está disponível para consulta em inglês, em formato PDF, com um tamanho de 37 MB. O relatório completo oferece uma análise detalhada das decisões de Moraes e seus impactos na liberdade de expressão no Brasil.

    Reações e Próximos Passos


    A divulgação do relatório da comissão dos EUA gerou diversas reações no Brasil e no exterior. Políticos de oposição elogiaram o documento e pediram uma investigação sobre as decisões de Moraes. Já aliados do governo Lula criticaram o relatório, acusando a comissão de interferência nos assuntos internos do Brasil.

    É esperado que o relatório da comissão dos EUA continue a gerar debates e discussões nos próximos dias e semanas. O documento também pode levar a novas ações por parte do Congresso dos EUA, como a realização de audiências ou a apresentação de projetos de lei relacionados à liberdade de expressão no Brasil.

    Outros Desenvolvimentos


    Além do relatório da comissão, outros desenvolvimentos recentes relacionados à liberdade de expressão no Brasil incluem: A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou um projeto de lei que visa regulamentar as redes sociais e combater a desinformação. O projeto tem sido alvo de críticas por parte de defensores da liberdade de expressão, que argumentam que ele pode levar à censura e à restrição do debate online.

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está investigando denúncias de uso de robôs e notícias falsas nas eleições de 2022. A investigação pode levar à cassação de mandatos de políticos que se beneficiarem de práticas ilegais.

    A situação da liberdade de expressão no Brasil continua a ser um tema complexo e controverso, com diferentes atores e interesses em jogo. O relatório da comissão do Congresso dos EUA certamente contribuirá para o debate e para a busca de soluções que garantam a liberdade de expressão e o debate democrático no país.

    Um desses documentos (Petição PET 12227 solicitando censura ao canal de com 86 páginas está disponível para leitura no link: 


Relatório de 541 páginas:



terça-feira, 25 de março de 2025

A Suprema Corte e o Futuro Político de Jair Bolsonaro


    Por: Claudia Souza
    
    A Suprema Corte do Brasil está em processo de deliberação sobre a possibilidade de julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por acusações de tentativa de golpe após sua derrota nas eleições de 2022. A decisão pode ter um impacto significativo não apenas no futuro político do ex-presidente, mas também no cenário político brasileiro como um todo.

    O Caso e as Acusações


   Bolsonaro e seus aliados mais próximos estão sob investigação por supostamente tentarem subverter o resultado das eleições de 2022, nas quais ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, Bolsonaro estava fora do Brasil durante os atos de 8 de janeiro, quando ocorreram as invasões às sedes dos Três Poderes em Brasília. Além disso, o general Gonçalves Dias, então chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), foi isentado de responsabilidade direta nos eventos daquele dia, o que gerou questionamentos sobre a condução das investigações.

    A análise do caso está a cargo de um painel de cinco juízes da Suprema Corte, que avaliará as evidências apresentadas pela acusação para decidir se há base suficiente para levar Bolsonaro a julgamento. O processo investiga se houve planejamento ou incentivo a ações que pudessem configurar uma tentativa de golpe.

    Enquanto seus oponentes veem a possível ação judicial como um passo essencial para garantir a defesa da democracia e do Estado de Direito, alguns críticos argumentam que não há declarações diretas de Bolsonaro incentivando ataques. Além disso, o desaparecimento de imagens dos atos de 8 de janeiro levanta questionamentos sobre a transparência e imparcialidade das investigações. Por outro lado, os apoiadores do ex-presidente denunciam o processo como uma perseguição política. Bolsonaro, por sua vez, nega veementemente as acusações e afirma ser inocente.

Consequências Políticas e Legais

    Se a Suprema Corte decidir prosseguir com o julgamento e Bolsonaro for condenado, ele pode enfrentar penas severas, incluindo prisão e inelegibilidade para cargos públicos. Isso poderia encerrar sua carreira política e reorganizar a dinâmica da direita brasileira. Além disso, um julgamento desse porte tem o potencial de aprofundar as divisões políticas no Brasil, gerando reações tanto dentro do país quanto no cenário internacional.

    Apoio Internacional

    Diante da crescente pressão judicial, Bolsonaro tem buscado apoio internacional, inclusive de ex-líderes como Donald Trump. Sua estratégia sugere uma tentativa de mobilizar aliados políticos no exterior para influenciar a opinião pública e possivelmente pressionar as autoridades brasileiras. Esse movimento destaca o impacto global do caso e como ele pode afetar as relações diplomáticas do Brasil.

    O Que Esperar?

    A decisão da Suprema Corte é aguardada com grande expectativa e pode moldar o futuro político do país. Caso Bolsonaro seja julgado, o processo judicial trará debates intensos sobre os limites do poder presidencial e a responsabilidade dos líderes políticos perante a justiça. Independentemente do desfecho, o caso já se configura como um dos mais emblemáticos da história recente do Brasil.

    Acompanhe as atualizações para entender os desdobramentos desse julgamento e suas possíveis repercussões na política nacional e internacional.


A transmissão inicia aos 38 minutos do vídeo:



***






segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Defensoria Pública responde à ONU sobre povos indígenas e lei antiterrorismo

Michele Bachelet - (Foto G1)

Nota técnica apresenta atuação da DPU em pontos de preocupação da alta comissária da ONU

Brasília – Diante da manifestação de preocupação da alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, sobre ameaças aos povos indígenas e à liberdade de expressão, sobretudo de ativistas, a Defensoria Púbica da União (DPU) divulgou nota técnica com apresentação das suas atuações nestes temas. O documento é assinado pelo subdefensor público-geral federal, Jair Soares Júnior, e pelo defensor nacional de direitos humanos, André Porciúncula.

A declaração de Bachelet apontando desafios para o exercício dos direitos humanos foi dada em 13 de setembro de 2021, durante a 48ª Sessão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU. A alta comissária apelou em seu discurso para que as autoridades brasileiras revertessem políticas que afetam negativamente os povos indígenas e criticou o projeto para alteração na Lei Antiterrorismo (Lei 13.260/2016) que está sendo analisado pelo Congresso. Segundo ela, o texto poderia resultar em abusos e perseguições de ambientalistas e defensores dos direitos humanos no país.

Como resposta a essas preocupações, o texto da nota técnica reitera a dedicação da DPU tanto no caso dos alarmantes ataques contra os povos Yanomami e Munduruku por mineradores ilegais na Amazônia quanto em relação ao projeto sobre a Lei Antiterrorismo, que inclui disposições tidas como excessivamente amplas e vagas e que poderiam constranger a liberdade de expressão e levar à perseguição de ativistas.

Segundo o documento da DPU, a instituição não só presta atendimento jurídico gratuito e em relação à proteção dos direitos humanos dos povos indígenas, como também salvaguarda os direitos e recomendações internacionais relativas a esta população no território nacional. A Defensoria atua por meio do Grupo de Trabalho especializado em Comunidades Indígenas - integrado por 21 membros e pontos focais – e ainda pelos 26 defensores regionais de direitos humanos designados para atuar em Estados que necessitam de atenção especial nessa temática.

Conforme ressalta o texto, recentemente “a DPU atuou em Amicus Curiae junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a medida cautelar de arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 709. Os membros da Defensoria Pública da União pediram a imediata adequação do Plano de Enfrentamento e Monitoramento da Covid-19 para os Povos Indígenas, apresentado pela União, e a adoção das medidas indicadas por eles, dentre elas que as medidas necessárias para a retirada dos invasores nas Terras Indígenas Yanomami, Karipuna, Uru-EuWau-Wau, Kayapó, Araribóia, Munduruku e Trincheira Bacajá, valendo-se para tanto de todos os meios necessários para tanto”.

Além disso, a Instituição atua na defesa do território dos Munduruku contra garimpo, tendo inclusive participado de reunião em novembro de 2020 com 50 representantes do Movimento Munduruku Iperêg Ayû, dentre os quais 13 caciques, além de representantes de cinco associações indígenas. Ainda quanto aos povos indígenas, em 17 de junho de 2021 a DPU emitiu a Nota Técnica nº 5 por meio de seu GT Comunidades Indígenas, no qual manifestou “rejeição à Câmara dos Deputados quanto às inconstitucionalidades, inconvencionalidades e vícios formais, do Projeto de Lei 490/2007 sobre demarcação de terras indígenas”.

Lei Antiterrorismo

Sobre a preocupação com a tramitação de alteração na Lei Antiterrorismo, a nota esclarece que, diante das manifestações de organizações internacionais por esclarecimentos e reconsideração no sentido de salvaguardar liberdades fundamentais como o direito à greve, à manifestação e à liberdade de expressão, a DPU emitiu, em 6 de setembro, nota pública em que ratificou a necessidade de observância dos valores democráticos pelo Estado brasileiro.

Na ocasião, a instituição reafirmou seu compromisso com a defesa da liberdade de informação como direito, não apenas individual, mas difuso à liberdade de opinião e de pensamento (artigo 5°, IV, CF), a liberdade de expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação (art. 5°, IX, CF), a liberdade de informação jornalística ou de imprensa (artigo 220, CF) e o direito difuso de acessar e receber informações e dados de órgãos públicos (art. 5º, XIV, CF).

Por fim, a nota técnica ratifica que a Defensoria Pública da União se compromete com a garantia e promoção dos direitos de grupos vulneráveis, bem como com os valores que compõem um Estado Democrático de Direito. As defensoras e os defensores públicos federais reconhecem, ainda, a necessidade de um amplo debate na sociedade brasileira sobre a proteção de direitos dos povos indígenas, da liberdade de expressão e da proteção de defensoras e defensores de direitos humanos.

Assim, na posição de instituição que integra o sistema de justiça e a estrutura do governo, mantendo a sua independência e a sua própria autonomia funcional e administrativa, a DPU se coloca como uma instituição nacional de defesa dos direitos humanos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Tomar ou não tomar a vacina?



A discussão sobre a obrigatoriedade da vacinação, em meio a uma pandemia que já matou mais de 157 mil brasileiros e infectou pelo menos outros 5,4 milhões, está na pauta dos brasileiros, da imprensa e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deve analisar ainda este ano se os pais podem deixar de vacinar os filhos. O recurso tem origem em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo contra os pais de uma criança, adeptos da filosofia vegana, para obrigá-los a regularizar a vacinação do seu filho.

O assunto é polêmico e não faltam leis para serem analisadas. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, garante direitos individuais, mas também delimita o alcance desses direitos ao bem-estar da sociedade. “Nenhum direito é absoluto. As pessoas não têm uma liberdade de forma ampla. A liberdade vai até o momento em que sua decisão esbarra nos direitos dos outros. Então, durante uma pandemia, algumas de nossas liberdades individuais tiveram que dar espaço para garantir a saúde pública”, afirma a jurista e mestre em Direito Penal, Jacqueline Valles.


Vacina ou não vacina?


Jacqueline avalia que, apesar de aparentemente simples, a decisão do STF tem que ser fundamentada de forma que não haja desrespeito a nenhum direito que está sendo discutido.

A jurista explica que o Direito usa o método da proporcionalidade para solucionar os conflitos de contrapontos de direitos. Esse método se aplica em três teses: adequação, necessidade e proporcionalidade. “No caso da vacina, se discutirá se é adequado, para a erradicação da doença, que se obrigue as pessoas a tomarem vacinas, mesmo contra a sua vontade. Se a resposta for sim, avalia-se se é necessário obrigá-las a se vacinarem para interromper a transmissão. E a última análise considera se é proporcional restringir o direito em nome da saúde pública”, acrescenta Jacqueline.

O fato é que a discussão, a polêmica e a disseminação de boatos sobre a vacinação não é coisa dos tempos atuais. No Brasil, o uso de vacina contra a varíola é obrigatório desde 1846, mas o governo teve que criar uma nova lei em 1904 porque a anterior não era cumprida. “Quando tivemos a Revolta da Vacina, em 1904, havia boatos sobre efeitos colaterais de que quem tomasse a vacina ficaria com as feições de boi. O governo usou o Exército para garantir a imunização, editando inclusive uma nova lei, e o resultado foi um levante popular. Décadas se passaram e a desinformação e disseminação de notícias falsas sobre as vacinas continuam convencendo parte das pessoas de que elas são nocivas, por isso a resistência. Mas é preciso observar que não faltam leis que tornam obrigatória a vacinação para controle de doenças”, completa a jurista.

A jurista e mestre em Direito Penal Jacqueline Valles


Além da normativa de 1904, em 1975, durante o governo Médici, foi editada a lei 6.259, que determinou a obrigatoriedade da vacinação. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também tornou a vacinação obrigatória e, neste ano, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a norma 13.979, que dispõe sobre as medidas de combate à pandemia, como o isolamento social e a vacinação obrigatória. "O que não faltam são leis tornando obrigatória a vacinação. O descumprimento implica em perda de direitos. Por exemplo, pais que não vacinarem os filhos não podem matriculá-los em escolas da rede pública", finaliza a jurista.

***


sábado, 22 de agosto de 2020

MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES VOTA A FAVOR DA COTA DE NEGROS NO FUNDO ELEITORAL


Ministro Alexandre de Moraes, do STF, vota a favor das cotas para negros no Fundo Eleitoral


Deve continuar na próxima terça-feira (25) o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a destinação de verbas do Fundo Eleitoral para candidatos negros nas próximas eleições. O julgamento também analisa se o tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão também deve ser distribuído a candidatos.

Na última sessão, foi a vez do Ministro Alexandre de Moraes votar a favor da criação de uma cota para negros no Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC), de forma semelhante do que acontece para candidatas mulheres. Moraes defendeu que o sistema deve garantir igualdade de oportunidades para todos os candidatos. Segundo ele, a forma que o sistema político funciona atualmente perpetua desigualdades.

Moraes também defendeu que seja criada uma regra de transição em que os recursos e o tempo de TV deve corresponder à quantidade de candidatos negros que participaram das últimas Eleições Municipais. Se um determinado partido tinha 10% dos candidatos negros em 2016, significa que 10% da verba do Fundo Eleitoral e 10% do tempo de TV e rádio precisariam ser destinados obrigatoriamente aos candidatos negros que estejam concorrendo neste ano. 

A suspensão ocorreu por um pedido de vista do ministro Og Fernandes. O assunto deve ser retomado na próxima terça-feira (25).


***


domingo, 3 de maio de 2020

Sergio Moro presta depoimento na PF contra Jair Bolsonaro


Por: Marquezan Araújo

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro prestou depoimento, neste sábado, contra o presidente Jair Bolsonaro, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. A oitiva, que começou por volta das 14h, durou cerca de 8 horas. 

Durante o depoimento, o ex-juiz federal foi questionado a respeito das acusações de que Bolsonaro tentou interferir no trabalho da Polícia Federal e em inquéritos que envolviam familiares do presidente. As acusações foram feitas por Moro quando ele anunciou que sairia do comando da pasta.

O depoimento foi determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, relator do caso, e foi colhido por delegados da PF e acompanhado por alguns procuradores que tiveram autorização do magistrado da Suprema Corte. Caso as acusações não forem verdadeiras, Sérgio Moro poderá responder na Justiça por denunciação caluniosa e crimes contra a honra.

O dia do depoimento também foi marcado por manifestações a favor de Moro, e de Bolsonaro. Os grupos se concentraram em frente à Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde o início da manhã deste sábado.

Houve um princípio de confusão entre os dois grupos. No entanto, a Polícia Militar (PM) conteve a situação. Os manifestantes estavam com bandeiras, carro de som e gritam palavras de ordem.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Bolsonaro diz que “liberdade de expressão é direito inviolável”



Sem citar nomes, o presidente da República afirmou: “acredito no Brasil e em suas instituições e respeito a autonomia dos poderes, como escrito em nossa Constituição. São princípios indispensáveis para uma democracia. Dito isso, minha posição sempre será favorável à liberdade de expressão, direito legítimo e inviolável”.

Na segunda-feira (16), o ministro Alexandre de Moraes determinou a retirada do ar de uma reportagem publicada pela revista “Crusoé” que relatava uma menção ao presidente do STF, Dias Toffoli, feita em um e-mail pelo empreiteiro Marcelo Odebrecht.

Além de Bolsonaro, o ministro chefe da Casa Civi, Onyx Lorenzoni, também comentou a situação. Questionado por jornalistas durante visita ao Senado Federal, o ministro disse que não está em curso o início de nenhuma crise institucional. Segundo ele, o governo e o presidente sempre estarão ao lado da liberdade.

“De maneira reiterada o presidente Bolsonaro que foi vítima de muitos ataques sempre defendeu a liberdade absoluta de manifestação. Então, a maior vítima sempre foi o maior defensor”, afirmou.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes atende a um pedido que está no âmbito do inquérito aberto pelo STF para apurar supostas“fake news” que atentem contra a honra dos magistrados da Corte.

Porém, ainda nesta terça (16), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou ter arquivado o inquérito aberto para apurar ofensas aos ministros. Em ofício enviado ao Supremo, Dodge afirmou “Registro [...] que nenhum elemento de convicção ou prova de natureza cautelar produzida [nesse inquérito] será considerada pelo titular da ação penal ao formar sua 'opinio delicti' [opinião sobre o delito]. Também como consequência do arquivamento, todas as decisões proferidas estão automaticamente prejudicadas”.

Texto:: João Paulo Machado

terça-feira, 9 de abril de 2019

TSE aplica sanção de inelegibilidade a ex-governador do RJ por abuso de poder econômico






A Corte ainda manteve multa de R$ 53 mil a Luiz Fernando de Souza, mais conhecido como Luiz Fernando Pezão, e ao seu vice, Francisco Dornelles. Os fatos se referem às Eleições de 2014.

O Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por maioria de votos, acolheu Recurso Ordinário proposto pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e determinou a cassação, com a consequente declaração de inelegibilidade, do ex-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando de Souza, e de seu vice, Francisco Dornelles, por abuso de poder político e conduta vedada praticados nas Eleições de 2014.

De acordo com o MPE, foram apresentadas pelos agentes públicos, durante o período vedado pela legislação eleitoral, 24 propostas legislativas que acarretaram reajuste e aumento da remuneração básica de servidores efetivos da Administração Direta e Indireta Estadual, contrariando dispositivo do artigo 73 da Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições).

O julgamento de hoje foi retomado com a apresentação do voto-vista do ministro Admar Gonzaga, que considerou suficiente a pena de multa aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), de R$ 53.205,00, por entender que não ficou configurada a prática de abuso de poder político por parte dos agentes públicos. Dessa forma, o magistrado acompanhou o entendimento do relator do processo, ministro João Otávio de Noronha.

No entanto, a divergência aberta pelo ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto prevaleceu entre os membros da Corte. Para o ministro, o reajuste da remuneração básica concedido a mais de 326 mil servidores efetivos do estado, durante período proibido pela legislação eleitoral na campanha de 2014, foi de “inequívoca gravidade” e influenciou o resultado do processo eleitoral.

Tarcisio Vieira de Carvalho Neto ressaltou que a cassação, mesmo já exaurido por inteiro os mandatos do ex-governador e de seu vice, deve ser aplicada para fins de inelegibilidade. O entendimento foi acompanhado pelos ministros Og Fernandes, Edson Fachin e pela presidente do Tribunal, ministra Rosa Weber.

O Plenário também confirmou a aplicação da multa no valor de R$ 53.205,00, nos termos de dispositivo do artigo 22 da Lei Complementar 64/90 (Lei de Inelegibilidades) e do parágrafo 5º do artigo 73 da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições).

MC/JB

Processo relacionado: RO 763425


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Toffoli retira da pauta do STF julgamento sobre prisão em 2ª instância



Por: Marquesan Araújo

Ao atender pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o presidente do supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, retirou de pauta a votação das Ações Declaratórias de Constitucionalidade (ADCs) que tratam da possibilidade de prisão em segunda instância antes do trânsito em julgado.

A decisão do ministro foi tomada na noite desta quarta-feira (3), antes dele viajar para os Estados Unidos, onde vai participar de um encontro com alunos de universidades americanas.

O julgamento estava previsto para a próxima quarta-feira (10). O argumento utilizado pela OAB é de que a nova diretoria tomou posse recentemente e ainda precisa se inteirar "de todos os aspectos" envolvidos no caso.

A discussão engloba três ações que estavam na pauta do STF para a semana que vem. Além da OAB, os partidos PCdoB e Patriota também haviam feito pedidos para a retirada de pauta. A intenção é que o Supremo derrube o entendimento que permitiu a prisão após condenação em segunda instância, desde 2016.

Essa interpretação do STF é o que mantém, por exemplo, o ex-presidente Lula na cadeia, uma vez que o petista foi preso após condenação pelo TRF4 - tribunal de segunda instância. Nesse caso, os juízes entenderam que Lula praticou os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, em São Paulo.

O adiamento determinado por Toffoli ocorre em meio a um impasse sobre quando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vai julgar o recurso do ex-presidente contra essa condenação.


Bolsinha personalizada para bombons - Dia das Mães - Brinde Corporativo

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Gilmar Mendes considera condução coercitiva inconstitucional e proíbe sua utilização

Ministro Gilmar Mendes


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta terça-feira (19) a utilização da condução coercitiva em investigações. O agente público que descumprir a determinação de Gilmar poderá ser responsabilizado nas esferas disciplinar, civil e penal.

Frequentemente utilizada pela força tarefa da Lava Jato, a condução coercitiva é um mecanismo que consiste em levar investigados até a presença de autoridades policiais ou judiciárias para que ele seja interrogado e, em seguida, liberado. No entanto, na decisão desta terça, Gilmar entendeu que a ferramenta é inconstitucional, pois fere o direito da pessoa de não se autoincriminar

A decisão de Gilmar Mendes foi tomada após o ministro analisar duas ações que questionavam a legalidade da condução coercitiva, uma proposta pelo PT, e outra, pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

De acordo com o ministro, "a condução coercitiva para interrogatório representa uma restrição da liberdade de locomoção e da presunção de não culpabilidade, para obrigar a presença em um ato ao qual o investigado não é obrigado a comparecer”.

A liminar de Gilmar Mendes tem efeito imediato, mas ainda será revisada pelo plenário do STF, que poderá confirmar ou rejeitar a decisão.

Reportagem, João Paulo Machado







quarta-feira, 6 de março de 2013

Tribunal do Júri de Contagem (MG) julga o ex-goleiro Bruno pelo sequestro e assassinato de Eliza Samudio


Entra na fase final o julgamento do ex-goleiro Bruno Fernandes, acusado de ser o mandante dos crimes de sequestro, assassinato e ocultação de cadáver da ex-namorada, Eliza Samudio, para não ter de reconhecer o filho que teve com a jovem, e nem pagar pensão alimentícia. Bruno está sendo julgado em Contagem (MG), juntamente com a ex-mulher dele, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, que responde pelo sequestro e cárcere privado do filho da modelo.
Nove pessoas são acusadas de participação na morte Eliza Samudio. Três envolvidos já receberam sentença e cinco réus vão a júri em 2013.

O julgamento dos acusados de assassinato de Eliza Samudio é uma resposta ao clamor e luta da sociedade no combate a todas as formas de violência contra a mulher, e pelo fim da impunidade dos agressores, objetivo da Campanha "Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha - a lei é mais forte", lançada em 2012, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) e parceiros do Sistema de Justiça.
Acelerar os inquéritos e julgamentos nos processos de agressão, estupro e assassinato de mulheres, responsabilizando os autores é uma meta que se busca incessantemente para inibir esse tipo de crime, seja pela conscientização, denúncia e efetiva aplicação da Lei Maria da Penha.

"A atuação da campanha é no sentido de que a violência doméstica seja denunciada, enfrentada e coibida", afirma a secretária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves.

Brasil - Segundo o Mapa da Violência 2012 (Cebela), de 1980 a 2010, foram assassinadas mais de 92 mil mulheres, sendo que 73% ocorreram dentro da residência da vítima e 92% cometidos por companheiros, cônjuges ou namorados, o que torna o Brasil o 7º país no ranking mundial de assassinatos de mulheres, apesar de o país contar com legislação avançada, como a Lei nº 11.340/2006 (Maria da Penha), que protege a mulher da violência no âmbito familiar e estabelece punição para além da agressão física: sexual, moral, psicológica e patrimonial.

Ligue 180 - Nos seis anos da Lei Maria da Penha, a Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180, da Secretaria de Política para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), registrou mais de três milhões de atendimento, dos quais 52% com risco de morte em relatos de violência contra as mulheres. Estudo da ONU aponta que um bilhão de mulheres sofrem maus-tratos e abusos, principalmente no ambiente familiar em todo o mundo.

Memória - Eliza Samudio foi morta por esganadura em 10 de junho de 2010, depois de ter sido seqüestrada no Rio de Janeiro e levada, juntamente com o filho, para um sítio em Esmeralda, Região Metropolitana de Minas Gerais, onde foi mantida em cárcere privado e, posteriormente, entregue ao
ex-policial "Bola", que a matou e desapareceu com o corpo. A expedição do atestado de óbito da jovem foi determinada pela Juíza de Contagem, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, depois de decisão do Conselho de Sentença, em 24 de janeiro de 2013, a pedido do Ministério Público e da família.

Julgamento - Em 19 de novembro de 2012 teve início o julgamento do ex-goleiro Bruno, Macarrão, Bola, Dayanne e de Fernanda Gomes de Castro, as duas últimas acusadas de sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio. Na ocasião, Macarrão foi condenado a 15 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio e filho. Fernanda, então namorada do goleiro, foi condenada a cinco anos de prisão, em regime aberto, pelos crimes de cárcere privado e
sequestro da ex-namorada de Bruno e do filho dela.

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ter executado o crime e desaparecido com o corpo, está com julgamento marcado para 22 de abril deste ano.

Outros dois acusados serão julgados separadamente: Elenílson Vítor da Silva e Wemerson Marques de Souza. Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, foi morto a tiros em agosto de 2012. Outro suspeito de envolvimento no crime, Flávio Caetano Araújo, foi indiciado, porém teve o processo arquivado.

Bruno está preso há mais de dois anos, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais.

São instituições parceiras da Campanha "Compromisso e Atitude", O Ministério da Justiça, o Conselho Nacional de Justiça, o Colégio Permanente dos Presidentes dos Tribunais de Justiça, o Conselho Nacional dos Procuradores de Justiça, o Conselho Nacional de Defensores Públicos-Gerais e o Conselho
Nacional do Ministério Público.

Campanha "Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha"
Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres
(SPM-PR)
61 3411 5849 / 9603 0627
www.compromissoeatitude.org.br

Participe das redes sociais da campanha:
www.facebook.com/compromissoeatitude




sábado, 11 de junho de 2011

QUEM SALVARÁ OS BOMBEIROS?

Foto: http://www.antonioribeironoticias.com.br/
Na manhã de 11/06, os 439 bombeiros detidos no Rio de Janeiro, apenas por reivindicarem aumento de salário justo, foram libertados com a promessa de responderem processo em liberdade.


Os heróis, que salvam vidas sem distinção, ganham o menor salário da categoria no Brasil. Em comparação ao que se gasta com presos detidos no sistema carcerário, é uma vergonha o salário de um policial.

Tratados como bandidos e humilhados publicamente pelo governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, que chamou os nossos heróis de 'incompetentes', os mesmos além de lutarem por uma merecida melhoria de vida, agora terão que se preocupar com um processo judicial que poderá manchar suas fichas cobertas de glórias por salvarem tantas vidas.

Vale lembrar que enquanto o governo gasta mais de R$4,8 mil com um detento que destrói famílias inteiras, paga menos de mil reais para homens que trabalham dignamente, heroicamente e salvam vidas de todas as espécies.

Para deputados que tão facilmente aprovaram o seu próprio aumento de salário para R$27 mil no começo do ano, será tão difícil assim, apoiarem esta tão honrada categoria?

Será que todos os governantes do país, principalmente os do Rio de Janeiro, não levam em conta a importância desses chefes de família, deixando-os chegarem a um estado de humilhação pública?

Quem salvará os bombeiros?

Dos males o menor... O desprezo do governo do Rio de Janeiro no atendimento às reivindicações, só serviu para fortalecer ainda mais a nossa admiração e respeito à justa causa que leva homens tão importantes, que deveriam estar trabalhando para nos salvar, a ter que pedir 'pelo amor de Deus' por melhoria no seu salário vergonhoso.

Só para lembrar, o salário que eles ganham atualmente para arriscarem suas vidas, corresponde ao dos menores escalões nas empresas por aí à fora. É INJUSTO um bombeiro ganhar menos do que dois salários mínimos para correr riscos, enquanto os deputados engravatados do nosso país ganham uma fortuna para discutir e aprovar na maioria das vezes assuntos irrelevantes que não acrescentam em nada para a base da pirâmide, salvo raríssimas excessões.

É VERGONHOSO COMO BRASIL TRATA OS SEUS HERÓIS!!!!




ANISTIA AOS BOMBEIROS HERÓIS!!!!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

90% das mulheres estupradas não buscam auxílio médico imediato

Gestação avançada motivou negativa de aborto legal pelo serviço de saúde em 39% dos casos, aponta estudo inédito



Um estudo inédito, realizado no hospital estadual Pérola Byington, da Secretaria de Estado da Saúde, revela o perfil das mulheres vítimas de abuso sexual e que engravidam no Estado de São Paulo. O levantamento foi realizado com base em 936 pacientes atendidas na unidade ao longo dos últimos 15 anos pelo projeto Bem-Me-Quer, realizado pelas secretarias de Estado da Saúde e da Segurança Pública.

Do total de mulheres atendidas no Pérola, 88,9% admitiram não ter procurado orientações médicas imediatas, ou seja, durante os cinco dias decorrentes da violência. Neste período, seria possível o uso da anticoncepção de emergência (pílula do dia seguinte) para evitar a gravidez indesejada.

“O dado sinaliza que o trauma faz com que a primeira reação das mulheres ainda seja a reclusão. Só depois, quando percebem a gravidez, é que elas passam a tomar atitudes e enfrentam o problema”, afirmou a psicóloga e mestre em Saúde Pública Daniela Pedroso, autora da pesquisa.

Entre as 11,1% das mulheres que recorreram ao serviço de saúde imediatamente, em 38,6% delas a concepção de emergência não foi prescrita por opção das próprias pacientes.

Outro dado chama a atenção: de 200 mulheres que tiveram o pedido negado pelo serviço de saúde para realizar o abortamento legal, 39% estavam com idade gestacional avançada (chegaram para atendimento após 22 semanas de gestação ou com o feto pesando mais do que 400g).

O perfil traçado pelo Pérola apontou que a mulher vítima de abuso sexual que engravida tem idade média de 22,2 anos, cor branca (61,2%), solteira (76,3%), com ensino fundamental incompleto (37,4%) e com emprego formal ou informal (34,3%).

O projeto Bem-Me-Quer dispõe de equipe multidisciplinar capacitada para oferecer ajuda médica, psicológica e realizar o exame de corpo delito, simplificando o processo de notificação às autoridades.

As mulheres estudadas na pesquisa passaram pelo atendimento de 1994 até julho de 2009. Todas elas tentaram na Justiça o direito de realizar aborto, concedido mediante uma série de restrições em casos de abuso sexual. Até o ano de 2005, os atendimentos do Bem-Me-Quer representavam 25% das mulheres nestas condições do Brasil e 37,5% da Região Sudeste. O serviço é o único no Estado de São Paulo.

O método mais utilizado, entre as 608 mulheres que realizaram o aborto legal foi a aspiração intrauterina (48,4%), que demanda menor tempo de internação (média de 1,4 dia). A laparotomia, espécie de cesárea, foi usada em 10,2% dos casos. Em geral, o procedimento, mais invasivo, é utilizado nas mulheres cuja gestação está prestes a vencer o período permitido por lei.

Agressor único e desconhecido

Em 61% dos casos estudados, o autor era desconhecido da vítima e em 92%, agiu sozinho. Entre os autores conhecidos, destaca-se um membro da comunidade em que a vítima reside, que corresponde a 5,2% dos casos. O ex-parceiro foi o autor da violência em 3,5% dos casos e o padrasto em 3,4%.

“Nos casos em que não houve aborto, em geral por demora na procura pelo atendimento, segundo apontou o estudo, os autores da violência eram conhecido, em sua maioria. Isso denota que a carga emocional faz com que as vítimas demorem mais para procurar ajuda”, afirmou Daniela.

Secretaria de Estado da Saúde

Delegados partem em defesa de colegas do DECAP e DEMACRO

Nesta quarta-feira, 22, manifestantes se unem em ato simbólico frente aos abusos vivenciados pelos delegados dos dois departamentos


O descontentamento dos delegados de polícia do estado de São Paulo com a carreira e as condições de trabalho é crescente. Além de receberem o pior salário do país em sua categoria e tendo de conviver com a realidade de atender outros 31% de municípios do estado que não contam com esses profissionais, eles enfrentam uma crise de plantões do DECAP e do DEMACRO.

O DECAP é o departamento que gerencia todas as delegacias da capital paulista, enquanto o DEMACRO responde pelas delegacias dos municípios que tangem a Grande São Paulo, como o ABC, Mogi das Cruzes, entre outros. Na teoria, os dois departamentos, e suas seccionais subordinadas, deveriam organizar cinco equipes de delegados plantonistas por delegacia, casando horários e cargas de serviço. Na prática, a situação é diferente.

Atualmente, os delegados de plantão têm apontado escalas de até três equipes-duas, em alguns casos-. Esse desfalque do modelo original tem como consequência um regime desumano de trabalho, que termina por prejudicar a população, uma vez que o delegado plantonista acaba, pelo excesso de tarefas, deixando de exercer com plenitude sua função: investigar e solucionar.

Além disso, o abuso desgasta fisicamente e psicologicamente o profissional, que se vê cobrindo plantão por dias e noites a fio, sem perspectiva de descanso ou manutenção de equipes. O modelo não só reflete um impacto negativo na segurança pública do estado, como prejudica a saúde do delegado plantonista.
Com isso em mente, a ADPESP realizará, nesta quarta-feira, 22 de dezembro de 2010, um ato simbólico em Mogi das Cruzes. Às 9h30, a diretoria e os membros da associação estarão no 1º DP da cidade. Em seguida, às 15h, estarão no 46º DP. “Entregaremos nosso pleito ao responsável pela elaboração das escalas, deixando claro que estamos dispostos a lutar por uma condição digna de trabalho, nem que isso signifique o fechamento da unidade policial”, diz Marilda Pansonato Pinheiro, presidente da ADPESP.
O ato é o começo de uma série de campanhas que se desdobrarão ao longo do ano de 2011, prosseguindo com a luta por melhores condições de trabalho para profissionais de segurança em São Paulo em curto e médio.

domingo, 21 de novembro de 2010

Políticas públicas para povos indígenas

Colegiado estabelece políticas públicas para povos indígenas pelos próximos dez anos


O Plano Setorial para Culturas Indígenas foi aprovado nesta quinta-feira (18/11) pelo seu colegiado. O documento complementará o Plano Nacional de Cultura (PNC), aprovado no último dia 9 pelo Senado Federal e que prevê estratégias de ações para os próximos dez anos.

“O plano foi construído baseado na relação de respeito e confiança da Secretaria de Identidade e Diversidade com os povos indígenas, no acúmulo do trabalho desenvolvido e com a dedicação do corpo técnico da Secretaria envolvida com o trabalho”, declarou o Secretário de Identidade e Diversidade do Ministério da Cultura, Américo Córdula, na abertura da reunião do Conselho.

Para o conselheiro Romancil Cretã, a aprovação do Plano é o fim de uma etapa nas conquistas do protagonismo indígena e o próximo passo é a sua implementação. “Esse documento fortaleceu o indígena enquanto sujeito de sua história e isso para nós é muito importante. Foi um processo muito rico de discussões e houve muita sensibilidade do governo e compreensão dos povos indígenas, cada um soube ceder na medida certa para que o trabalho fosse concluído. Esperamos agora a mesma sensibilidade do próximo governo para implementá-lo”, avalia.

“Foi uma conquista histórica. O Plano vai demarcar a nova relação que o governo brasileiro vem assumindo com os povos indígenas”, afirmou a conselheira Rita Potiguara. Ela explica ainda que a concepção de cultura para os povos indígenas é diferente dos não indígenas. “A cultura está ligada a nossa forma de nos relacionarmos com a vida, a nossa relação com a espiritualidade, com a alimentação, nossa reprodução física e social”.

Segundo Rita, todo esse trabalho é fruto das Conferências Indígenas e de Cultura, “onde foi possível estreitar os laços entre as instituições de governo e mostrar a totalidade que a cultura tem para nós”.

“Foi um avanço significativo porque agora será possível que as políticas não sejam construídas em gabinete”, disse o conselheiro Farney Kambeba.

O Colegiado é composto por 20 membros titulares e suplentes, sendo 15 vagas da sociedade civil – 10 representantes indígenas e cinco mediadores culturais (agentes não-índios que atuam junto aos povos indígenas, como antropólogos, pesquisadores, etc) – e cinco representantes do Poder Público Federal. Atualmente a população indígena no Brasil é de, aproximadamente, 725 mil pessoas organizadas em 270 etnias falantes de 180 línguas distintas.

Fonte: Ministério da Cultura

CAMPANHA CONTRA A NÃO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

INSTITUTO AVON MOBILIZA SOCIEDADE COM CAMPANHA PELA NÃO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Ferramentas servirão a públicos (jovens e profissionais de Direito e Justiça) de importância estratégica para a prevenção da violência e assistência à mulher.

A UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – parte da ONU Mulheres) e o Instituto Avon lançam nesta terça-feira (23), na Estação Pinacoteca, em São Paulo, os portais “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo”.
Participam do evento Rebecca Tavares, representante do Unifem Brasil e Cone Sul; Luis Felipe Miranda, presidente da Avon Brasil, que doou R$ 1,5 milhão para a viabilização do projeto; e Maria da Penha Maia Fernandes, inspiradora da lei que leva seu nome.

Um dos portais é direcionado a advogados (as), delegados (as), promotores (as), defensores (as) públicos e juízes (as) e destaca políticas públicas e serviços de proteção e defesa dos direitos das mulheres e de assistência social e psicológica às pessoas que vivenciam o problema de violência.


Já o portal voltado para jovens do ensino médio, um universo de cerca de 10,2 milhões de estudantes, incorpora formas lúdicas de transmissão de informações, como aplicativos audiovisuais, mídias interativas, jogos, passatempos, entre outros.


Três eventos abordarão a complexidade do tema visando conscientização e prevenção


 O UNIFEM Brasil e Cone Sul (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher – parte da ONU Mulheres) e o Instituto Avon lançam, no dia 23, em São Paulo, os portais “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo”. Participam do evento Rebecca Tavares, representante do Unifem Brasil e Cone Sul, e Luis Felipe Miranda, presidente da Avon Brasil, que doou R$ 1,5 milhão para a viabilização do projeto. Também estará presente Maria da Penha Maia Fernandes, inspiradora da lei que leva seu nome.

 No dia 2 de dezembro, Lia Diskin, fundadora da Associação Palas Athena, coordena o Seminário Não Violência Doméstica.


 No dia 3 de dezembro o filme “Amor?”, patrocinado pela Avon, será apresentado em avant-premiére para convidados, após ter estreado no 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Com lançamento previsto para início de 2.011, uma mistura poética de documentário com ficção, um filme que fala sobre relações amorosas que envolvem alguma forma de violência. No elenco, Lilia Cabral, Eduardo Moskovis, Julia Lemmertz entre outros. A sessão será seguida de debate com o diretor João Jardim e com Lia Diskin, da Palas Athena.


O Instituto Avon amplia os horizontes da Campanha Fale Sem Medo – Não à violência doméstica unindo-se ao movimento internacional “16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero”, que se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Para este ano, a entidade anuncia três importantes ações que estimulam um olhar mais abrangente em torno da questão, auxiliando a todos os envolvidos no melhor entendimento de sua complexidade: o lançamento dos portais de internet “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo”, Seminário Não Violência Doméstica e sessão privada da ficção-documentário “Amor?”, seguida de debate com presença do diretor do filme João Jardim.


Os esforços da Avon no Brasil somam-se à campanha mundial da marca, Speak Out against Domestic Violence, criada em 2004 e que, por meio da Avon Foundation for Women, tem investido recursos em programas de conscientização, educação, prevenção e atendimento direto às mulheres que enfrentam a violência. Nos últimos seis anos, a instituição global já doou mais de US$ 16 milhões para combater globalmente a violência contra as mulheres.


Entre as iniciativas da Avon Foundation for Women destacam-se:


o Doação de US$ 1,5 milhão, em 2009, para a criação do Centro Global Avon em Prol da Justiça e das Mulheres da Faculdade de Direito Cornell. A iniciativa, inédita no mundo, mobiliza juízes e profissionais da área jurídica, bem como organizações governamentais e não governamentais, para melhorar o acesso de mulheres à justiça;


o Doação de US$ 1,2 milhão para a organização não-governamental Vital Voices realizar o fórum internacional “Parceria Global pelo Fim da Violência Contra Mulheres”. O evento, aconteceu em março deste ano em Washington, com a presença da atriz Reese Whiterspoon, presidente honorária da Avon Foundation for Women, e de Andrea Jung, presidente mundial da Avon, e reuniu delegações de 15 países (inclusive Brasil);


o Parceria global entre Vital Voices, Avon Foundation for Women e Departamento do Estado dos Estados Unidos para o enfrentamento das diversas formas de violência contra mulheres, garantindo mais acesso à justiça para meninas, adolescentes e mulheres em todo o mundo.


No Brasil, a colaboração da Avon com o Unifem, seguiu os passos da matriz, que em 2009 doou US$ 1,25 milhão para o Fundo das Nações Unidas para o Fim da Violência contra as Mulheres.


“Acreditamos na efetividade de ações conjuntas com entidades que atuam no sentido de fortalecer as mulheres em todo o mundo. Estamos felizes porque este projeto contribui para formar e consolidar competências e habilidades que devem garantir a acesso à informação e consequente aumento da conscientização sobre as causas e prevenção deste grande desafio, que é de toda a sociedade”, explica Luis Felipe Miranda, presidente da Avon Brasil.

Avon e Instituto Avon têm se empenhado em amplificar a discussão sobre o tema no Brasil, incentivando que toda a sociedade “Fale Sem Medo” de diversas maneiras:


 Comprando e usando os Produtos da Atitude, oferecidos nos folhetos da empresa e cuja renda é revertida para a causa;

 Divulgando a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, serviço criado pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM);

 Falando com amigos e familiares sobre a campanha;

 Visitando e divulgando os Portais interativos “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo”, fruto de uma parceria entre Unifem e Instituto Avon.


PORTAIS “VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES – QUEBRE O CICLO”

No dia 23 de novembro, às 10h, a Estação Pinacoteca, em São Paulo, será palco de interatividade com o lançamento dos portais “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo”. Iniciativa do Unifem em parceria com o Instituto Avon, os sites têm por objetivo divulgar a Lei Maria da Penha entre a juventude e profissionais do Direito e Justiça.

De fácil navegação e interface amigável, os dois portais servirão de ferramenta a públicos bem específicos e de importância estratégica para a prevenção da violência e assistência à mulher: profissionais do Direito, envolvidos em toda a cadeia de atendimento à mulher vítima de violência, e jovens de 15 a 18 anos.

O portal direcionado a advogados (as), delegados (as), promotores (as), defensores (as) públicos e juízes (as) destaca políticas públicas e serviços de proteção e defesa dos direitos das mulheres e de assistência social e psicológica às pessoas que vivenciam o problema de violência. Já o portal voltado para jovens do ensino médio, um universo de cerca de 10,2 milhões de estudantes, incorpora formas lúdicas de transmissão de informações, como aplicativos audiovisuais, mídias interativas, jogos, passatempos, entre outros.

Segundo a Pesquisa Instituto Avon/Ibope – Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizada em 2009, 55% dos brasileiros afirmam conhecer uma mulher que sofreu ou sofre agressões de seu parceiro. “Como empresa voltada para a mulher, temos consciência de quão importante é trabalhar para eliminar este tipo de violência e destacar os valores fundamentados nos direitos humanos, com respeito à igualdade de gênero, que resultem no repúdio a todas as formas de violência”, destaca o presidente da Avon Brasil.

A doação de R$ 1,5 milhão ao Unifem aconteceu em 2008, por meio da Campanha Fale Sem Medo – não à violência doméstica. Do total de recursos, R$ 1 milhão veio da venda da Pulseira da Atitude – primeiro produto global da empresa, lançado para apoiar ações de combate à violência contra mulheres em todo o mundo. Os outros R$ 500 mil foram doados pela Avon.

“Dizer não à violência contra as mulheres é adotar ações práticas, individuais e coletivas de denúncia e apoio às vítimas de violência. A Lei Maria da Penha é uma das melhores legislações do mundo. Falta mais rigor na sua aplicação pelo sistema de justiça e segurança”, afirma Rebecca Tavares, representante do UNIFEM-ONU Mulheres no Brasil e Cone Sul.
Em vigor desde agosto de 2006, a Lei veio dar uma resposta à violência doméstica e familiar contra as mulheres no país, mas sua implementação ainda é tímida. Entre os desafios a serem vencidos, está a mudança no comportamento e nas atitudes de toda a sociedade – com destaque para os jovens e profissionais de Direito - e nas dinâmicas das instituições envolvidas em toda a cadeia de atendimento às vítimas de agressões.

No enfrentamento da violência contra a mulher, a ONU propõe que cada país encontre sua própria estratégia, ajustada a suas realidades culturais. Reconhecendo apenas que “há uma única verdade universal aplicável a todos os países, culturas e comunidades: violência contra as mulheres é inaceitável, indesculpável e intolerável.”

A iniciativa do Unifem e do Instituto Avon conta com o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria Nacional da Juventude, Secretaria de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça, Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Associação dos Magistrados do Brasil, Associação Brasileira dos Magistrados, Instituto Maria da Penha, entre outras instituições.

SEMINÁRIO NÃO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

No dia 2 de dezembro, das 9h às 18horas, Lia Diskin, fundadora da Associação Palas Athena, coordena o Seminário Não Violência Doméstica que acontece no Hotel Golden Tulip Belas Artes (R. Frei Caneca, 1199), em São Paulo.

O evento, que também contará com a participação de José Romão Trigo Aguiar, médico Homeopata, professor de Ética e Filosofia e conselheiro da Associação Palas Athena, abordará as diversas faces da violência. Das dinâmicas sociais pautadas na dominação às falácias científicas e históricas que justificam a violência, o encontro propiciará uma profunda reflexão sobre esse tema tão complexo. Oferecerá, ainda, o contraponto dos relacionamentos baseados na cooperação e no respeito e analisará as mudanças culturais conquistadas sem o uso da violência – a Índia, de Gandhi, os Estados Unidos de Martin Luther King, a África do Sul, de Mandela, e o Brasil das Diretas Já.

FILME “AMOR?”, DO DIRETOR JOÃO JARDIM

No dia 3 de dezembro, às 10horas, no cine Livraria Cultura (Av. Paulista, 2073 - Conjunto Nacional) será a vez da Avant-Première do filme “Amor?”, que foi patrocinado pela Avon. Após a sessão de cinema, a platéia participa de debate com o diretor João Jardim, Lia Diskin, fundadora da Associação Palas Athena, e representante do Unifem Brasil Cone Sul.

Em “Amor?”, uma mistura poética de documentário com ficção, atrizes e atores interpretam o depoimento de pessoas que viveram relacionamentos em que ciúme, culpa, paixão e poder se misturam, algumas vezes gerando conflitos e diálogo, noutras conflitos e violência. Do elenco participam, entre outros, Lilia Cabral, Du Moskovis, Ângelo Antônio e Julia Lemmertz.

Serviço:

 23/11, às 10h, na Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66, centro) – Lançamento dos Portais “Violência contra as Mulheres – Quebre o Ciclo”, fruto de parceria do Instituto Avon com Unifem (Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Mulheres);

 02/12, das 9h às 18horas, no Hotel Golden Tulip Belas Artes (R. Frei Caneca, 1199), Seminário Não Violência Doméstica, com Lia Diskin - fundadora da Associação Palas Athena;

 03/12 – Exibição no cine Livraria Cultura (Av. Paulista, 2073 - Conjunto Nacional) do filme “Amor?”, de João Jardim patrocinado pela Avon. A sessão será seguida de debate com o diretor, com Lia Diskin e representante do Unifem Brasil.

Mais informações:

UNIFEM-ONU Mulheres

Isabel Clavelin

(61) 3038.9287 / 8175.6315


Instituto Avon
http://www.institutoavon.org.br/
http://www.br.avon.com/