Nossos Vídeos

sexta-feira, 31 de julho de 2020

TRANSPORTES PÚBLICOS PODEM SER PARALISADOS

Sem desoneração da folha até 2021, serviços de transporte público podem ser paralisados



Se a desoneração da folha de pagamento não for prorrogada até 2021, o serviço de transporte público no país pode ser totalmente paralisado. Esse risco é apontado por um estudo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que representa as concessionárias de ônibus. A entidade estima que o fim do incentivo em dezembro coloca em risco 405 mil empregos diretos e aumenta os custos de operação do setor em até 5% a partir de janeiro. Além disso, o preço das passagens pode subir, uma vez que a revisão de tarifas em muitas cidades brasileiras ocorre justamente no fim do ano.

O presidente-executivo da NTU, Otávio Cunha, afirma que a pandemia gerou prejuízos de R$ 3,72 bilhões este ano, com queda de 60% no número de passageiros. Diante desse cenário que já é crítico, Cunha alerta que onerar ainda mais o setor produtivo pode levar o sistema de transporte público urbano ao colapso.

“Se os governos não socorrerem as empresas, não socorrerem o transporte público nesse momento de crise, o serviço vai virar o caos. Se o fim da desoneração vier, é mais problema. As empresas vão paralisar mais rápido. Não é somente o problema do desemprego, o serviço vai parar”, avisa.



A possibilidade de retomar a cobrança sobre a folha de pagamento dos funcionários em um momento de crise ecônomica também causa preocupação a empresários de outros 16 segmentos, entre eles os de calçados, tecnologia da informação, call center, comunicação, têxtil e construção civil. O benefício criado em 2011 para estimular a contratação substitui a contribuição previdenciária de 20% sobre o salário dos funcionários por um imposto com alíquotas fixas sobre a receita bruta das empresas. A previsão é que a regra perdesse validade em 2020, mas o Congresso Nacional aprovou por meio da MP 936 a extensão do prazo até o ano que vem sob o argumento de preservar empregos e dar fôlego aos ramos que mais empregam no Brasil.

Ao sancionar a lei que permite a redução de jornada e de salário durante a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro barrou a prorrogação da desoneração da folha. A justificativa foi que a medida geraria impacto superior a R$ 10 bilhões e feriria a Constituição, depois que a reforma da Previdência desautorizou novas dispensas fiscais sobre a remuneração de colaboradores.

O entendimento de técnicos da Câmara dos Deputados é diferente. Em parecer jurídico divulgado no último dia 16, a Mesa Diretora da Casa garantiu que não há inconstitucionalidade e esclareceu que o artigo 30 da lei que alterou as regras de aposentadoria admite a manutenção de desonerações em vigência. Com o aval legal, o relator da MP 936, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), defende que o Parlamento assegure o incentivo às empresas por mais um ano.

“No auge dos efeitos econômicos da crise do covid-19, retomar a contribuição patronal como percentual da folha, como é a regra geral, significará um ônus adicional a 17 setores econômicos que empregam mais de seis milhões de brasileiros. Por isso, para que nós não vivamos uma explosão do desemprego nesse setores, eu creio que Congresso Nacional deve derrubar os vetos do presidente Bolsonaro”, sustenta. 


Setor metroviário


Não foi apenas o setor de transporte rodoviário que sentiu as consequências da crise. Uma pesquisa da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos) revelou queda de R$ 3,6 bilhões na arrecadação de bilhetes no segundo trimestre do ano. Por conta do isolamento social em vários estados, o número de passageiros transportados houve caiu 73% entre abril e junho.

Em alguns casos, os serviços podem ser afetados nos próximos meses. No Rio de Janeiro, a SuperVia, empresa que administra os trens urbanos da capital, informou em comunicado que, sem ajuda financeira do governo local, pode interromper as atividades já em agosto.

Fonte: Brasil 61

quarta-feira, 22 de julho de 2020

NOVO CALENDÁRIO DA 4ª E 5ª PARCELA DO AUXILIO EMERGENCIAL



O Governo Federal definiu o calendário de pagamento da quarta e da quinta parcela do Auxílio Emergencial. As parcelas devem ser pagas integralmente em julho e em agosto, com base no mês de nascimento do beneficiário. O mesmo ocorre em agosto e setembro. Esse calendário vale para beneficiários do Cadastro Único, trabalhadores informais, microempreendedores individuais, contribuintes individuais do INSS, autônomos e desempregados. Já os integrantes do Bolsa Família recebem o Auxílio Emergencial no calendário normal. Os pagamentos começaram na segunda-feira (20).

Auxílio Emergencial ajuda famílias do Nordeste a encarar pandemia

As demais pessoas vão recebem em lotes, de acordo com a data de cadastro. Beneficiários que receberam a primeira parcela em abril fazem parte do Lote 1 e vão receber a quarta parcela entre julho e agosto.

Nesta quarta-feira (22), 3,8 milhões de cidadãos nascidos em janeiro terão os valores de R$ 600 ou R$ 1.200 transferidos para a Conta Social Digital. Na sexta-feira (24) o auxílio emergencial será depositado para 3,5 milhões de pessoas nascidas em fevereiro.

A última parcela do Auxílio Emergencial para quem faz parte do Lote 1 e nasceu em janeiro será paga em 28 de agosto. O calendário segue até 30 de setembro, quando serão pagos os beneficiários nascidos em dezembro.

Fonte: Brasil 61

terça-feira, 21 de julho de 2020

MUNICÍPIOS PAULISTAS JÁ GASTARAM R$ 1,7 BILHÕES NO COMBATE AO CORONAVÍRUS




O governo de São Paulo e os municípios paulistas gastaram, até junho, R$ 4,29 bilhões em ações de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Ao todo, a administração estadual gastou R$ 2,58 bilhões. Já as 641 prefeituras gastaram R$ 1,7 bilhão.

As informações compõem um levantamento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP). O montante apurado se refere ao que foi gasto pelo governo paulista e pelos municípios até o dia 30 de junho. O TCE coletou os dados por meio de questionários, cujos municípios preencheram e por meio do Portal da Transparência do Estado.

Covid-19 dá sinais de desaceleração em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, mas se aproxima do pico em Minas Gerais

Repasses para mitigar efeitos da pandemia ainda são insuficientes, afirmam entidades representativas de municípios

Crise nos municípios deve reaquecer agenda de reformas administrativas

Entre março e junho, o Tribunal de Contas autuou 660 processos para receber acompanhamento especial. A Corte afirma que equipes de fiscalização checam as receitas, despesas e atos administrativos, além do cumprimento das orientações do próprio TCE paulista.


Fonte: Brasil 61

domingo, 19 de julho de 2020

Vacina contra a Covid-19 começa a ser testada em voluntários de cinco estados e do DF



O Instituto Butantan deu início ao cadastro dos profissionais de saúde interessados em participar da terceira de testes da vacina contra a Covid-19 que está em desenvolvimento na unidade. A vacina é produzida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech. A aplicação da vacina em voluntários deve ter início na próxima segunda-feira (20). Ao todo, 12 centros de pesquisa, localizados em cinco estados e no Distrito Federal, serão responsáveis pelo monitoramento e recrutamento dos participantes da pesquisa.

A inscrição dos profissionais de saúde interessados em receber a vacina foi aberta no começo da semana, por meio de uma plataforma virtual criada pelo Butantan. Após registro no site, os interessados devem procurar algum centro de pesquisa envolvido no estudo, que estão presentes nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, além do DF. Cerca de nove mil trabalhadores que atuam na linha de frente da pandemia devem participar dessa fase do estudo.



Nesta etapa da pesquisa, o Instituto Butantan verificará a eficácia, segurança e o potencial da vacina, intitulada CoronaVac, na produção de anticorpos contra a Covid-19. O cadastro dos voluntários ocorre menos de uma semana após a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aprovar a realização dos testes da vacina no país. As duas primeiras fases da pesquisa, realizadas em voluntários na China, apresentaram bons resultados e 90% das pessoas que a receberam, desenvolveram anticorpos capazes de neutralizar a Covid-19. A vacina é fabricada com vírus morto, mesma tecnologia utilizada na vacina contra gripe, por exemplo.

Pesquisadores brasileiros entram no páreo para a produção de vacina contra a Covid-19

Saúde cria força-tarefa para aprimorar aquisição e distribuição de insumos

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o grande diferencial da CoronaVac, em relação a outras vacinas em desenvolvimento, é o fato dela induzir uma resposta imune mais eficaz contra a infecção da Covid-19.

“Essa é uma vacina mais completa do que aquelas que induzem apenas a produção de anticorpos, isso explica o nosso entusiasmo a respeito da parceria feita com a Sinovac”, explica.

A Universidade de São Paulo (USP) é uma das instituições que integram a pesquisa. Esper Kallás, epidemiologista e professor na Faculdade de Medicina da universidade afirma que um dos motivos do Brasil integrar a terceira etapa de pesquisas da vacina é o fato do país possuir uma alta quantidade de casos da doença.

“É uma satisfação enorme que o país tenha esse grande número de pesquisadores envolvidos em vários estudos para a vacina da Covid-19. Infelizmente, o Brasil está sendo colocado na fase 3 da pesquisa pela situação epidêmica”, disse o pesquisador.
Expectativa

O desenvolvimento da CoronaVac foi anunciado há pouco mais de um mês pelo governo de São Paulo. Caso esta etapa da pesquisa seja bem sucedida o Butantan estima que a vacina possa estar disponível no mercado até meados de 2021. Todos os participantes do estudo terão o nome em sigilo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que, atualmente, existem mais 160 vacinas contra o novo coronavírus em estudo, sendo que 23 já estão na fase de testes clínicos.

Fonte: Brasil 61

sexta-feira, 3 de julho de 2020

GOVERNO PROCURA VOLUNTÁRIOS PARA TESTE DE MEDICAMENTOS CONTRA COVID-19 EM MG



O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) procura 500 pacientes com a Covid -19, no município mineiro de Juiz de Fora para participar de estudos clínicos com o medicamento nitazoxanida. O objetivo da pesquisa é verificar se o vermífugo é capaz de inibir a replicação do vírus nesses pacientes com a mesma eficácia obtida em testes com células vivas infectadas.

O titular da pasta, ministro Marcos Pontes, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), além de gestores locais, estiveram nesta semana na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santa Luzia, local onde vai ser feito a ação.

Segundo o ministério, todos os interessados em participar do estudo clínico serão submetidos ao teste diagnóstico RT-PCR, que detecta a Covid-19, e só vão poder colaborar com a pesquisa aqueles com resultado positivo da doença. A UPA de Santa Luzia está localizada na Rua Ibitiguaia, 1230, no bairro de Santa Luzia, em Juiz de Fora.


quarta-feira, 17 de junho de 2020

Como os brasileiros podem usar de forma consciente o auxilio emergencial


Especialista em finanças dá dicas para o melhor rendimento dos R$ 600 que o governo disponibiliza mensalmente durante a pandemia


Estamos enfrentando um momento muito delicado da economia mundial. Ainda não conseguimos calcular os impactos dessa crise, mas já sabemos que 81,9% dos brasileiros foram afetados economicamente. Diversas medidas estão sendo tomadas e uma delas é o pagamento do auxílio emergencial que atenderá milhares de brasileiros (microempreendedores, desempregados e autônomos) cuja primeira parcela começou a ser liberada em 09 de abril. Milhares de brasileiros irão se beneficiar, recebendo o benefício que, a princípio será de três parcelas.

Cuidado na hora das contas. O pagamento do coronavoucher foi liberado em 9 de abril, e ofertará R$ 600 para milhares de brasileiros de baixa renda. Terá acesso ao auxílio emergencial os brasileiros desempregados, microempreendedores e trabalhadores autônomos. Entre as facilidades para liberação, o ministério da cidadania deu prioridade para os que estão registrados no Cadastro Único. Sabemos que esse valor pode não suprir todas as necessidades de uma família por se tratar de uma "ajuda emergencial", porém, é de suma importância pensar bem antes de gastá-lo. Veja abaixo 3 dicas de ouro que poderão auxiliá-lo no melhor direcionamento desse recurso:

1 - PRIORIZE AS NECESSIDADES - em primeiro lugar, tente garantir as necessidades básicas ou gastos de sobrevivência. Faça uma compra de alimentos, principalmente não perecíveis (com maior durabilidade), o gás e priorize também a saúde. Algum medicamento importante e produtos de higiene são fundamentais para o período de pandemia que vivemos.

2 - REVEJA SUAS CONTAS - você poderá solicitar a suspensão temporário do pagamento de alguns financiamentos e também da parcela da casa. O aluguel poderá ser negociado junto a imobiliária ou proprietário. Contas como água e luz são importantíssimas, porém, em algumas cidades, seus pagamentos foram suspensos temporariamente. Busque informações.

3 - FUNDO DE RESERVA - Tendo em vista a instabilidade da economia e a falta de informações sobre o retorno a normalidade, guardar mesmo que uma pequena parte desse dinheiro, poderá ser muito importante para uma possível piora da economia.



Sobre Daniela Godinho

Conhecida por ministrar palestras “inspiradoras e transformadoras”. Uma das poucas profissionais do Brasil com Bacharelado em Economia Doméstica. Com 27 anos de experiência profissional, é uma das pioneiras e mais atuantes estudiosas e consultoras em Economia Doméstica, Finanças Pessoais, Comportamentais e Consumo Consciente na atualidade. Autora do livro: Inteligência Financeira – Faça MAIS com menos (editora Scortecci) 5a. edição, já ministrou mais de 4.000 cursos e palestras para milhares de pessoas em cerca de 650 empresas, faculdades, escolas e cooperativas de todo Brasil.

Daniela tem uma marca impressionante, já atendeu mais de 5.000 pessoas em Clínica Financeira. Algumas pessoas afirmam que ela possui uma habilidade cirúrgica e com empatia e uma sensibilidade fora do comum, já tirou do vermelho milhares de pessoas e ajudou outras tantas, a formarem fundo de reserva e até se tornaram investidores. Daniela Godinho conta com muita satisfação que já salvou centenas casamentos e afirma que problemas na saúde financeira afeta diretamente a saúde do casamento. "Mais de 50% dos divórcios no Brasil, são provocados direta ou indiretamente por questões de desordem financeira", afirma Daniela, que também ressalta a importância da união familiar e da educação financeira para os filhos "Todos devem remar o barco na mesma direção".

segunda-feira, 15 de junho de 2020

PL que suspende cadastro negativo durante pandemia




Após ser aprovado no Senado Federal, o projeto de lei 675/2020, que pede a suspensão de novos inscritos no SPC e Serasa, vai à sanção do presidente da República. De autoria dos deputados Denis Bezerra (PSB-CE) e Vilson da FETAEMG (PSB-MG), o PL tem como objetivo dar maior conforto aos inadimplentes durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Na prática, a proposta visa suspender por 90 dias a inscrição de consumidores em bancos de informação como Serasa e SPC, desde que tenha sido registrada após 20 de março de 2020. O projeto de lei busca, ainda, um apoio a milhões de famílias brasileiras, que tiveram suas rendas reduzidas de forma drástica durante o período de calamidade pública por causa do avanço da covid-19.

Em caso de sanção do PL, a medida garantirá acesso ao crédito para consumidores que tiveram retração na sua renda durante a crise. Dessa forma, o governo federal passa a ser responsável por regulamentar e fiscalizar os cadastros. Isso, é claro, sem interferir nas sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor.

No caso de multas aplicadas em decorrência da desobediência, o dinheiro será revertido e aplicado em medidas de combate ao coronavírus, visando ações que reduzam os impactos da pandemia.



domingo, 14 de junho de 2020

GOVERNO FEDERAL ENTREGA BR349 RECUPERADA NA BAHIA


O governo federal entregou nesta semana quase 89 quilômetros de pista recuperada da BR-349, na Bahia. A obra foi executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O trecho restaurado abrange as proximidades de quatro municípios: Bom Jesus da Lapa, Serra do Ramalho, Santa Maria da Vitória e São Félix do Coribe. Foram investidos R$ 8 milhões na restauração.

De acordo com o Ministério dos Transportes, a BR-349 possui extensão total de cerca de 1.228 quilômetros e corta os estados de Goiás, Bahia e Sergipe. Na Bahia, a rodovia desempenha importante papel no escoamento da produção da região agrícola irrigada pelo Rio São Francisco, nas proximidades de Serra do Ramalho.

A rodovia também tem grande relevância religiosa, sendo o caminho feito por romeiros, principalmente da região Centro-Oeste, com destino à cidade de Bom Jesus da Lapa.

sábado, 13 de junho de 2020

Cardiopatia congênita afeta 29 mil crianças/ano e 6% morrem antes de completar um ano de vida


12 de junho é o Dia Nacional de Conscientização da doença e reforça a importância do diagnóstica precoce



A cardiopatia congênita é um grupo de anormalidades na estrutura do aparelho cardiocirculatório, secundária a uma alteração no desenvolvimento embrionário, que pode surgir nas primeiras oito semanas da gestação, quando se forma o coração do bebê, causando insuficiência circulatória e respiratória, o que pode comprometer a qualidade de vida do paciente.

Estima-se, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que cerca de 130 milhões de crianças no mundo tenham algum tipo de cardiopatia congênita. Uma relação de um caso a cada cem nascimentos, segundo a American Heart Association, chegando a 1,35 milhão de doentes por ano. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, são dez casos a cada mil nascidos vivos, estimando em 29 mil o número de crianças que nascem com cardiopatia congênita por ano e cerca de 6% delas morrem antes de completar um ano de vida. Na apresentação grave da doença após o nascimento, ela pode ser responsável por 30% dos óbitos no período neonatal.

Por isso, diagnosticar precocemente é o fator principal para que a criança cardiopata possa receber o atendimento correto e no tempo necessário. “As cardiopatias congênitas são a terceira principal causa de mortalidade infantil e por não serem evitáveis, o diagnóstico e o tratamento precoces podem, na maioria dos casos, reverter a doença”, explica Klebia Castello Branco, presidente do Departamento de Cardiopatias Congênitas e Cardiologia Pediátrica (DCC/CP) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Para reforçar essa importância e os desafios do acesso integral à saúde aos portadores dessa doença, é comemorado na nesta sexta-feira,12 de junho, o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita. A data também é uma forma de homenagear pais, familiares, profissionais e demais pessoas que lutam pela vida e enfrentam as dificuldades dessas enfermidades.

Em muitos países do hemisfério norte essa data já é institucionalizada e faz parte do calendário, a exemplo dos Estados Unidos, onde é comemorado em 14 de fevereiro (Valentine’s Day). No Brasil, a data escolhida seguiu a alusão americana, com uma adaptação à nossa cultura para o Dia dos Namorados, no mês de junho. “Esse dia deve ser instrumento de conscientização para que as informações cheguem ao maior número possível de pessoas, ampliando as chances para mais e mais crianças conseguirem o tratamento necessário”, reforça Klebia.

Atendimento especializado

Presente desde o nascimento, as cardiopatias congênitas podem ser diagnosticadas mais tardiamente, inclusive na fase adulta, mas com a melhora do tratamento é possível viver satisfatoriamente. Entre os possíveis fatores de causas da doença estão algumas condições maternas, como diabetes mellitus, hipertensão, lúpus, infecções como a rubéola e a sífilis, uso de medicamentos e drogas e histórico familiar. Pais e mães portadores de cardiopatias congênitas apresentam uma chance duas vezes maior de gerar um bebê cardiopata. 

Muitas mães só descobrem que seu bebê tem algum problema no coração após o nascimento quando o Teste do Coraçãozinho é realizado. Esse exame deve ser feito nos primeiros dias de vida da criança, ainda na maternidade. O teste é feito com um oxímetro, que mede o nível de oxigênio no sangue do bebê e seus batimentos cardíacos – é um exame de baixo custo, rápido, não invasivo, indolor e obrigatório, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Contudo, o diagnóstico pode ser feito ainda durante a gestação, por meio do ecocardiograma fetal, único exame capaz de detectar uma cardiopatia congênita enquanto o bebê ainda está na barriga da mãe, feito entre 21 e 28 semanas de gestação. “Esse diagnóstico ainda na gravidez pode salvar muitas vidas, pois algumas cardiopatias precisam de intervenção e centro especializado assim que o bebê nasce. No país, pelo menos 50% dos casos são diagnosticados no pré-natal”, explica a cardiologista pediatra.

Infelizmente, esse exame não está no protocolo padrão do pré-natal e é solicitado apenas quando há casos antecedentes de cardiopatia congênita na família, ou alteração nos ultrassons.

Por isso, o acompanhamento médico no pré-natal é importante para o diagnóstico, caso existam fatores que levantem a suspeita clínica de problemas cardíaco-fetais. O ultrassom morfológico também pode apontar indícios de cardiopatia.

O Ministério da Saúde informa que o SUS conta com profissionais qualificados para identificar os sinais e sintomas das cardiopatias, diagnosticá-las e prover o acompanhamento apropriado. O Brasil possui 69 unidades de saúde públicas, distribuídas em 20 Estados e no Distrito Federal, para realizar cirurgias cardiovasculares pediátricas. Considerando que 80% das crianças cardiopatas precisam ser operadas em algum momento da vida – e que metade delas precisa da cirurgia no primeiro ano de vida –, o governo federal percebeu que era preciso ampliar o número de procedimentos realizados no sistema público que, em 2017, foi abaixo de dez mil. Dados do MS de 2018 mostram que foram a óbito por malformações congêntias do coração e doenças do aparelho circulatório 3.603 crianças.

Para melhorar a rede de atendimento, o MS lançou, em 2017, o Plano Nacional de Assistência à Criança com Cardiopatia Congênita. Na ocasião, houve o reajuste dos valores pagos por 49 procedimentos de cirurgia cardiovascular pediátrica, com um aumento médio em torno de 60%. Além disso, foi modificado o tipo de financiamento federal, passando o custeio dos procedimentos a ser realizado por meio do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC), instrumento que assegura o pagamento pós-produção dos procedimentos realizados sem qualquer interferência por parte das decisões em saúde locais.

Desafios no acesso e atendimento 

Ainda que tenham ocorrido avanços no acesso dos cardiopatas ao tratamento cirúrgico, é necessário manter as ações conduzidas desde então e incentivar outras medidas propostas pelo plano do governo federal, entre as quais a ampliação do acesso ao diagnóstico e a capacitação da equipe multidisciplinar no cuidado.

Klebia Castello Branco acredita ser o atendimento integral a criança com cardiopatia no Brasil um do maiores desafios do SUS, pelas dimensões continentais do país, distribuição geográfica desigual dos centros de referência de cardiologia e cirurgia cardíaca pediátrica e ausência de serviços especializados em alguns Estados, das regiões Norte e Nordeste, existindo ainda anomalia que não é diagnostica e, consequentemente, não tratada adequadamente. Mesmo na rede privada, há Estados que não possuem equipes multiprofissionais especiazadas para o atendimento dessa parcela da população e o atendimento precisa ser feito em centros especializados de alta complexidade. “Sabemos que existe um déficit de diagnósticos e de tratamento dessas crianças. Mesmo quando detectado o problema, muitos pacientes não têm a chance de tratamento ideal ou são tratadas tardiamente. A expectativa de todo cardiopata, bem como de seus familiares, é a garantia do acesso e do cuidado integral, resolutivo e de qualidade“, destaca.

O tratamento clínico da cardiopatia congênita é feito conforme o quadro que a criança apresenta. Algumas cardiopatias congênitas não necessitam de tratamento, uma vez que podem apresentar cura espontânea. As cardiopatias que evoluem de forma mais grave geralmente apresentam a opção de tratamento cirúrgico, algumas vezes realizado já no período neonatal, outras vezes no lactente ou criança maior, conforme a necessidade.

Atualmente, há a opção do cateterismo cardíaco terapêutico, que pode realizar procedimentos paliativos e até mesmo curativos. Com a melhoria do tratamento clínico e cirúrgico, a maioria dos pacientes atinge a idade adulta. Há países em que existem mais adultos que crianças com cardiopatia congênita.

A apresentação clínica da doença é bastante variável, incluindo formas assintomáticas e detectadas apenas com exame físico minucioso. Os sintomas mais comuns são falta de ar, cansaço aos esforços, cianose (coloração azulada da pele), arritmias, síncope, hipertensão arterial, entre outros, e cansaço às mamadas, no caso dos bebês.

Os cardiologistas são unânimes em afirmar que o ideal é corrigir o defeito estrutural. Segundo eles, de acordo com o caso, o bebê pode sofrer uma intervenção ainda no útero, ser submetido à cirurgia imediatamente após nascer ou, também aguardar meses ou anos para chegar ao centro cirúrgico.


SOBRE A SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA

Fundada em 14 de agosto de 1943, na cidade de São Paulo, por um grupo de médicos destacados liderados por Dante Pazzanese, o primeiro presidente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), tem atualmente um quadro de mais de 13.000 sócios e é a maior sociedade de cardiologia latino-americana, e a terceira maior sociedade do mundo.