| Por: Claudia Souza |
Chá da Tarde e
Desfile de Moda mostrou como eventos podem conectar empreendedores, artistas,
marcas e consumidores, movimentando a cadeia produtiva e criando novas
experiências no Centro histórico da capital
O Centro de
São Paulo recebeu, no dia 15 de agosto, uma iniciativa que merece ser observada
para além da passarela. O Chá da Tarde e Desfile de Moda, realizado no Gran
Villaggio Hotel, na Rua Martins Fontes, 330, reuniu empreendedores, artistas,
jornalistas, estilistas, personalidades e público consumidor em uma tarde que
combinou moda, cultura, relacionamento e negócios.
Com a apresentação
de Leão Lobo e Cibele Attallah, produção de Mara Porto e Maurício Coutinho (Coutinho Eventos) e
apoio da Frei Caneca Produções, o encontro teve como uma de suas principais
características a abertura de espaço para empreendedores de diferentes
segmentos, muitos deles representados por mulheres 50+ que, além de exporem
seus produtos e serviços, também participaram do desfile.
O evento
demonstra, na prática, como a iniciativa privada pode contribuir para a
ativação econômica e cultural de uma região histórica da cidade.
Um desfile de
moda pode parecer, à primeira vista, uma atividade concentrada apenas em roupas
e passarela. Mas, por trás de algumas horas de programação, existe uma cadeia
produtiva muito maior.
Um evento
desse tipo envolve produção cultural, organização, hotelaria, alimentação,
moda, beleza, fotografia, audiovisual, comunicação, divulgação, decoração,
sonorização, iluminação, transporte, serviços gráficos, tecnologia, segurança,
recepção, profissionais de eventos e comércio. Cada fornecedor contratado,
representa uma atividade econômica. Cada empreendedor que expõe sua marca
encontra uma oportunidade de apresentar seu trabalho. Cada profissional
envolvido amplia sua rede de contatos.
É justamente
essa capacidade de gerar conexões que caracteriza a economia criativa e o
empreendedorismo contemporâneo.
O próprio
Estado de São Paulo mantém políticas voltadas ao fortalecimento das Cadeias
Produtivas Locais, reconhecendo que a articulação entre empresas,
empreendedores e instituições pode gerar desenvolvimento econômico regional. O
programa SP Produz, por exemplo, tem entre seus objetivos fortalecer cadeias
produtivas, estimular a organização dos setores e promover o desenvolvimento
econômico dos territórios. (SP Produz)
O papel
estratégico do Gran Villaggio
Nesse
contexto, a participação do Gran Villaggio Hotel ganha importância especial. Ao abrir suas
portas para uma iniciativa que reúne negócios, cultura e entretenimento, o
hotel deixa de ser apenas um espaço de hospedagem e passa também a funcionar
como equipamento de convivência, relacionamento e ativação econômica.
Um hotel que
recebe eventos contribui para movimentar uma série de atividades ao seu redor:
fornecedores, profissionais de produção, alimentação, transporte, comunicação,
turismo e comércio. Além disso, quando um equipamento localizado no Centro
recebe uma programação capaz de atrair público, ele ajuda a produzir um efeito
que vai além de suas próprias instalações.
Pessoas chegam
ao Centro, circulam pelas ruas, utilizam serviços, encontram empreendedores e
redescobrem espaços da cidade.
É uma forma
concreta de reativar o território por meio da experiência.
A atuação da
Frei Caneca Produções e Coutinho Eventos, também merece destaque nesse
processo. A produção de um evento cultural ou de moda exige muito mais do que
colocar uma programação de pé. É necessário articular profissionais,
fornecedores, artistas, marcas, comunicação, logística, público e parceiros. Essa
capacidade de articulação é fundamental para transformar uma ideia em uma
experiência que gere valor.
No caso do Chá
da Tarde e Desfile de Moda, a produção conectou diferentes segmentos em torno
de uma proposta comum: criar um evento capaz de reunir pessoas e,
simultaneamente, valorizar empreendedores, cultura e o Centro de São Paulo.
A Prefeitura
de São Paulo também vem destacando a economia criativa como vetor de
desenvolvimento dos territórios, associando cultura, empreendedorismo, inovação
e geração de oportunidades. (Prefeitura
de São Paulo)
Empreendedoras
50+ no centro das atenções
Um dos
capítulos mais importantes da tarde foi protagonizado pelas mulheres
empreendedoras 50+.
Muitas das
participantes que apresentaram seus negócios também desfilaram. A passarela
tornou-se, portanto, uma extensão de seus empreendimentos. Essa escolha
tem um forte significado econômico e social.
São mulheres
que não aparecem apenas como consumidoras de moda, mas como produtoras,
empresárias, prestadoras de serviços, criadoras de marcas e agentes econômicas. Elas
movimentam negócios e, consequentemente, também movimentam outras partes da
cadeia produtiva.
Uma
empreendedora que vende um produto pode contratar uma fotógrafa para produzir
suas imagens, uma designer para desenvolver sua identidade visual, uma gráfica
para seus materiais, uma profissional de marketing para as redes sociais e uma
empresa de eventos para apresentar sua marca.
O negócio
deixa de ser isolado e passa a fazer parte de uma rede. É assim que o
empreendedorismo ganha força, afinal, Cultura também
é atividade econômica. A presença de
artistas, jornalistas, estilistas e personalidades reforçou outra dimensão
importante do evento: cultura também gera trabalho, renda e negócios.
A economia
criativa reúne profissionais que transformam conhecimento, talento,
criatividade e cultura em produtos e serviços. Segundo o
Sebrae, o setor inclui profissionais como artistas, músicos, estilistas,
ilustradores e outros trabalhadores criativos, que enfrentam justamente o
desafio de transformar seu talento em negócios sustentáveis. A instituição
destaca que a economia criativa representa quase 4% do PIB brasileiro. (ASN
Nacional)
Nesse sentido,
um desfile, uma apresentação musical, uma exposição ou um encontro cultural não
devem ser vistos apenas como entretenimento. São também
plataformas de negócios. Reumanizar o
Centro é colocar pessoas novamente nas ruas. A expressão
“reumanização do Centro” ganha sentido quando observamos o que acontece
quando as pessoas voltam a ocupar os espaços urbanos para atividades positivas.
Um Centro vivo
não é formado apenas por prédios, escritórios e estabelecimentos comerciais. Ele precisa de
pessoas, encontros, cultura, lazer, comércio, arte e experiências.
A Prefeitura
de São Paulo, por exemplo, mantém iniciativas como o Centrô!, que utiliza
espaços do centro histórico para intervenções de teatro, circo, música e outras
linguagens artísticas, com o objetivo de transformar locais da região em palcos
públicos. (Porta de Entrada)
Também as
feiras do programa Mãos e Mentes Paulistanas mostram como a ocupação dos
espaços pode gerar atividade econômica: em 2025, as feiras do programa
movimentaram mais de R$ 1,3 milhão, além de criarem oportunidades de
comercialização para centenas de artesãos e manualistas. (Todos
Pelo Centro)
O Chá da Tarde
e Desfile de Moda segue uma lógica semelhante, ainda que em uma escala e
formato diferentes: levar pessoas para o Centro e criar motivos para que elas
estejam ali, gera um efeito multiplicador.
O público
compra, o empreendedor divulga, o fornecedor trabalha, o artista se apresenta, o
hotel recebe, o produtor articula, o profissional de comunicação divulga, o
fotógrafo registra, o salão de beleza prepara, a equipe técnica monta, o transporte
movimenta, o comércio local pode ser beneficiado e novas conexões profissionais
surgem. Essa é a verdadeira dimensão da cadeia produtiva de um evento. Por isso,
iniciativas como a realizada no Hotel Gran Villaggio podem ser compreendidas
como ações de ativação econômica e cultural, especialmente quando realizadas em
regiões que precisam recuperar sua vitalidade urbana.
O Centro de
São Paulo possui história, arquitetura, cultura e uma enorme concentração de
profissionais e empreendedores. O desafio é transformar esse patrimônio em
novas experiências capazes de aproximar novamente as pessoas da região. Nesse
processo, hotéis, produtoras, restaurantes, lojas, espaços culturais,
empreendedores e instituições privadas têm papel fundamental.
O apoio do
Gran Villaggio em parceria com a Frei Caneca Produções e a Coutinho Eventos,
demonstra que a revalorização do Centro não precisa depender exclusivamente de
grandes projetos públicos. Ela também pode acontecer por meio de iniciativas
privadas, culturais e empreendedoras que ocupem os espaços existentes e criem
novas oportunidades.
O Chá da Tarde
e Desfile de Moda mostrou que uma passarela pode ser também uma vitrine para
negócios; um hotel pode ser um espaço de cultura; uma produtora pode ser
articuladora de empreendedores; e um evento pode funcionar como uma pequena
engrenagem de uma grande cadeia econômica.
No final, reumanizar
o Centro significa justamente isso: colocar pessoas no centro das decisões, dos
negócios e da cidade. E quando essas
pessoas são empreendedoras, artistas, profissionais da cultura, homens e mulheres
que continuam criando e trabalhando depois dos 50 anos, a mensagem se torna
ainda mais poderosa.
Valorizar quem
empreende é movimentar a economia. Valorizar a cultura é gerar oportunidades. E
ocupar o Centro com pessoas, negócios e experiências é ajudar São Paulo a
reencontrar a sua própria identidade.