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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Com maioria da direita no Senado, Alcolumbre será pressionado a abrir impeachments protocolados

A eleição de 2026 redesenha o Senado e coloca Davi Alcolumbre diante de uma nova correlação de forças.



O resultado das urnas deste domingo (4) mudou significativamente o equilíbrio político do Senado Federal. A partir de 2027, o PL terá a maior bancada da Casa, com 28 senadores, enquanto a direita, somada a partidos de centro-direita, terá força suficiente para pressionar a Presidência do Senado em temas que até agora encontravam resistência, entre eles os pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A mudança ganha ainda mais peso porque 54 das 81 cadeiras do Senado foram disputadas nesta eleição, provocando uma das maiores renovações da história recente da Casa.

O principal teste para Alcolumbre


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vinha sendo acusado por setores da oposição de segurar pedidos de impeachment contra ministros do STF. Em setembro, o próprio senador reconheceu que havia 109 pedidos de impeachment envolvendo os dez ministros da Corte, classificando o número como "não normal".

Agora, o cenário político mudou.


Levantamento divulgado após a eleição aponta que o novo Senado terá pelo menos 51 senadores favoráveis ao impeachment de ministros do STF. O número, entretanto, ainda fica abaixo dos 54 votos necessários para aprovar o afastamento de um ministro.

Isso significa que a nova composição não garante automaticamente a aprovação de um impeachment, mas eleva substancialmente a pressão política sobre o presidente da Casa.

A questão agora é: Alcolumbre vai abrir os processos?

A resposta poderá definir o relacionamento entre o Senado e o Supremo a partir de 2027.

Alcolumbre terá de administrar uma bancada do PL fortalecida e um grupo conservador que fez do impeachment de ministros do STF uma das principais bandeiras da campanha eleitoral.

Antes da eleição, aliados do presidente do Senado avaliavam que ele poderia esperar o resultado das urnas antes de decidir sobre os pedidos. A própria disputa pela Presidência do Senado em 2027 está diretamente relacionada a esse novo equilíbrio de forças.

O cenário ficou ainda mais delicado depois que o PL passou a ser a maior bancada do Senado desde a redemocratização, com 28 parlamentares previstos para 2027.

STF no centro da disputa institucional


Os pedidos de impeachment ganharam força durante a campanha eleitoral, especialmente em meio às controvérsias envolvendo ministros do STF e as revelações relacionadas ao caso Banco Master.

Em setembro, senadores de diferentes partidos já haviam defendido publicamente o afastamento de Alexandre de Moraes, enquanto a oposição protocolava novos pedidos no Senado.

Com a nova composição da Casa, a relação entre Senado e Supremo deverá entrar em uma nova fase.

Mais do que uma disputa entre esquerda e direita, o debate envolve uma questão institucional: até onde deve ir o poder de um ministro do Supremo e qual deve ser o papel constitucional do Senado na fiscalização da Corte?

O que está em jogo?


A partir de fevereiro de 2027, Alcolumbre terá diante de si uma escolha política de grande impacto:

Manter a estratégia de arquivamento ou engavetamento dos pedidos, enfrentando uma bancada conservadora fortalecida, ou permitir que os processos sejam analisados pelo plenário do Senado.

A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. Portanto, abrir um processo não significa automaticamente condenar um ministro — significa permitir que o Senado examine formalmente as acusações.

O novo Congresso terá a oportunidade de transformar uma pauta que durante anos permaneceu praticamente paralisada em um dos principais debates institucionais do país.

A pergunta que começa a dominar os bastidores de Brasília é simples: Alcolumbre continuará segurando os pedidos ou a nova maioria do Senado conseguirá fazê-lo abrir a gaveta dos impeachments?

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