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quarta-feira, 6 de maio de 2026

CAIXA LANÇA O PROGRAMA “JUNTOS POR ELAS – PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES”

Iniciativa fortalece ações de prevenção e enfrentamento à violência, incluindo o combate ao assédio


A CAIXA lançou, nesta terça-feira (5), o programa “Juntos Por Elas – Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”. Em evento realizado na CAIXA Cultural Brasília, com a presença do presidente da CAIXA, Carlos Vieira, da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, e outras autoridades, o banco apresentou diversas ações que visam à proteção das mulheres por meio da prevenção e do enfrentamento à violência, incluindo o combate ao assédio e à importunação sexual no ambiente de trabalho.


Autoridades e convidados durante cerimônia de lançamento do programa “Juntos por Elas”. Foto: Robson Cesco/CAIXA

Carlos Vieira falou sobre o papel da CAIXA na transformação da sociedade. “A CAIXA tem nas suas mãos a riqueza para transformar a sociedade. Um desses exemplos é o microcrédito, que quando tomado por empreendedoras, muda a realidade de mulheres e as tiram de uma situação de violência gerada por dependência econômico-financeira. Eu tenho muito orgulho de presidir o banco que tem como propósito mudar a vida das pessoas”, afirmou Vieira.

A ministra da Igualdade Racial, Raquel Barros, trouxe ao debate a necessidade de iniciativas conjuntas para modificar a realidade. “Estamos reunidos aqui hoje para mostrar com dados, com ações concretas, que é possível transformar a realidade. Se a gente quer as pessoas transformando as suas realidades, a gente precisa sobretudo garantir que a gente combata o racismo, o sexismo e o machismo na nossa sociedade. Por isso que estar aqui construindo essas ações é mostrar que a gente está trabalhando para modificar esta realidade”, disse a ministra.



“Entre a coragem e o perigo, reside a atitude. É exatamente a atitude que faz com que a coragem ganhe espaço e o perigo seja vencido”, disse o presidente da CAIXA, Carlos Vieria. Foto: Robson Cesco/CAIXA


Acordos:

O presidente Carlos Vieira realizou a assinatura de três Acordos de Cooperação Técnica (ACT). O primeiro, com Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, fortalece ações de valorização à diversidade, da equidade e da inclusão no ambiente organizacional.

Com o Ministério da Igualdade Racial, o ACT reafirma o enfrentamento ao racismo e a necessidade de ampliação de oportunidades, com especial atenção às mulheres.

O terceiro ACT foi assinado em conjunto com o Ministério das Mulheres, ampliando iniciativas de conscientização, acolhimento e proteção de direitos, fortalecendo o compromisso institucional com ambientes seguros, inclusivos e respeitosos.


Momento de assinatura dos Acordos de Cooperação Técnica. Foto: Robson Cesco/CAIXA

“O evento é o marco inicial e institucional do programa, com o objetivo de promover a reflexão sobre o tema. O banco, com sua missão pública e seu papel histórico como agente de políticas públicas, busca propagar iniciativas de impacto social, fazendo uso de seus canais de divulgação e de suas unidades físicas em todo o território nacional”, disse Vieira.

A ação está alinhada com o Pacto Brasil contra o Feminicídio, iniciativa de caráter nacional que articula esforços dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário na promoção da proteção integral às mulheres.

Juntos Por Elas:

O programa contribui de forma direta para:O encaminhamento voluntário de mulheres vítimas de violência ao apoio humanizado em espaços de grande circulação, como agências bancárias e caixas culturais;

A ampliação do acesso à informação, fortalecendo a rede de proteção às mulheres;

A sensibilização da sociedade quanto à gravidade e às múltiplas formas de violência contra a mulher;

O fortalecimento das políticas públicas, por meio da articulação com Ministérios, órgãos do Sistema de Justiça, segurança pública, governos locais e organizações da sociedade civil;

A promoção da mudança cultural, envolvendo mulheres e homens, especialmente lideranças e formadores de opinião, no enfrentamento da violência contra as mulheres.

Inicialmente, todas as unidades da CAIXA Cultural contarão com empregados e prestadores de serviços voluntários que fornecerão acolhimento e esclarecimentos a mulheres em situação de violência. O projeto piloto será expandido para diversas agências do banco pelo país.


A CAIXA ainda disponibilizará informações sobre o assunto por meio de material de divulgação como cartazes, senhas de atendimento e em sua comunicação interna, com ampla divulgação do Disque 180.

Outras ações de prevenção e combate à violência contra a mulher:

Está previsto também o fortalecimento do Programa Acolhe CAIXA, iniciativa exclusiva dedicada ao acolhimento de empregadas da instituição em situação de violência doméstica e familiar, que completa, neste mês, cinco anos de atuação.

O Acolhe oferece apoio por meio de escuta qualificada e humanizada, com garantia de sigilo, além de orientações para acesso à rede pública de serviços especializados, como atendimento psicossocial, registro de denúncias e assistência jurídica. Além disso, contempla medidas de apoio, visando à redução da situação de vulnerabilidade das empregadas. O canal pode ser acionado tanto por empregadas em situação de violência quanto por qualquer empregado ou empregada que busque orientações sobre o tema ou queira apoiar colegas.

Além dessas ações, outras de ampla divulgação, capacitação e acolhimento estão previstas, como:Sensibilização e capacitação, com certificação, voltadas inicialmente à liderança masculina da CAIXA, incluindo a formação de embaixadores do tema, com apoio de empresa especializada.

Inserção do tema em eventos de grande público, com participação de atletas e artistas patrocinados pela CAIXA.

Alteração das minutas contratuais de patrocínios para inclusão de cláusulas que exijam das entidades patrocinadas ações de prevenção e combate à violência contra a mulher, bem como capacitação sobre o tema.

Capacitação das assistentes sociais para atendimento às mulheres que recebem imóveis do MCMV Faixa I.

Sensibilização e capacitação em canteiros de obras para prevenção à violência contra a mulher, em parceria com as construtoras que venham a aderir ao Programa.

domingo, 27 de outubro de 2024

Evento "Elas Podem" Reúne Mulheres na Zona Leste para Conscientização e Motivação



    No último sábado, o Instituto Abreu organizou o encontro "Elas Podem", um evento especialmente dedicado às mulheres da Zona Leste de São Paulo, que teve como foco principal a conscientização sobre a saúde feminina e o fortalecimento pessoal. Reunindo médicas e especialistas, o evento destacou a importância do autoexame para a detecção precoce do câncer de mama e contou com palestras de incentivo e motivação.

    Durante a programação, as participantes assistiram a uma palestra ministrada por médicas oncologistas e mastologistas, que reforçaram os passos essenciais para a realização do autoexame e os sinais que merecem atenção. Com abordagens esclarecedoras e linguagem acessível, as profissionais tiraram dúvidas e deram orientações práticas para promover a prevenção e o diagnóstico precoce, enfatizando que o autoexame pode salvar vidas. Essa ação foi especialmente bem recebida, pois muitas mulheres nunca tiveram a oportunidade de conversar diretamente com profissionais da saúde sobre o tema.




    Além das orientações médicas, "Elas Podem" proporcionou momentos de inspiração com palestras motivacionais focadas em empoderamento feminino, saúde mental e fortalecimento emocional. As palestrantes incentivaram as participantes a buscarem o autoconhecimento e a superarem obstáculos diários com coragem e determinação. Em um dos pontos altos do evento, mulheres da comunidade compartilharam suas histórias de superação, demonstrando que é possível enfrentar dificuldades e buscar uma vida com mais saúde e propósito.

    Para o Instituto Abreu, o sucesso do evento se reflete no feedback das mulheres presentes, que saíram renovadas e conscientes da importância de cuidar de si mesmas. "Nosso objetivo é que elas entendam que são capazes de cuidar da própria saúde e de conquistar seus sonhos. É inspirador ver o engajamento e a união de todas aqui hoje", declarou a diretora do instituto, Maria Abreu.

    O encontro "Elas Podem" encerrou com um momento de confraternização, onde as participantes puderam conversar, trocar experiências e criar uma rede de apoio mútuo. Ao final, o evento cumpriu seu papel de promover a saúde feminina, o autoconhecimento e a sonoridade, deixando um impacto positivo e duradouro na comunidade.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Combate à Violência Doméstica e Capacitação dos Profissionais em São Paulo



Por: Claudia Souza

São Paulo, a maior cidade do Brasil, enfrenta um desafio contínuo no combate à violência doméstica e na proteção das mulheres contra a violência. Este problema persistente exige não apenas políticas públicas eficazes, mas também a capacitação contínua dos profissionais que estão na linha de frente desse enfrentamento.

O evento 'Caravana da Mulher' que reuniu autoridades do poder público, da segurança e da justiça numa coletiva de imprensa, foi realizado ontem (17/7) no Hotel Sooz, localizado na região central da cidade de São Paulo, sob coordenação da empresa Coutinho Eventos e teve por objetivo conscientizar jornalistas e profissionais de diversas áreas, sobre a necessidade de expandir a discussão em torno dos motivos e matizes da violência doméstica, que em grande parte atinge crianças e mulheres. 

Entre os participantes estavam presentes: Coronel Álvaro Camilo (SubPrefeito da Distrital Sé); Brigida Sacramento (Secretária Executiva do Consórcio Intermunicipal da Região Sudoeste da Grande São Paulo - CONISUD); Dra. Daniela Almeida (Delegada do CRECI e Coordenadora do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura de Embu das Artes - CMEC); Dra. Rosmary Correa (Primeira delegada de defesa da mulher em São Paulo - 1985); Dra. Sueli Amoedo (advogada, criadora e responsável pelo Projeto "Pela Vida da Mulher"; Neudir Sudatti (Conselho da Mulher de Itapecerica da Serra); Dra Thaila Luz (Comissão Mulher e Advogada da OAB - Cotia); Carolina Rayol (Marketing da Associação Comercial de Embu das Artes - ACISE); Alba Medardoni (Presidente da Associação Amigos da Zona Norte e Conselheira do CMEC); Vera Tabach (criadora do 1º Troféu da Mulher - 1976); Márcia Mendonça (Vice-Coordenadora do CMEC - Centro) e Raquel Nery, arquiteta, urbanista, fundadora do movimento "São Paulo Restauro e Memória".

Entre os aspectos abordados foram citadas as necessidades de trabalhos de prevenção com as crianças nas escolas, treinamento de profissionais que atuam com o atendimento e acolhimento às vitimas e maior atenção aos aspectos psicológicos dos agressores.


Estatísticas Recentes e Fontes

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou em 2023 mais de 1.400 casos de feminicídio, um aumento significativo em relação aos anos anteriores. No estado de São Paulo, especificamente, foram registrados 195 casos de feminicídio, representando um crescimento de 5% em comparação com 2022. Além disso, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo relatou um aumento nos casos de violência doméstica, com mais de 200 mil ocorrências registradas em 2023.

Esses números alarmantes são reforçados por estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que apontam que cerca de 30% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica durante a pandemia de COVID-19. A situação exige uma resposta urgente e coordenada de todos os setores da sociedade.

Políticas Públicas e Iniciativas Governamentais


O governo do estado de São Paulo tem implementado diversas políticas públicas para enfrentar a violência contra a mulher. A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é uma das principais ferramentas legais, oferecendo medidas protetivas e penas mais severas para os agressores. O estado também conta com delegacias especializadas de defesa da mulher e juizados específicos para casos de violência doméstica.

Programas como a "Casa da Mulher Brasileira" fornecem serviços integrados de apoio às vítimas, incluindo atendimento psicológico, jurídico, e assistência social. Outra iniciativa importante é o "Programa Bem Me Quer", que oferece abrigos seguros para mulheres em situação de risco e seus filhos.

Capacitação de Profissionais

A capacitação dos profissionais que lidam com casos de violência doméstica é fundamental para garantir um atendimento eficaz e sensível às vítimas. O governo de São Paulo, em parceria com diversas ONGs e instituições de ensino, tem investido em programas de treinamento e capacitação.

Os cursos de formação incluem temas como direitos humanos, legislação específica, atendimento humanizado e técnicas de intervenção em crise. O objetivo é preparar policiais, assistentes sociais, psicólogos, advogados e outros profissionais para reconhecerem os sinais de violência, oferecerem suporte adequado e encaminharem as vítimas para os serviços apropriados.

Iniciativas da Sociedade Civil

Organizações não governamentais (ONGs) desempenham um papel crucial no combate à violência doméstica e na capacitação dos profissionais. A Associação Mulheres pela Paz, por exemplo, realiza workshops e treinamentos para policiais e outros profissionais de segurança pública. O Instituto Maria da Penha também oferece cursos online e presenciais para capacitar profissionais de diversas áreas no enfrentamento à violência contra a mulher.

Além disso, campanhas de conscientização promovidas por essas organizações ajudam a educar a população sobre os direitos das mulheres e a importância de denunciar casos de violência. A Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, formada por diversas ONGs e órgãos governamentais, trabalha para fortalecer as políticas públicas e garantir a implementação eficaz das medidas protetivas.

Perspectivas Futuras

A luta contra a violência doméstica e a capacitação dos profissionais são um trabalho contínuo e desafiador. A cooperação entre governo, ONGs e a sociedade é essencial para criar um ambiente mais seguro e acolhedor para as mulheres.

É fundamental que o investimento em políticas públicas e programas de capacitação continue a crescer, e que novas estratégias sejam desenvolvidas para enfrentar esse problema complexo. A sensibilização da sociedade e a promoção da igualdade de gênero também são elementos-chave na construção de uma cultura de respeito e não-violência.

Com o esforço conjunto de todos os setores, é possível avançar na proteção das mulheres e na erradicação da violência doméstica em São Paulo e em todo o Brasil.




***

Aqui está uma lista de algumas das melhores instituições de apoio e acolhimento às vítimas de violência doméstica em São Paulo, incluindo endereços e informações de contato:

1. Casa da Mulher Brasileira

2. Defensoria Pública do Estado de São Paulo - Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (NUDEM)

3. Secretaria de Políticas para as Mulheres - Centro de Referência da Mulher Casa Eliane de Grammont

4. Instituto Maria da Penha

5. Associação Mulheres pela Paz

6. GELEDÉS - Instituto da Mulher Negra

  • Endereço: Rua Cônego Vicente Miguel Marino, 191 - Bosque da Saúde, São Paulo - SP
  • Telefone: (11) 3241-8224
  • Website: Geledés

7. Projeto Bem Querer Mulher

  • Endereço: Rua da Consolação, 696 - Consolação, São Paulo - SP
  • Telefone: (11) 3255-2088
  • Website: Bem Querer Mulher

8. Liga Solidária - Centro de Referência da Mulher e Família

  • Endereço: Av. Dr. Gastão Vidigal, 1946 - Vila Leopoldina, São Paulo - SP
  • Telefone: (11) 3832-5642
  • Website: Liga Solidária

9. ONG Maria Mulher

  • Endereço: Rua Dr. Vila Nova, 285 - Vila Buarque, São Paulo - SP
  • Telefone: (11) 3214-5624
  • Website: Maria Mulher

10. Centro de Defesa e Convivência da Mulher - Casa Sofia

  • Endereço: Rua Arnaldo Cintra, 26 - Tatuapé, São Paulo - SP
  • Telefone: (11) 2296-5688
  • Website: Casa Sofia

Essas instituições oferecem diversos tipos de suporte, incluindo atendimento psicológico, jurídico, e abrigo temporário para mulheres em situação de violência. Se precisar de ajuda, entre em contato com uma dessas organizações para obter apoio


Fontes: 



terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Delegacia de Defesa da Mulher online de SP registra aumento de mais de 50% de medidas protetivas de urgência



Delegada enfatiza importância da denúncia; vítimas de violência doméstica podem procurar delegacia presencial ou online



O número de medidas protetivas de urgência solicitadas pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) online de São Paulo aumentou 53,9% entre 2022 e 2023. Para a coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo, Jamila Jorge Ferrari, o dado mostra a importância dos recursos oferecidos pelo governo paulista para a proteção de vítimas de violência doméstica e a devida punição aos agressores.

"A partir do momento que a mulher faz a denúncia, a Polícia e o poder Judiciário estão cientes de que ela precisa de ajuda e podem oferecer ferramentas de auxílio e proteção. Medidas protetivas salvam vidas", explica Jamila.

Diante disso, a Polícia Civil de São Paulo disponibiliza mecanismos para que as mulheres consigam fazer o boletim de ocorrência de qualquer forma, seja presencialmente, seja de forma online, 24 horas por dia.

De acordo com a Polícia Civil, em 2022, foram solicitadas 17.536 medidas protetivas por meio da DDM online e também pelas DDMs 24 horas. Já em 2023, até dezembro, eram 26.996 solicitações. São Paulo tem o maior número de Delegacias da Mulher no país. São 140 no total, ou 40% de todas as unidades espalhadas pelo Brasil.

Mulheres que são vítimas de algum tipo de violência, tanto doméstica como familiar, podem denunciar seus agressores por meio de um boletim de ocorrência de forma presencial, em uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), ou na delegacia do bairro em que ela reside.

Elas podem ainda fazer a denúncia por meio da DDM Online (https://www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br/ssp-de-cidadao/home), pelo endereço da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo. Os serviços estão disponíveis 24 horas, em todos os dias da semana.

Há ainda outras ferramentas disponíveis no Estado para proteção das mulheres, como o SOS Mulher, que é uma plataforma de conteúdos sobre segurança, saúde e independência financeira.

Outra forma de proteção é o botão do pânico — aplicativo que pode ser acionado em caso de situação de perigo, além das tornozeleiras eletrônicas, iniciativa em parceria com o Judiciário que possibilita o monitoramento dos agressores.

Confira a entrevista com a delegada e coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo, Jamila Jorge Ferrari:

Só mulheres vítimas de violência física podem registrar a denúncia?

De forma alguma. Muitas mulheres não compreendem, e até a sociedade como um todo não entende que a violência não se resume apenas ao aspecto físico. Não é apenas aquela que deixa marcas visíveis, como um olho roxo, um braço quebrado ou uma mordida. A violência é muito mais complexa, e a própria Lei Maria da Penha traz as cinco formas de violência, que são a física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Muitas mulheres não entendem que elas estão sendo vítimas de violência. A violência moral são os xingamentos, as humilhações, o que nós juridicamente chamamos de calúnia, injúria, difamação. Esses crimes são contra a honra da mulher e causam danos tão terríveis quanto se fosse uma violência física.

Como encorajar mulheres que vivem ciclos de violência a denunciar?

É muito importante explicar a essas mulheres que a culpa não é delas e nem a responsabilidade. E se uma violência foi cometida, elas têm o direito de buscar ajuda, e a polícia tem o dever de dar auxílio. Na maioria dos casos, essa mulher está muito machucada e não consegue pedir ajuda, ou tem muito medo ou vergonha, ou muitas vezes até é dependente financeiramente do seu agressor. Todas essas questões acabam impedindo que essa mulher faça o boletim de ocorrência, mas podem ser solucionadas com a atitude da polícia, do Poder Judiciário e com o trabalho existente no governo estadual e em muitos governos municipais, visando proporcionar a essa mulher a possibilidade de ter um local seguro para se abrigar quando necessário.

O boletim de ocorrência online tem a mesma efetividade do presencial?

O nosso boletim está repleto de informações que precisamos para efetivamente prestar ajuda a essa mulher. Então, ela vai fornecer seus dados pessoais, e se tiver os dados pessoais do autor, não precisa saber, por exemplo, o endereço completo ou RG do agressor, podendo inserir apenas o nome ou apelido dele. Ela vai colocar no histórico do boletim de ocorrência com as próprias palavras o que aconteceu. Também consegue anexar fotografia da lesão, então, às vezes tem uma marca da mordida ou um roxo nas pernas. Pode colocar um print de conversa com ameaças, com xingamentos, com a violência moral sofrida. E muitas mulheres têm colocado a papeleta do hospital em que ela foi atendida falando qual foi o tipo de lesão, qual é o medicamento que vai ter que tomar. É perguntado a ela se quer e se precisa de uma medida protetiva. Se ela falar que precisa, essa solicitação é feita também de maneira online. O boletim online também está disponível em outros idiomas. Mulheres que não sabem a língua portuguesa podem fazer o registro em inglês e também em espanhol.

Qual o perfil das mulheres que denunciam seus agressores?

A maioria das mulheres que registram boletim de ocorrência está se separando ou tentando se separar de seus agressores. Elas são mulheres jovens, entre 20 e 30 anos. Há filhos nesses relacionamentos, não necessariamente do agressor, e a ocorrência da violência acontece em casa.