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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Exame que grava movimentos oculares diagnostica labirintopatias



Vídeonistagmografia é capaz de localizar a lesão vestibular e apontar as causas dos distúrbios que atingem o labirinto.
A vertigem é considerada um dos principais sintomas dos distúrbios que atingem o labirinto, também denominados labirintopatias ou doenças do labirinto. Estes distúrbios prejudicam a audição e o equilíbrio corporal. “O labirinto fica localizado no ouvido interno e é esculpido no osso temporal, um dos ossos que formam o crânio”, explica a médica Rita de Cássia Cassou Guimarães, especialista em otorrinolaringologia e otoneurologia e responsável pelo Setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da UFPR.
Segundo Rita, a vertigem é caracterizada como um tipo de tontura rotatória. O sintoma atinge 33% das pessoas em algum momento da vida e o problema se agrava na terceira idade – o percentual de pessoas com mais de 65 anos com vertigem ultrapassa os 60%. “A vertigem está ligada a perturbação do equilíbrio do corpo e afeta principalmente as mulheres e os idosos. No início a tontura rotatória não é levada a sério, mas mesmo sendo uma sensação momentânea é um sinal de que há a presença de uma doença crônica”, esclarece a otorrinolaringologista.
As labirintopatias podem ser agudas ou crônicas e em casos avançados comprometem a qualidade de vida do doente. Com medo de sofrer alguma crise ou insegurança por causa do problema, o paciente acaba se isolando e evita sair de casa, praticar atividades físicas e manter o contato com outras pessoas. “O suporte da família é essencial neste momento e tão importante quanto este apoio é o diagnóstico correto e o tratamento adequado da doença”, observa Rita, mestre em clínica cirúrgica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
As quedas frequentes são outra queixa dos pacientes com labirintopatias, especialmente entre os idosos. A vertigem é a grande culpada nestes casos, pois os distúrbios vestibulares dificultam o controle postural, provocando instabilidade e desequilíbrio. “Na terceira idade as quedas são mais preocupantes, pois podem causar ferimentos mais graves, incluindo a fratura de ossos. Com receio de cair, muitos idosos acabam ficando sedentários pela ausência de movimentos, implicando no surgimento de outros males, como o excesso de peso”, destaca.
O ideal é procurar ajuda médica assim que os sintomas surgirem. Além da vertigem, zumbido, náuseas, vômitos, instabilidade e problemas auditivos fazem parte dos sintomas que afetam quem sofre com as doenças do labirinto. “A tontura pode ser o indício de outras doenças, mas em 85% dos casos o diagnóstico é de algum tipo de labirintopatia. Entre as causas estão infecções, tumores, envelhecimento, doenças metabólicas, distúrbios vasculares, alergias e deficiências nutricionais, principalmente a ausência de ferro e zinco no organismo”, enfatiza.
Para identificar o problema, o especialista leva em consideração o histórico clínico do paciente e analisa a duração, intensidade e frequência das vertigens. A avaliação otoneurológica e exames físicos complementam o diagnóstico. “É realizada uma investigação rigorosa para saber de maneira exata o que está provocando os sintomas. Mais do que isso, o médico busca verificar o que levou o paciente a esta condição. O paciente é avaliado ainda por meio de exames de imagem como tomografia computadorizada e  ressonância magnética e exames funcionais como a vídeonistagmografia”, detalha.
A vídeonistagmografia é um sistema de análise computadorizada utilizado para avaliar os distúrbios do equilíbrio corporal. Os movimentos oculares são examinados e registrados em vídeo, permitindo a localização da lesão vestibular e o diagnóstico da causa. “A vídeonistagmografia permite uma análise mais rápida e assertiva, já que os cálculos são feitos automaticamente. No Paraná existe apenas um aparelho com este sistema, considerado de extrema importância em casos de distúrbios do equilíbrio”, acrescenta Rita, coordenadora do Grupo de Informação a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GIPZ Curitiba).
Dra. Rita de Cássia Cassou Guimarães (CRM 9009)
Otorrinolaringologista, otoneurologista, mestre em clínica cirúrgica pela UFPR
Blog: http://canaldoouvido.blogspot.com
Email: ritaguimaraescwb@gmail.com
Telefone:              41-3225-1665        
Endereço: Rua João Manoel, 304 Térreo, Bairro São Francisco, Curitiba PR.



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ZÉ DO PAPEL E LAMPIÃO



(Archimedes Marques)

Em meados de outubro de 1930 quando o bando de Lampião entrou na cidade de Aquidabã, em Sergipe, o ínfimo contingente policial fugiu às pressas deixando as pessoas totalmente desprotegidas e nas garras dos cangaceiros. Aquele era o retrato da força policial sergipana do governador Eronildes de Carvalho, filho de Antônio Caixeiro, sem dúvidas, dos maiores coiteiros que o famigerado Lampião teve na sua vida bandida por cerca de 20 anos no nordeste brasileiro.

Jose Custódio de Oliveira, o Zé do Papel, em virtude de ser uma pessoa aparentemente de classe privilegiada, de classe média para rica, um pecuarista e proprietário da Fazenda Pai Joaquim, fora abordado por Lampião e dentro da sua residência na cidade de Aquidabã, além de certa quantidade de dinheiro, fora encontrado dez balas de fuzil em uma cômoda, sendo daí interpelado para contar onde estava a arma, pois pela lógica, havendo munição haveria a consequente arma, oportunidade em que o trêmulo cidadão afirmou ter emprestado o mosquetão para o juiz de direito daquela comarca, Dr. Juarez Figueiredo.

Tal fato, provavelmente incutiu na mente de Lampião que a arma fora passada ao juiz, justamente para que ele se defendesse do seu bando, daí, enraivecido com o fato, o chefe do cangaço, irracional e impiedosamente arrastou Zé do Papel ruas acima e em frente a um armazém próximo da praça principal da cidade decepou à golpe de faca a sua orelha, depois do bando ter praticado saques no comércio local e tantos outros crimes de torturas contra pessoas amedrontadas, dentre os quais o assassinato de um débil mental de nome Souza de Manoel do Norte, mais conhecido por Abestalhado, que se fez de corajoso na sua insanidade sacando um pequeno canivete com o qual cortava fumo de corda para fazer seu cigarro de palha e com tal arma teria desafiado os cangaceiros. Diante do fato, o sanguinário Zé Baiano partiu em verdadeira fúria contra o pobre do doido ceifando a sua vida a golpes do seu longo e afilhadismo punhal de 70 centímetros, em luta totalmente desigual de um ínfimo canivete em mãos de um doente mental contra um longo punhal em mãos de um feroz e impiedoso cangaceiro. Não satisfeito com o bárbaro assassinato, Zé Baiano abriu a barriga da pobre vítima para retirar gordura e untar as suas armas de fogo. Tal pratica era useira e vezeira quando os cangaceiros eliminavam as suas vítimas e queriam impressionar a população para serem mais respeitados ainda do que já eram.

Consta que Zé do Papel na agonia de sentir o sangue escorrendo pescoço abaixo ainda foi obrigado a beber um litro de cachaça que ao mesmo tempo era usada para estancar o seu ferimento e aliviar a sua dor. Em meio a esse místico de humilhação, crueldade, sangue e cachaça o endiabrado cangaceiro Zé Baiano pegou o roceiro Eduardo Melo e após espancá-lo com o coice do seu fuzil, também cortou a sua orelha seguindo o exemplo do seu chefe. Zé do Papel ainda viveu por muito tempo e viu o cangaço se acabar e seu carrasco morrer, entretanto, o Eduardo Melo não teve a mesma sorte e faleceu cerca de um mês depois da perversidade sofrida.

Assim, Aquidabã viveu o maior dia de terror da sua história. Assim Aquidabã fora vítima das atrocidades dos cangaceiros e para sempre pelos seus sucessores moradores aquele dia será lembrado.  Assim, Aquidabã fora vítima também do próprio Estado que deveria ser o protetor do povo, mas que estava ausente. Ausente pela covardia dos seus policiais que fugiram mato adentro sem esboçarem reação alguma. Ausente pela pouca ou nenhuma vontade política de verdadeiramente se combater o cangaço nas nossas terras.

De tudo isso, por incrível que pareça, a Justiça de Aquidabã, sequer abriu Processo Criminal contra Lampião e seu bando. Teria o juiz Juarez Figueiredo, o mesmo que estava com o fuzil emprestado de Zé do Papel, responsável indireto pela decepação da sua orelha se acovardado para não providenciar qualquer procedimento judicial contra Lampião?...

Por outro lado, em igual modo de impunidade falando, dizem – e a história de certo modo comprova –  que a polícia de Sergipe era uma polícia de “faz de conta”: Fazia de conta que caçava Lampião, e, Lampião por sua vez, fazia de conta que era caçado.

(Delegado de Policia Civil no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

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