Nossos Vídeos

domingo, 5 de abril de 2020

Perfil da liderança em tempos de crise de coronavírus



* Daniela Mindlin Tessler – Sócia da Odgers Berndtson Brasil

Enquanto as empresas lutam para garantir a continuidade dos negócios durante o surto de Covid-19, uma boa liderança, mais do que nunca, é fundamental para manter os negócios avançando e emergindo fortemente diante do desafio atual.

Este é um momento em que o desempenho será julgado pela maneira como uma empresa e sua liderança servem a todos e cumprem um propósito maior - e especificamente como eles atendem aos requisitos e expectativas de seus diversos stakeholders.

Um bom líder deve utilizar os recursos que possui, encontrando maneiras criativas de apoiar as pessoas e comunidades que o cerca. Alguns comportamentos merecem destaque para esse momento de crise. Entre eles:

Trabalho em equipe e cooperação: Especialmente nos níveis que se concentram na busca e valorização da opinião dos outros. Formar uma equipe para lidar com a crise, às vezes incluindo pessoas de fora da empresa. Entender, no entanto, que uma solução a longo prazo requer a contribuição e envolvimento de muitos interessados. Compreender as posições dos outros e as razões para justificá-las, mesmo sob estresse e quando não há consenso.

Calma, coragem e positividade: Líderes devem sentir um senso de urgência e permanecerem serenos. Entregar más notícias quando eles precisam, de uma forma que evite o pânico e forneça um nível realista de esperança para o futuro. Acima de tudo, são corajosos o suficiente para tomar decisões que acreditam ser as mais adequadas, independentemente de serem as mais populares.

Admitem erros: Líderes corajosos que assumem riscos calculados irão, sem dúvida, cometer erros em algum ponto. Crises profundas como a pandemia do coronavirus que estamos passando, exigem tomada de decisão contínua. Líderes fortes estão preparados para admitir seus erros e criar soluções não experimentadas previamente e às vezes até desconhecidas.

Enxergam a realidade: Reconhecem os eventos e seu significado e não se coíbem das consequências do que veem. Integridade intelectual é um componente chave no seu DNA; eles pensam o que é melhor para a organização e para a sociedade, não para seu próprio ganho pessoal.

Múltiplas opções: Quando líderes identificam os problemas, estão dispostos a considerar várias abordagens para solucioná-los. Fazem benchmarking com outros paises e empresas e brainstorming sem julgamento, mesmo que eles tenham uma solução preferida em mente. Claramente, cada situação local é diferente, mas há oportunidades para as empresas aprenderem com outras pessoas em regiões que estão semanas à frente para responder à pandemia.

Priorização e Equilíbrio de curto e longo prazo: Empresas enfrentando um colapso em seus negócios de curto prazo, devem também se concentrar nos preparativos de longo prazo. Em vez apenas de reduzir o número de funcionários, incentivar os funcionários a usar seu tempo para atualizar sistemas internos, melhorar processos, aprimorar habilidades e projetar novos produtos e serviços para estarem melhor preparados para a recuperação.

Inteligência emocional: Nesse cenário crítico da pandemia do coronavírus, as pessoas podem ser tomadas pelo pânico, medo e ter reações exageradas, e até mesmo inapropriadas. Nesse sentido, os líderes devem ser empáticos, acalmar os ânimos e colocar a situação em perspectiva. Devem ter a capacidade de ouvir as pessoas - dentro e fora da empresa, incluindo clientes- com objetividade e compreensão

Adaptação: Nesse cenário VUCA (acrônimo inglês que significa volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade) a única certeza é a da mudança e rápida. Então os líderes precisam ser flexíveis, adaptáveis e se reinventar constantemente. De fato, em um mundo volátil e em rápida mudança, essa abordagem adaptativa das empresas e dos seus líderes deve ser aplicada mais amplamente, além do gerenciamento de crises.

Crucial será as empresas acelerarem seus esforços de transformação digital existentes e capacitar a liderança em competências digitais, incluindo gestão de equipes remotas com eficácia e alto desempenho.

No mundo dos negócios, os KPIs de curto prazo costumam ser a força motriz da tomada de decisões. A produtividade, por exemplo, tem uma tendência de ofuscar muitos outros aspectos importantes dos negócios. Com a desaceleração forçada que a crise do coronavírus trouxe ao mundo dos negócios, os líderes devem reservar um tempo para refletir não apenas sobre os negócios que você faz, mas como eles são realizados. Fazer a si mesmo perguntas como seus processos podem ser fortalecidos ou se é hora de avaliar um novo modelo de negócios. Reavaliar como as coisas estão sendo feitas. Pensar além do curto prazo e tentar coisas novas. Ter visão estratégica.

A crise da pandemia do coronavírus não foi a primeira do gênero. E certamente não será a última que líderes de negócios enfrentarão. Se os líderes não possuem políticas em suas empresas para reagir com eficiência dessa vez, devem começar a antecipar possíveis cenários futuros, relacionados ao COVID-19 e aos que estão por vir.

Os melhores líderes e empresas serão os capazes de transformar a tragédia de curto prazo dessa pandemia do coronavirus que prejudica suas organizações em um senso de propósito e de contribuição social que a melhora a longo prazo.”

Daniela Mindlin Tessler – Sócia da Odgers Berndtson Brasil

É formada em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC / SP), pós-graduada em recursos humanos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV / SP) e MBA em Gestão de Negócios pela Fundação Instituto de Empresa (FIA / SP). Possui certificação em Transformação e Gestão Cultural do Barrett Values ​​Center; além de certificação em Coaching Internacional pelo ICI. Com 25 anos de experiência profissional na busca de executivos e como consultora de desenvolvimento organizacional, combinada com a visão de um executivo sênior de recursos humanos, adquiridos em empresas como Fast Shop, JP Morgan, EDS / HP e Korn Ferry, Daniela mantém um relacionamento com acionistas, conselheiros e diretores executivos no Brasil, América Latina e EUA, desenvolvidos em diversos setores e cenários corporativos, como start-up, crescimento, profissionalização, restruturação e integração em fusões e aquisições.

Sobre a Odgers Berndtson Brasil


A Odgers Berndtson, presente no Brasil desde 1999, está entre as maiores empresas de seleção de executivos de alto nível. Conta com 61 escritórios em 28 países. O escritório de São Paulo coordena as operações da Odgers Berndtson na América do Sul, e oferece soluções de gestão de capital humano que vão além desta tradicional atividade, como: Assessment Executivo, Estruturação organizacional, Coaching, Formação de Conselhos etc.

A consultoria reúne em seu time de sócios profissionais com larga experiência em diferentes segmentos do mercado, onde atuaram por anos como executivos sêniores antes de migrarem para a consultoria com foco no desenvolvimento de capital humano.

Desde o início das operações no Brasil, a Odgers já realizou mais de 2.000 projetos para aproximadamente 700 clientes e mais de 1.700 Assessments Gerenciais, auxiliando no desenvolvimento de pessoas e na estruturação de negócios nos mais diversos segmentos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Aqui você poderá fazer suas denúncias e comentários.
Se você recebeu algum comentário indevido. Utilize-se deste canal para sua defesa.
Não excluiremos os comentários aqui relacionados.
Não serão aceitos comentários com palavras de baixo calão ou denúncias infundadas. Aponte provas caso queira efetuar suas denúncias, caso contrário, seu comentário será removido.