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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Cirurgia Plástica: Mitos, cuidados e a escolha de um bom profissional

A procura por cirurgias plásticas no Brasil cresce a cada ano. Enquanto nos Estados Unidos foram realizadas 1,5 milhões de operações em 2009, 9% a menos do que o ano anterior, no Brasil o crescimento foi de mais de 2%, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope.

Embora visível o aumento no número de operações, que hoje é estimado em mais de 640 mil cirurgias plásticas no País, isto é, mais de 1.700 procedimentos por dia, os cuidados pós-operatórios com a alimentação e os curativos e a escolha de um bom profissional ainda não são tão claros.

Segundo o cirurgião plástico Guilherme Lapin, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, hoje os pacientes têm grandes dificuldades em escolher um bom cirurgião plástico devido à propaganda maciça da mídia. “A exposição excessiva atrapalha a visão correta do que é a cirurgia plástica e o que ela pode fazer pelo paciente. Hoje, as pessoas vêem como um comércio, onde o produto final é um corpo bonito e livre de imperfeições”.

Para ajudar na escolha de um bom profissional, redobrar a atenção com os cuidados pré e pós-operatório e desmistificar tabus que ainda cercam a cirurgia plástica, o especialista dá dicas de como diminuir os riscos de complicações e obter o resultado almejado.

Mitos:

Quem nunca ouviu falar que após uma cirurgia é preciso ficar sem banho ou que a lipoaspiração faz o paciente engordar depois? Vários mitos ainda rondam a cirurgia plástica, mas será que eles realmente acontecem na prática? Abaixo, o especialista Guilherme Lapin levantou os mais famosos. Confira:

1-Após uma cirurgia plástica o paciente deve ficar alguns dias sem tomar banho?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. Qualquer procedimento cirúrgico prima pela higiene, de forma a não resultar em problemas como infecção. Hoje, o banho é recomendado tanto como boa prática de cuidados pós-operatórios como para promover o bem-estar e higiene da paciente.

2-A lipoaspiração faz o paciente engordar depois?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. Apenas a ingestão de calorias em excesso faz o ser humano engordar. Se o paciente mantiver uma dieta equilibrada após a lipoaspiração, certamente irá manter o seu peso e os resultados da cirurgia indefinidamente. Pacientes que praticam atividades físicas regularmente no pré-operatório (gastam e ingerem muitas calorias) e precisam parar tudo para se recuperarem de uma lipoaspiração, é necessário que vigiem ainda mais a dieta, uma vez que o gasto calórico no pós-operatório será menor devido ao período de repouso.

3- Lipoaspiração corrige celulite?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. A celulite tem origem na má irrigação e baixo metabolismo das camadas mais espessas de gordura, que causa retrações em toda sua espessura até a superfície. A lipoaspiração não tem ação direta nesse problema, sendo apenas indicada para remover gordura localizada. Eventualmente é possível observar uma melhora na celulite por conta da remoção dessas camadas de gordura problemáticas, mas isso é um efeito indireto que não justifica uma lipoaspiração. No entanto, uma celulite mais intensa, com depressões profundas, pode ser tratada caso a caso através de enxertos de gordura (retirada pela lipoaspiração) que deixem a pele mais regular.

4- A lipoaspiração é uma cirurgia mais perigosa que as outras?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. A lipoaspiração é uma cirurgia que, como tantas outras, também apresenta riscos. A morbidade e mortalidade da lipoaspiração são baixas e similares a outras cirurgias realizadas no meio médico, portanto não é mais perigosa. No entanto, para ser segura, ela deve ser realizada por um cirurgião plástico capacitado a seguir as normas técnicas necessárias e reconhecido pela sociedade de cirurgia plástica.

5-A colocação de próteses de silicone nas mamas prejudica a amamentação?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. A prótese de mama é sempre colocada em planos mais profundos que a glândula mamária, preservando assim o tecido que produz o leite materno. As incisões para inserção da prótese são realizadas de modo a não haver cortes nem através do tecido glandular, nem nos canais que transportam o leite até o bico da mama (papila). Portanto a amamentação não é afetada tampouco reduzida.

6-As próteses de mamas devem ser trocadas de 10 em 10 anos?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. As próteses de mama devem ser trocadas apenas nos casos em que ocorrer contratura ou ruptura. A tecnologia evoluiu bastante nos últimos tempos. Por conta disso é possível dizer que as próteses colocadas hoje podem durar mais que 10 anos para serem revistas.

7-Há alguma correlação entre prótese de silicone e câncer de mama?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. Apesar de inúmeros estudos publicados sobre prótese de mama, nenhum detectou uma relação com o aparecimento de câncer de mama. E é importante ressaltar que hoje em dia a presença da prótese não altera a detecção precoce do câncer.

8-É melhor fazer cirurgia plástica no frio?
Justificativa Dr. Guilherme Lapin: Mito. Essa idéia vem do fato de que algumas cirurgias plásticas exigem o uso de malhas compressivas em toda região operada. Certamente no verão essa roupa extra irá esquentar e será mais incômoda do que no inverno, mas apenas isso. Não há nenhuma diferença de cicatrização ou de resultado quando se faz a cirurgia no inverno ou no verão. Operações que não exigem malha (como pálpebras, nariz, prótese de mama, etc) não mostram nenhum incômodo adicional no pós-operatório durante o verão.

Alimentação:

Do ponto de vista da cirurgia plástica, todos os nutrientes relacionados à cicatrização são muito importantes. Quando se fala em cicatrização, refere-se a todo um processo complexo onde o corpo produz diversas substâncias que buscam reparar o dano ao organismo, mesmo que seja um dano programado intencionalmente por uma cirurgia.

Para Guilherme Lapin, em geral, uma nutrição bem equilibrada tem tudo o que é necessário para a recuperação do corpo, o que dispensaria o uso de suplementos alimentares. “No pós-operatório o paciente não faz uma dieta restritiva. Pelo contrário, a alimentação deve ser rica o suficiente para repor os nutrientes perdidos durante a cirurgia e auxiliar no processo de cicatrização. Obviamente isso não significa uma dieta hipercalórica ou rica em gordura, que pode fazer com que o paciente engorde, uma vez que terá de passar um tempo longe das atividades físicas”.

Entre os principais nutrientes a serem considerados para a boa cicatrização, encontram-se:

Proteínas: considerados os tijolos do organismo. É preciso uma quantidade adequada no corpo para que o mesmo possa se reconstruir depois de uma operação. É possível dosá-las no sangue no pré-operatório, sobretudo a albumina que, juntamente com o colágeno, é uma das proteínas mais abundantes no corpo. Suplementos protéicos de todos os tipos estão disponíveis no mercado. Os mais comuns são a própria albumina, derivada da clara do ovo e a whey protein, derivada do soro do leite.

Ferro: é um dos principais responsáveis por carregar o oxigênio no sangue. O oxigênio é essencial na produção de colágeno e na cicatrização, porém, ele não consegue chegar às células sem a ajuda do ferro. As melhores fontes naturais desse nutriente são os alimentos de origem animal – fígado, miúdos e carnes. Entre os de origem vegetal, destacam-se os folhosos verde-escuros (exceto espinafre), como agrião, couve, cheiro-verde, taioba; as leguminosas (feijões, fava, grão-de-bico, ervilha, lentilha); grãos integrais ou enriquecidos; nozes e castanhas, melado de cana-de-açúcar, rapadura e açúcar mascavo.

Vitamina A: outro componente importante na cicatrização e reprodução das células basais da pele. Sem ela a pele fica fina, quebradiça, enrugada e fácil de sofrer lesões. Alimentos: fígado, cenoura, leite e derivados, gema de ovos, espinafre, sardinha, óleo de fígado de bacalhau.

Vitamina C: um dos mais importantes componentes na produção de colágeno. Sem ela, a produção de colágeno diminuiu causando o escorbuto. O organismo humano é um dos poucos que não produz vitamina C, por isso precisamos consumi-lo de forma externa, mas sem excessos. Fonte: Laranja, morango, Grapefruit, brócolis, couve, pimentão verde ou vermelho.

Zinco e selênio: ambos participam do processo de cicatrização e produção de colágeno. Fontes alimentares importantes de zinco são as carnes, peixes (incluindo ostras e crustáceos), aves e leite, cereais integrais, feijões e nozes. Já a castanha do Pará, alimentos marinhos, fígado, carne e aves são os alimentos mais ricos em selênio.

Cuidados no pós-operatório:

Durante o período de cicatrização, os cuidados dos pacientes devem ser redobrados. No caso da pele, é preciso abusar dos hidratantes para não haver ressecamento. Os curativos também precisam de atenção e devem ser trocados semanalmente pelo especialista na própria clínica.

Os banhos dos pacientes são normais desde o primeiro dia. “É indicado também drenagem linfática manual e ultrassom, que auxiliam na diminuição dos inchaços. E o mais importante, deve-se seguir à risca as limitações de esforços físicos e exercícios indicados pelo médico para que não haja alargamento das cicatrizes nem dores e inchaços”, alerta Guilherme Lapin.

Dependendo sempre do porte da cirurgia, os primeiros dias podem exigir um repouso maior do paciente. Depois disso, em geral ele pode retornar as suas atividades rotineiras, exceto exercícios físicos e esforços maiores. O momento certo de voltar a dirigir, retomar a academia e outras atividades que requer um esforço físico maior depende de cada cirurgia e do acompanhamento do cirurgião plástico.

Como encontrar um bom cirurgião plástico:

A escolha do médico é crucial para o bom resultado do procedimento. Por conta disso, o cirurgião plástico Guilherme Lapin reuniu algumas dicas de como identificar um bom profissional.

Antes da Consulta:

- Busque um cirurgião que seja membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Existe o Membro associado e o Membro titular, mas ambos têm a qualificação para um bom atendimento do paciente e o conhecimento das normas de segurança recomendadas pela sociedade.
- Levante referências desse cirurgião através de pessoas que já operaram com ele. Propagandas em sites, jornais e revistas não contam!
-Observe quais hospitais ele frequenta. Bons cirurgiões geralmente passaram ou continuam trabalhando em bons hospitais.
-Sites da clínica ajudam a visualizar o ambiente e a sua facilidade de acesso.

Durante a consulta:

-Observe a facilidade do atendimento da equipe que organiza as consultas. Consultórios desorganizados oferecem atendimento precário no pós-operatório.
-Observe a atenção do cirurgião dada a você. Mesmo que o pré-atendimento seja feito por um auxiliar do cirurgião, a consulta tem que ser feita por quem você escolheu para realizar a cirurgia!
-Observe se há facilidade em se contatar o cirurgião diretamente, via celular ou pager, mesmo em horários não comerciais.
-Verifique se o cirurgião é atualizado. A frequência em congressos e jornadas científicas é importante para a atualização constante das técnicas. Ter mestrado ou doutorado também são boas referências para saber se o profissional contribui para o crescimento de sua especialidade.
- O cirurgião domina perfeitamente a cirurgia que você quer fazer? Pergunte sobre a técnica que ele usará e como será feito. Mesmo que isso pareça um pouco assustador, encare friamente a resposta, pois é o seu corpo e sua satisfação pelo resto da vida que estão em jogo!
-O cirurgião é ético? A infração de pequenas regras do Código de Ética Médico pressupõe que não há respeito também por regras maiores. Um exemplo é o profissional mostrar durante a consulta algumas fotos de pacientes já operados. Isso é completamente proibido pelo Código de Ética, mesmo com o rosto preservado e com a autorização dos pacientes. Você quer ser o próximo na vitrine desse cirurgião?

Sobre o especialista:

Dr. Guilherme Lapin: formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e especialização em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica. É Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro associado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Craniomaxilofacial e do Colégio Brasileiro dos Cirurgiões. É especialista em Cirurgia Plástica Estética, cosmiatria e reconstrução mamária pelo Hospital Pérola Byington e em reconstrução de orelha pela UNICAMP.

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