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quarta-feira, 15 de julho de 2009

Projeto IR – Integração e Rupturas

*Alice Cardoso

O projeto IR – Integração e Rupturas, foi idealizado por artistas da Zona Leste da capital paulista, especialmente do bairro de São Miguel Paulista e adjacências. Dele desdobram-se uma série de ações culturais que vão da poesia à música, passando por outras formas de arte. No desejo de realizar um trabalho conjunto e transferir para o palco sonhos, indignações, esperanças, virtudes e amores, três poetas populares, Raberuan, Gilberto Braz e Akira Yamasaki, juntamente com um parceiro de muitas batalhas, o também poeta Cléston Teixeira, agregado ao grupo algum tempo depois, se debruçaram sobre suas canções e poemas para criar o espetáculo Um pé no cotidiano, que abriu as portas para o projeto IR. Com um formato bem diferenciado, que liberta a poesia do papel, o projeto utiliza-se de linguagens vocais e corporais, de recursos teatrais e musicais numa seqüência de quadros que retratam os assuntos da rotina do povo. De acordo com os organizadores, tratam-se de “produções incômodas” e “refle xões indesejadas” que serão expostas ao público dentro e fora dos espaços convencionais. Os artistas além de se apresentarem nos CEUS da cidade, decidiram caminhar pelas ruas levando arte para perto da população.

SERVIÇO: A primeira apresentação, de um total de oito espetáculos, acontece no próximo dia 26/7, no CEU Três Pontes, na rua Capachos, 400 - Jd. Célia, em São Miguel Paulista, Zona Leste. A programação extra-palco, prevista para o horário das 14 às 16h30, engloba exposição de fotos, artes plásticas, poesia, dança maracatu e teatro infantil. Já as apresentações que serão realizadas no palco, das 17 às 20h, prevêem muita música, poesia e teatro. Tudo muito bem temperado com arte e harmonia.
ENTREVISTA:

1) Como nasceu o Projeto IR?
R - Do sonho de muitos e da vontade do Raberuan e do Akira de fazer alguma coisa para mobilizar os artistas e os movimentos culturais de São Miguel Paulista e região. Em 2007, o Raberuan, Sachinha e a Sheila Rios organizaram um projeto que acontecia todas as quintas feiras, no Conde Wlad Rock Bar, em Ermelino Matarazzo. Muita gente, remanescentes do MPA (Movimento Popular de Arte), assim como novos grupos e artistas se apresentaram ali. Acho que aquele ainda insipiente, mas intenso, movimento despertou a nossa vontade de colocar um pouco da nossa lenha na fogueira do caldeirão cultural da Zona Leste. O clima do Conde Wlad Rock Bar era de gestação. Hoje pretendemos retomar os ideais do MPA, comemorar e não deixar escapar nenhuma oportunidade. O “IR”, do verbo, passou a ser inevitável. Só faltava encontrar um jeito de fazer a seiva circular novament e, porque tinha sido quebrada a dormência da semente; o solo estava fértil de poesia. Foi nessa hora que apareceu o Edson Gordo com um pote de seiva por trás do sorriso maroto e do olhar de caçador. O compromisso estava firmado.

2) Qual a interferência político-cultural almejada pelo Projeto na região? Há previsão de apresentações em outros cantos da cidade?
R - Está certo que tudo é política e a cultura é o sal da vida. Portanto, da política também. Como a gente vive querendo dar gosto às coisas, o que visamos é ampliar os espaços reais para os cozinheiros da região, ou melhor, para os artistas. São eles, os novos e velhos dinossauros, que vão temperar a política cultural que a cidade vai ter, quando tiver uma. Queremos muito mais apresentações, tanto na região quanto em outras (nossa intenção é completar o ciclo com oito eventos até o meados do ano que vem), porque temos certeza que todo mundo vai querer provar os quitutes que estão saindo do forno.

3) De onde veio a verba para a implementação do Projeto? Quais são os parceiros?
R - O dinheiro vem do Governo do Estado de São Paulo – Secretaria Estadual de Cultura. Um parceiro fundamental é o Instituto Keralux, entidade do Jardim Keralux, que encampou o projeto e é o proponente junto à Secretaria. Temos recebido um grande apoio também da Casa de Cultura Antônio Marcos, que nos tem cedido espaços para os ensaios e reuniões.

4) Quais as expectativas dos artistas que participam do Projeto? Quais as expectativas dos idealizadores/organizadores?
R - Cada participante do projeto tem a sua trajetória, com maior ou menor grau de inserção. O que temos percebido é que há um sentimento comum de que o projeto chega num momento importante na carreira de cada um, do mais experiente, como Osnofa, aos meninos do “Quebra-Facão”. Para uns, é mais uma porta que se abre; para outros, é retomada. Para os artistas que organizaram o projeto, significa romper o marasmo cultural local e renovar a integração. Acelerar as rupturas como um jeito novo de entender as diferenças. Misturar o novo e o antigo pra chegar ao que é inédito. Acordar o dinossauro pra que a história não se perca. Despertar o novo pra que a história continue. Cada evento é composto pelo pessoal da velha guarda e por artistas novos, que seguirão caminhos semelhantes ou não. Esperamos aprender juntos a juntar tudo. Experimentar nov os versos, entoar novas canções, dançar novos pulsos, olhar novas direções. Também nutrimos a expectativa de que os artistas envolvidos possam apreender um certo “como fazer” que viabilize a continuidade de seus projetos individuais, no sentido de que há uma tecnologia a ser aprendida, de que há espaços a serem conquistados, e que a democratização do acesso aos meios de produção cultural não vai cair de páraquedas no colo de ninguém, por melhor que seja o trabalho.

5) Quais foram os principais entraves e obstáculos superados ao longo da viabilização da idéia?
R - Antes de tudo, encontrar apoios. Depois, a terrível burocracia com a qual poucos cozinheiros, ou melhor, artistas, estão acostumados. Precisamos atrair para nossas “cozinhas” pessoas que encontrem os ingredientes adequados para administrar nossas receitas, isto é, os nossos projetos. A administração de atividades culturais pode ser uma atividade agradável e rentável. Alguém está interessado? (risos). Além disso, pode também render aplausos e reconhecimento.

6) Existem outros projetos em mente?
R - Um grande e ativo Centro Cultural para a nossa região; nos moldes do Centro Cultural São Paulo, localizado próximo à estação Vergueiro do metrô, com distintos espaços para apresentações, biblioteca e oficinas. Tudo do bom e do melhor! Pra chegar lá, precisamos de muito debate e muitos outros eventos, além dos nossos projetos e dos projetos de outros grupos que estão se agitando também. Um passo intermediário e importante pode ser a criação de um ambiente para centralizar o resultado desses projetos itinerantes, que não devem terminar, nem com a criação do Centro Cultural.

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