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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Apenas 11% dos passageiros do banco de trás usam cinto de segurança

Especialista defende campanhas mais realistas e fiscalização efetiva para mudança no comportamento dos passageiros

Mesmo com obrigatoriedade prevista no Código de Trânsito Brasileiro, o uso do cinto de segurança no banco de trás é pouco popular no país. Principalmente por falta de conhecimento das consequências que a não utilização do dispositivo pode trazer, os 88% de ocupantes que utilizam o cinto de segurança dos bancos dianteiros encolhem para 11% no banco traseiro.

Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o uso do cinto de segurança pelo condutor e passageiro do banco dianteiro reduz o risco de morte em torno de 40% a 50%; já no banco de trás, esse risco é reduzido em até 75%.

Para o mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília, Eduardo Biavati, a insistência em dispensar o cinto na parte traseira dos automóveis reside na incompreensão de suas consequências: "Essa história de que cada um cuida da própria segurança, especialmente no trânsito, não funciona. No momento de uma colisão, o impacto gerado por um corpo em movimento, na maioria das vezes, quebra o banco da frente; o que praticamente invalida o uso do cinto pelo motorista", afirma Biavati, que também é consultor em segurança no trânsito.

A falta de conhecimento é, nesse instante, o maior argumento para a cultura de que a ferramenta não é tão necessária: "Muita gente acredita que o impacto de uma colisão vai ser amortecido pelo banco e estofado. No entanto, o maior índice de fraturas faciais registrado em acidentes é de passageiros do banco traseiro. Ainda sobre o assunto, é importante dizer que essas vítimas, em sua maioria, passam o primeiro ano sobrevivendo e depois carregam sequelas por toda a vida. São perdas econômicas, mas muito mais pessoais", alerta.

Jovens ainda desconhecem o risco - O que não é novidade é que o jovem - perfil que mais mata e mais morre no trânsito - continua não sendo atingido pelos trabalhos de educação pública para este setor. Em pesquisa de 2009, o IBGE apurou que 30% de jovens de 14 anos nunca usaram cinto de segurança em nenhuma circunstância. Outro levantamento, do Denatran, verificou que nenhuma atividade de educação para o trânsito é realizada na maioria das escolas (51,8%) nas quais estudam os jovens pesquisados.

No que se refere às campanhas públicas de segurança no trânsito, seis em cada dez jovens não se lembraram de nenhuma campanha recente. Quando questionados sobre mudança de comportamento a partir de campanha, 53,3% dos jovens afirmaram que não mudaram nenhuma atitude por causa de campanha de educação para o trânsito. Quando os dados são analisados por gênero percebe-se que as meninas são mais sensíveis às campanhas: 52,2% delas admitiram já ter adotado uma nova atitude, diferente dos meninos que 60,4% responderam negativamente.

Segundo o Denatran, apenas dois em cada dez jovens (21,6% de 868) afirmaram utilizar sempre o cinto de segurança na condição de passageiros no banco traseiro, mas o número de ocupantes que não usa o cinto de segurança pode ser ainda maior. Quando questionados sobre o comportamento dos amigos, os jovens pesquisados afirmaram que apenas 6,4% dos amigos sempre usa o cinto de segurança.

A pesquisa também revelou que algumas atitudes estão relacionadas diretamente aos aspectos morais e culturais da sociedade brasileira. Entre os pesquisados, ir para a balada de carona no veículo dos amigos é roteiro para os meninos (37,5%), já no caso das meninas os pais (39,2%) são os principais condutores. Sobre essa influência que o exemplo familiar desempenha, Biavati é categórico: "Não se associa a condição de passageiro no banco de trás como de risco. A construção desse comportamento só piora e se dissemina ainda mais quando os anos evoluem, até chegar à condição da obrigatoriedade ser ignorada", diz.

SÓ AS CAMPANHAS NÃO BASTAM: Diante desse cenário, como trabalhar em favor da criação de uma cultura de segurança efetiva na prevenção do agravamento de acidentes? Segundo Biavati, só com muita conscientização e um plano sólido de fiscalização: "Assistimos há pouco a campanha do Denatran falar do tema na Semana Nacional de Trânsito. Embora muito bem executadas, as peças não falam diretamente com o público alvo, que são os jovens e deixam lacunas, porque não têm nenhum plano de fiscalização atrelado", e completa "Seria interessante adotarmos os modelos australianos e ingleses de campanha. Naqueles países, não são utilizados desenhos, ilustrações. Nada de romance, eles mostram a violência do impacto que um corpo sofre na colisão. Pode ser agressivo, mas é a realidade, e é isso que precisa ser comunicado. É esse o argumento para a mudança de atitude", conclui.

Confira também a matéria ´´Ninguém muda o comportamento por causa da lei, então não basta repeti-la nas campanhas´´ http://www.perkons.com/?page=noticias⊂=ultimas-noticias&subid=9307

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