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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Viva a Mata 2010 apresenta importantes resultados na luta pela conservação da Mata Atlântica

Com 85 mil visitantes, o evento destacou a importância do diálogo, sensibilização e da atuação local para a garantia da qualidade de vida para todos.

No último final de semana (21 a 23 de maio), a Fundação SOS Mata Atlântica realizou a sexta edição do Viva a Mata - mostra de iniciativas e projetos em prol da Mata Atlântica, na Arena de Eventos, ao lado da Marquise do Parque Ibirapuera, em São Paulo. O evento comemorou o Ano Internacional da Biodiversidade, o Dia da Mata Atlântica (27 de maio), além de outras questões fundamentais ao Bioma, como a importância da sua preservação para a sociedade urbana. A iniciativa teve o patrocínio do Banco Bradesco e apoio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), da Tam Linhas Aéreas, da Rede Globo e da Eldorado como rádio oficial. “Mais uma vez o Viva a Mata alcançou seu objetivo de reunir as organizações que lutam pela preservação e conservação da Mata Atlântica, fomentando a troca de experiências entre elas”, avalia Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação. “Conseguimos convidar e sensibilizar a sociedade para a importância desse tema, de maneira interativa, já que as ações de cada um são fundamentais para o Bioma. Nos três dias tivemos um grande número de pessoas participando das atividades oferecidas no evento, o que demonstra uma maior proximidade com a causa”.

O debate do Código Florestal e campanha ‘Exterminadores do Futuro’ foram destaques da programação. Participaram diversas organizações ambientais: André Lima, do IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia; o deputado José Sarney Filho, presidente da Frente Parlamentar Ambientalista; Renato Cunha, da Rede de ONGs da Mata Atlântica; e Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica. Durante o encontro foi definida a forma de atuação da campanha, que visa o envolvimento de cada cidadão e/ou organização no acompanhamento mais próximo dos políticos em todas as regiões e não apenas em Brasília.

"Esse ano o Viva a Mata reforçou a importância da mobilização local para o alcance dos objetivos de toda a nação. Cada um em seu bairro, cidade ou até em associações precisa dar o primeiro passo. Cada cidade é uma peça do quebra-cabeça, que precisa ser montado. Esse é o nosso desafio", diz Mario Mantovani.

Em outro momento especial da programação, Rogério Arns, da United Way Brasil, falou sobre a importância do diálogo com comunidades, reforçando a necessidade de identificar inicialmente seus valores e atitudes, sem imposições. “Em comunidade você nunca chega com respostas, e sim com perguntas”, diz. Ele enfatizou que é preciso entendê-la e que normalmente sua força está atribuída aos líderes locais, que podem servir de ponte para se chegar na comunidade como um todo.

Também foram apresentados os Planos Municipais de Mata Atlântica, que são extremamente necessários para a consolidação da Lei da Mata Atlântica. Os Planos contemplam pontos como áreas para criação de Unidades de Conservação (UCs) públicas, proteção de áreas frágeis e de risco de enchente e deslizamento, proteção e recuperação de áreas de mananciais, implantação de atividades de ecoturismo, indicação de áreas com potencial de uso sustentável dos recursos naturais, entre outros. Além de mostrar para os municípios como eles podem ganhar preservando o meio ambiente, a iniciativa é também uma oportunidade de envolver o setor privado, dialogar com o cidadão e grupos organizados e fazer política. Uma forma destacada pela Frente Parlamentar Ambientalista de se fazer política é promover o diálogo entre a sociedade e deputados e vereadores.

O ator Marcos Palmeira também participou do Viva a Mata para falar sobre a sua relação com as questões ambientais e o trabalho em sua fazenda com alimentos orgânicos. Interessado por esse tema desde sua infância, há 15 anos ele se tornou proprietário de um sítio no Rio de Janeiro, onde produz alimentos orgânicos. O que o despertou para o trabalho com orgânicos foi a resposta dos trabalhadores de seu sítio ao serem indagados porque não se alimentavam da produção: ‘a gente está colocando veneno o dia todo nisso, e como podemos comer?’. Desde então, ele não utiliza agrotóxicos na produção de alimentos. Alguns resultados já obtidos são as mais de 10 mil mudas plantadas, retorno de alguns animais como lobo guará e nove mil famílias auxiliadas pelo programa PAIS – projeto que disponibiliza um kit para que a família plante seu próprio alimento. “O problema da fome só vai melhorar quando o Brasil investir em agricultura familiar”, afirma Marcos Palmeira.

O programa Clickavore, da Fundação SOS Mata Atlântica, lançado em agosto de 2000, apresentou os resultados alcançados ao longo desses anos com uma nova publicação, com o plantio de 22 milhões de mudas, restaurando mais de 10 mil hectares do Bioma, o equivalente a mais de 13 mil campos de futebol, com parceria do Instituto Ambiental Vidágua e do Grupo Abril. Na ocasião também foi apresentado o novo formato do programa, que também terá a participação de internautas, disponibilizando um “VOTO” por dia. A organização apresenta no portal as regiões onde as mudas podem ser plantadas, e o participante faz a votação. Eles também podem fazer campanhas online para envolver seus amigos e, ao votar diariamente, ganham pontos para participar de um jogo virtual em que cada um terá uma fazenda para cuidar e restaurar. O primeiro edital para que os proprietários se inscrevam e enviem suas propostas para recebimento das mudas está aberto com mais informações pelo site. Essa segunda fase continua com a parceria do Grupo Abril.
Também no Viva a Mata 2010 foi lançada a publicação “RPPN e Biodiversidade: O papel das reservas particulares na proteção da biodiversidade da Mata Atlântica”, produzida no âmbito do Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Mata Atlântica, realizado pela Conservação Internacional, SOS Mata Atlântica e The Nature Conservancy (TNC), com patrocínio de Bradesco Cartões e Bradesco Capitalização. O livro é resultado de um estudo que mostra à sociedade qual é a biodiversidade protegida e o papel e contribuição das RPPNs na sua conservação. O estudo analisou 127 RPPNs em oito municípios, que equivalem a 20% das RPPNs do Bioma. Essa foi uma das primeiras dificuldades dos pesquisadores: encontrar os dados sobre as RPPNs, pois sobre muitas delas (80%) não há informação. Nestas 127, foram encontrados 450 registros de pesquisa. Entre os resultados obtidos estão as cerca de 3000 espécies de plantas e animais encontradas nas reservas, assim como um número significativo de espécies endêmicas e de fauna e flora ameaçadas de extinção, algumas delas tendo as RPPNs como os últimos refúgios de vida. As reservas estudadas têm cerca de 60% das espécies de aves e mamíferos que ocorrem no Bioma, e mais de 40% de espécies de anfíbios e répteis que ocorrem na Mata Atlântica também estão representados nas reservas. No caso de espécies endêmicas foram registradas no estudo mais de 360 delas. Esses e os outros resultados apresentados comprovam a efetiva proteção da biodiversidade realizada pelas RPPNs.
Outro estudo apresentado durante o Viva a Mata foi o estudo de impacto para as políticas de conservação marinha no Brasil, que levantou dados de espécies de peixes ameaçadas no país identificando áreas chave para a conservação do mar brasileiro. O estudo levantou 59 espécies de peixes ameaçados e mapeou áreas-chave em oito ecorregiões. “O desaparecimento de uma espécie traz impactos negativos para o equilíbrio ecológico, com efeitos em cadeia que chegam a afetar a economia de uma região, prejudicando atividades como pesca e turismo. A abordagem de KBAs (key biodiversity áreas) marinhas, além de contribuir para a proteção de espécies ameaçadas, pode subsidiar também a proteção de hábitats críticos e suas comunidades biológicas associadas”, explicou Ronaldo Francini-Filho, professor da Universidade Federal da Paraíba.
O guia do programa de Voluntariado da SOS Mata Atlântica “Plantando Cidadania”, patrocinado pela Fundação Toyota do Brasil, também foi lançado e apresentou os resultados do projeto iniciado em 2001, que já envolveu centenas de professores e milhares de alunos em ações de formação e cidadania socioambiental. “O Viva a Mata abrange um público diversificado, discute questões ambientais, no caso do Espaço Amigos da Mata, fala sobre consumo, práticas do dia-a-dia e provoca a reflexão nos visitantes. A gente fala das causas ambientais, mas não põe na nossa agenda diária. O Viva a Mata estando no Parque Ibirapuera, um espaço de lazer, que faz parte de São Paulo e da Mata Atlântica, pode contribuir com essa sensibilização”, diz Sâmia Nascimento, voluntária da Fundação há seis anos.
O último dia do Viva a Mata foi marcado pela manifestação “O Futuro é Nosso e o Voto Também”, que contou com um cortejo fúnebre, com três caixões que simbolizaram o que está em risco com as alterações na Legislação Ambiental brasileira. Um deles simbolizou o clima e a água, pois a flexibilização das leis ambientais e do Código Florestal podem dar espaço a mais desmatamentos e as florestas em pé contribuem para a manutenção do clima e da água. O outro simbolizou a biodiversidade e as futuras gerações, pois com florestas menos protegidas e sem matas ciliares, diversas espécies podem entrar em processo de extinção, inclusive o ser humano. E o último representou a Legislação Ambiental Brasileira, conquista dos brasileiros ameaçada por setores e interesses econômicos específicos.
A manifestação contou com cerca de 250 pessoas, sendo voluntários, ciclistas, artistas populares, estudantes, cidadãos e diversas ONGs do Brasil todo. Saindo da Arena de Eventos, a manifestação percorreu o parque e chegou ao Monumento às Bandeiras, onde a bandeira da SOS Mata Atlântica foi aberta. Atividades lúdicas e artísticas como mamulengos – bonecos de Olinda - simularam os Exterminadores; a manifestação contou também com grupo de percussão e a performance de grupo circense.

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