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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Disgrafia mostra o que está por trás da escrita

Por Raquel Caruso*

A Disgrafia (dis=dificuldade e grafia=grafar/escrever) é um transtorno da escrita resultante de um distúrbio de integração visual-motora, que afeta a capacidade de escrever ou copiar letras, palavras e números. Trata-se de um transtorno funcional e apresenta-se em crianças com capacidade intelectual normal, sem transtornos neurológicos, sensoriais, motores e/ou afetivos que justifiquem tal dificuldade.

Apesar de alguns autores terem visões diferentes quanto ao termo disgrafia e disortografia, abordaremos a disgrafia como sendo um prejuízo que o indivíduo possui na execução do ato motor destinado à escrita e não das trocas, omissões, inversões e contaminações de letras/palavras, que seriam características da disortografia.

De modo geral, a escrita é uma linguagem visual expressiva, que faz uso de uma série de operações cognitivas, tais como percepção auditiva, visual, discriminação tátil, cinestésica. Ou seja, é um sistema visual simbólico, que converte pensamento, sentimento e idéias em símbolos gráficos, que envolve análise de todos estes subsistemas.

Para o desenvolvimento da escrita adequada, existem alguns pré-requisitos, como aspectos cognitivos, afetivo, motor e linguagem que são necessários observar:

. Esquema corporal (planta do indivíduo) é a organização das sensações relativas ao seu próprio corpo em relação ao mundo exterior;
. Lateralidade (dominância=força e precisão) conceito de direita e esquerda será mais fácil de ser interiorizado a medida que sua dominância for mais homogênea;
. Estruturação espacial: o indivíduo deve ser capaz de situar-se e situar objetos uns em relação aos outros;
. Orientação temporal: envolve a capacidade de situar-se em função da sucessão dos acontecimentos (antes, após, durante), duração dos intervalos, noções de tempo longo e curto (hora, minuto), ritmo regular, irregular (aceleração, freada);
. Pré-escrita: domínio do gesto e da direção gráfica (da esquerda para direita).

Quando realizamos uma avaliação psicomotora, observamos algumas características que podem auxiliar no diagnóstico, e que diferenciam os subtipos de disgrafia: Pura (inconsciente): quadro disgráfico em crianças com conflitos emocionais importantes, que usam a escrita para chamar a atenção pela "letra defeituosa".

Conflito emocional importante: escrita instável, com proporções inadequadas e deficiente espaçamento e inclinações mista: apresenta conflitos emocionais associados a déficits perceptivo-motor (tipo de disgrafia mais freqüente); dificuldade na forma, tamanho da letra; inclinação defeituosa (inicia uma frase no canto superior esquerdo e acaba no canto inferior direito); deficiente espaçamento entre letras, margens; ligamento defeituoso entre letras da palavra; não direciona o giro da escrita; pressão do lápis ou caneta na escrita ou falta desta; rasuras; transtorno de ritmo; alteração de postura; letra ininteligível; lentidão; alteração dos fatores psicomotores; impulsividade; transtorno da atenção; transtorno do esquema corporal.

Há ainda a Disgrafia caligráfica ou motora, que ocorre alteração na forma das letras e na qualidade da escrita em seus aspectos percepto-motores. Em crianças menores, podemos observar dificuldades motoras de ritmo. Porém, somente após a alfabetização pode ser feito o diagnóstico. Para tanto é fundamental uma avaliação com profissional especializado na área.

Os exercícios de pré-escrita e grafismo são necessários para aprendizagem das letras e números. Sua finalidade é fazer com que a criança atinja o domínio do gesto e do instrumento, a percepção e a compreensão da imagem a reproduzir. É importante que o indivíduo seja estimulado a realizar exercícios para o ombro, como movimentos de abrir e fechar com o brinquedo vai-e-vem e bolas; cotovelo (peteca), punho, mão e dedos.

Estes exercícios poderão ser feitos utilizando técnicas de percepção corporal, como por exemplo relaxamento, massagens, prancha de equilíbrio e com a utilização de alguns materiais (argila, massinha, tinta , jogos).

A seguir exercícios de grafismo para professores trabalharem em sala de aula:
. Gestos no plano vertical (utilizando lousa, papel, pincéis, giz de cera e canetas hidrocor) para aprender a segurar corretamente o lápis;
. Grandes desenhos que vão diminuindo à medida que a criança desenvolve habilidade de ombro, cotovelo e passa a adquirir destreza de punho e dedos;
. O trabalho deve ser realizado sempre da esquerda para a direita.

*Raquel Caruso é coordenadora da Clíinca EDAC ( Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínic) Fonoaudióloga/Psicopedagoga/Psicomotricista

CGC Educação
(11) 3722-1164
ou 3722-3624
http://www.cgceducacao.com.br/

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