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sábado, 3 de outubro de 2009

Esther Góes volta ao palco com peça sobre a vida e a obra de Heléne Weigel > 24/10

No dia 24 de outubro, sábado, a atriz Esther Góes reestreia o monólogo Determinadas Pessoas - Weigel, na Sala B do Teatro Alfa, em São Paulo, às 21 horas. Escrita pela própria Esther e por Ariel Borghi, também diretor da montagem, a peça trata da vida e obra de Heléne Weigel - atriz, militante política na Alemanha dos anos 20 do século passado, mulher do dramaturgo Bertold Brecht e uma das fundadoras do Berliner Ensemble.

O espetáculo conta com participação especial em vídeo dos atores Renato Borghi e Henrique Schafer (ambos como Bertold Brecht) e Eucir de Souza (como Emigrado), além do próprio diretor Ariel Borghi, este ao vivo. Esta é a primeira vez que Ariel a mãe Ether atuam juntos. Ambos concordam em dizer que é muito bom trabalharem em parceria, pois pensam a arte da mesma forma.

Para Esther Góes, a Determinadas Pessoas - Weigel tem uma importância significativa, enquanto resgate de uma figura universal do teatro, que propõe, por sua simples postura profissional e de vida, uma reflexão sobre nosso papel no mundo. “Ela promove, com humor e naturalidade, a quebra do autodeslumbramento, da vaidade e do narcisismo”, comenta.

A nova temporada, apesar de evoluções técnicas, traz a mesma montagem, mas com muitas transformações internas, estimuladas pelas apresentações anteriores. “Toda a vivência interpretando Weigel me fez perceber a realidade atual da arte e compreender seu processo. Esta sensação me fez retomar o trabalho e reviver essa mulher, esse ser humano de primeira grandeza, que ousou experimentar tudo que achava importante na vida”. Comenta a atriz.

Esther ainda afirma que algumas citações e sentimentos de Heléne Weigel, nas primeiras décadas do século passado, são reflexões que se encaixam nos tempos atuais. “Vivemos numa época diferente, mas detectamos também características nefastas no universo da arte e da cultura de hoje. Na Alemanha, naquele momento, a arte se propunha ser uma verdadeira trincheira cultural, interrompida pelo nazismo; debatiam-se idéias e conceitos artísticos, sociais e políticos. Hoje, já sabemos que tanto a esquerda quanto a direita falharam, em termos de política cultural, e o debate foi substituído pelo vazio. Brecht e Heléne sonharam com o comunismo/humanismo, acreditando que o homem poderia ser esclarecido pela cultura. Mas a ideologia e a utopia foram substituídas pela simples vaidade ou pelo amor ao dinheiro”. Para Ariel e Esther, o artista, atualmente, tem poucas oportunidades de exercitar o seu papel de observador e crítico da sociedade e da própria conduta artística.



O enredo

Determinadas Pessoas - Weigel narra a trajetória de Heléne, a partir de sua juventude, durante a República de Weimar (1919-1933), época em que atua ao lado de segmentos da esquerda, como o Teatro Proletário de Erwin Piscator e o Partido Comunista Alemão. Nesse ambiente de criação política e estética ela encontra seu parceiro de toda a vida: Bertold Brecht. Com a chegada de Adolf Hitler ao poder, em 1933, o casal se exila em vários países da Europa e nos EUA, onde Brecht acaba realizando trabalhos para Hollywood. Em 1948, eles retornam à Europa e se estabelecem definitivamente na República Democrática Alemã, onde fundam, em 1949, a companhia Berliner Ensemble.

A encenação de Determinadas Pessoas é apresentada sob forma de recortes na vida de Heléne Weigel. Uma cena retrata seu encontro, aos 24 anos, com Brecht, na Itália, para decidirem se ela terá o filho que espera dele. Nessa época, já era uma mulher independente, liberada e comunista. Outra se passa no camarim, após a encenação da peça A Mãe, quando Weigel já está engajada no teatro épico e assume postura contra o nazismo. O exílio, passando pela Dinamarca, aparece junto com a crise conjugal do casal, antes de chegarem aos Estados Unidos, quando estão sem dinheiro, vivendo com muita dificuldade à base de uma pensão. Esther também retrata a faceta debochada da atriz, interpretando Hitler na peça Schweik na Segunda Guerra Mundial, e revive seu retorno à Alemanha, quando foi convidada para fazer Mãe Coragem e Seus Filhos; na sequência aborda a fundação do Berliner Ensemble. A parte final do espetáculo traz Weigel aos 70 anos. Brecht já está morto, e fica claro o esforço que ela fez para levar, incólume, à Alemanha Ocidental a obra do dramaturgo.

A montagem

Para escrever o texto, diretor e atriz realizaram uma extensa pesquisa, que acabou levando Esther Góes à Alemanha, onde se encontrou com Sabine Kebir, biógrafa de Heléne Weigel (que esteve no Brasil, na temporada carioca, para ver a montagem). "No Brasil, não encontramos material suficiente. Então fui à Berlim, em 2006. Lá pesquisei no Arquivo Brecht que Heléne criou em sua casa, conheci o Berliner Ensemble e assisti a representações de A Mãe e Mãe Coragem. Estive ainda em Buckow, casa de campo dos Brecht, em cujo porão encontrei, emocionada, a carroça de Mãe Coragem”.

Na história de Weigel, contada como ficção, a própria “história” funciona como um segundo protagonista em cena. "Desde o início, ficou claro que Heléne teria que contracenar com seu século e que a tela de cinema poderia representar este difícil conteúdo”. Explica o diretor. "A utilização de duas telas, exibindo vídeos encenados, propõe o contraponto entre cinema e teatro, o duelo entre tecnologia e artesanato cênico, progresso e humanismo; questões que tanto marcaram o universo sócio-político e as artes no Século XX e também a história de Weigel e Brecht”. O resultado deste artifício é o casamento da tela com o palco, sem perder a simplicidade. Esther e Ariel buscaram transpassar a idolatria e fazer um teatro mais visceral, como o de Heléne Weigel.

Ariel e Esther buscaram, então, superar a mera idolatria por um ícone do teatro e se propuseram a encontrar a verdadeira Heléne, atrás do vulto histórico. O diretor comenta: “Nosso objetivo foi construir a pauta de traços psicológicos, características pessoais, o desenho gestual e vocal, a forma de olhar, refletir, andar e pensar, nos diferentes momentos da vida de uma mulher. Essa Heléne quotidiana, em grande parte do tempo exausta, mas sempre vital e resistente na luta, preservadora da ternura e da compaixão e, tantas vezes, solitária. Seu silêncio é comovente e, quase sempre, mal compreendido. A relação com Brecht, incompleta. Depois do primeiro intenso período de paixão, ela deve dividi-lo com as inúmeras amantes. Mas a cumplicidade permanece”. Sobre como foi construída esta possibilidade, que jamais fez concessões à mentira, Ariel explica: “trabalhei com minha mãe um feminino particular, expressado por Heléne, que jamais se confunde com o de uma mulher que não tenha pensado sobre o fato de sê-lo”. E completa dizendo que “de fato, em Heléne, tudo isto passou pela auto-observação e escolha de papéis e do seu significado, desde os anos 20 do século passado, quando ela já se escolheu mãe solteira”.

"Weigel é uma verdadeira representante da sua geração, que pretendeu mudar o mundo, inclusive o mundo das mulheres", diz Esther Góes. Atriz magistral, Heléne Weigel revolucionou junto com Brecht a arte do teatro e com ele fundou o Berliner Ensemble, companhia que buscava o exercício de um teatro crítico, épico. Para Ariel e Esther, falar dela é uma forma de refletir sobre a utopia socialista vivida no passado. Determinadas Pessoas – Weigel propõe que o espectador reflita sobre os fatos deste passado próximo e se aposse deles por meio da personalidade de Heléne Weigel.

Ficha Técnica
Espetáculo: Determinadas Pessoas - Weigel
Texto e concepção geral: Esther Góes e Ariel Borghi
Direção: Ariel Borghi
Interpretação: Esther Góes
Participação especial: Ariel Borghi
Participação especial em cenas gravadas: Renato Borghi, Henrique Schafer e Eucir de Souza
Figurinos: Beth Filipecki
Música original: Lincoln Antonio
Desenho de luz: Lúcia Chedieck
Cenografia: Ulisses Cohn
Fotografia: Gal Oppido
Serviço
Reestreia: 24 de outubro – sábado – 21 horas
Local: Teatro Alfa – Sala B
R. Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro/SP – Tel: (11) 5693-4000
Temporada: Sábados (21 horas) e domingos (20 horas) – Até 29/11/09
Ingressos: R$ 40,00 (¹/2 entrada: R$ 20,00) – Capacidade: 200 lugares
Duração: 80 min – Classificação etária: 16 anos – Gênero: Drama
Bilheteria: 2ª à sáb (11h às 19h) e dom (11h às 18h) ou até o início do espetáculo, aceita cartões de crédito (Amex, Visa, MasterC, DinersC), de débito (VisaE e RedeS) e dinheiro.
Ingressos/telefone: 5693-4000 e 0300-789-3377 (serviço exclusivo do Alfa), aceita cartões (Amex, Visa, MasterC e DinersC), de 2ª à sáb (11h às 19h) e dom (11h às 17h) ou até 1h antes das sessões.
Ar condicionado e acesso universal - Estacionamento: R$ 20,00 (valet) e R$ 12,00 (self).
Site - http://www.teatroalfa.com.br/
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