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sábado, 24 de outubro de 2009

RETIRADA DA VEIA SAFENA é ASSOCIADA A MAIOR TAXA DE MORTALIDADE

ESTUDO SOBRE TÉCNICAS DE REMOÇÃO DA VEIA SAFENA É DIVULGADO EM PERIÓDICO CIENTÍFICO INTERNACIONAL

Técnica tradicional endoscópica para retirada de veia safena é associada a maior taxa de mortalidade

São Paulo, 23 de outubro de 2009 - Um estudo realizado nos EUA por médico da UNIFESP que comparou, em três anos, os desfechos clínicos de duas diferentes técnicas de remoção da veia safena para cirurgia de revascularização do miocárdio foi publicado no The New England Journal of Medicine, periódico com um dos maiores índice de impacto na comunidade científica em todo o mundo. O médico Renato Delascio Lopes, Doutor em Ciências pela Unifesp (PhD), Master in Health Science pela Duke University e o professor adjunto do Departamento de Cardiologia da Duke University (USA) desenvolveu, juntamente com uma equipe de pesquisadores da Duke University, o artigo científico original que compara os desfechos clínicos e angiográficos entre pacientes submetidos ao procedimento feito por via endoscópica (moderna) e por via aberta (tradicional) para a retirada da veia safena em cirurgia de revascularizacao do miocárdio.

Pelo método tradicional (aberto), a veia é retirada manualmente através de uma incisão longa na perna. Essa técnica vem sendo substituída gradativamente por outras que permitem menores incisões, menores riscos de infecção, menos tempo de hospitalização e maior satisfação do paciente.

A pesquisa acompanhou três mil pacientes que passaram pela cirurgia de revascularização do miocárdio, sendo que 1.753 deles foram submetidos ao procedimento de remoção da veia por via endoscópica e os outros 1.247 receberam a técnica aberta. Lopes demontrou que no período de 12 a 18 meses após a cirurgia, os pacientes que se submeteram ao procedimento endoscópico apresentaram 43% de obstrução total da veia safena implantada, enquanto que os pacientes que foram submetidos ao procedimento tradicional, apresentaram menores taxas de obstrução (34%).

O estudo também apontou que dos 1.753 pacientes submetidos ao procedimento de remoção da veia por via endoscópica, 20% apresentaram morte, infarto do miocárdio ou necessidade de revascularização do miocárdio em três anos, enquanto que 17% dos pacientes submetidos à técnica aberta apresentaram esse desfecho clinico combinado.

Os resultados demonstraram que as taxas de mortalidade em três anos nos pacientes submetidos às técnicas endoscópicas e abertas foram 7.5% e 5.8%, respectivamente, sendo essa diferença também estatisticamente significativa. “Uma explicação plausível é que essa técnica endoscópica, apesar de ser esteticamente menos invasiva, causa mais trauma na veia, levando a um maior grau de lesão endotelial e a um provável processo de aterosclerose acelerado. Isso gera piores desfechos clínicos com o passar do tempo, como mortalidade e infarto do miocárdio”, afirma Lopes.

“Antes dessa pesquisa ninguém havia estudado os efeitos a longo prazo, associados ao procedimento endoscópico. As diferenças entre as duas técnicas não se mostraram evidentes, até pelo menos um ano após a cirurgia de revascularização do miocárdio, motivo pelo qual os estudos anteriores com curta duração de acompanhamento e com número insuficiente de pacientes, não foram capazes de detectar essas diferenças”.

Em linhas gerais, o acompanhamento com mais de três mil pacientes demonstrou que as curvas de mortalidade começavam a se divergir depois de um ano, estando a técnica endoscópica (aberta) associada a maior mortalidade em três anos. O estudo coloca em xeque conhecidos efeitos benéficos da técnica a curto prazo, levando médicos e pacientes a pesarem os riscos e benefícios em menor período de tempo e o aumento da mortalidade a longo prazo. Para tanto, até que se tenha um estudo aleatório, com número de doentes e acompanhamentos longos para responder definitivamente essa hipótese deverão ser pesados os riscos e benefícios da técnica.

Para o pesquisador, o estudo mostra a necessidade de novas pesquisas que possam refinar e aprimorar a técnica endoscópica para retirada da veia safena e, dessa forma, minimizar as complicações futuras. “Enquanto mais dados e outros estudos não se encontram disponíveis, os bem conhecidos e estéticos benefícios a curto prazo relacionados à técnica endoscópica devem ser bem avaliados e ponderados em relação ao risco de piores desfechos clínicos, incluindo maior mortalidade associada a essa nova técnica”, conclui Lopes.

Sobre a UNIFESP
Criada em 1933 por um grupo de médicos reunidos em uma sociedade sem fins lucrativos, a Escola Paulista de Medicina (EPM) foi federalizada em 1956 e, em 1994, transformada em Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), primeira universidade especializada em saúde no País, abrigando em seu currículo de graduação os cursos de Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Tecnologias Oftálmica e Radiológica.

Em 2005, iniciou-se o projeto de expansão com a criação do campus Baixada Santista. Em 2007, dando seguimento ao processo de ampliação, a Unifesp implantou os campi de Diadema, Guarulhos e São José dos Campos. O ambicioso processo de expansão fez com que a Universidade saltasse de um para cinco campi e de cinco para 26 cursos. Com os novos campi, a Instituição deixou de atuar exclusivamente no campo da saúde, inaugurando cursos nas áreas de humanas (Guarulhos) e exatas (São José dos Campos) e Biológicas (Diadema). Atualmente, a Instituição conta com 4.545 alunos matriculados nos cursos de graduação, além de 17.400 nos cursos de pós-graduação e demais programas de especialização, residência, mestrado e doutorado. A Unifesp oferece 883 docentes, sendo que 93% possuem título de doutor, um percentual que marca a qualidade de ensino oferecida pela maior universidade federal do País. Em 1940 a universidade, então Escola Paulista de Medicina, inaugurou o Hospital São Paulo, primeiro hospital-escola do País, hoje localizado dentro Campus São Paulo, instalado no bairro Vila Clementino.

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