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domingo, 18 de abril de 2010

Quando o mundo se torna cruel para as crianças

Por Quézia Bombonatto*

Observa-se um crescente número de crianças que sofrem em nossas escolas apesar do esforço de pais e educadores de lhes oferecer boas condições físicas e materiais. Muitas dessas crianças apresentam um sofrimento que muitas vezes não são entendidos pelos adultos que as cercam. Um mundo que, ao não compreendê-las, torna-se seu mais cruel adversário. Muitas dessas crianças experimentam uma profunda ansiedade, pois não conseguem compreender por que a "agressão" provém, justamente, das pessoas que mais gostam: seus pais e os professores. E quem são estas crianças? São todos aqueles alunos rotulados como crianças-problema, que suportam a indiferença, quando não o menosprezo e o castigo.
São aqueles que, insistentemente, são nomeados de indisciplinado, desatento, preguiçoso, incompetente, retardado, imaturo, e que ouvem de quem lhes havia dado todo o carinho. Por esta razão é que sua angústia aumenta, sobretudo por não compreenderem os motivos da mudança de tratamento. Estamos falando de crianças com dificuldades de aprendizagem que muitas vezes apresentam problemas de comportamento ou atitude inadequada, a fim de demonstrar seu sofrimento. Enviam mensagens que muitos pais e educadores não conseguem decifrá-las, e, por serem mal interpretadas, acabam voltando-se contra elas próprias.
O problema, na maioria das vezes, é um pedido de ajuda. O aluno que está apresentando uma atitude inadequada ou um rendimento abaixo do esperado, talvez queira dizer: " Por que sou diferente da maioria dos meus colegas?Por que, querendo ser o melhor, fracasso em todos os meus intentos de superação? Queria ter o melhor caderno, no entanto tenho a pior letra. Gostaria de ser "bom" em matemática, porém mal sei fazer as contas. Desejaria ler e escrever bem, mas não consigo, apesar de meus esforços. Queridos pais e professores, ajudem-me a encontrar a causa de meus fracassos. Há algo fora ou dentro de mim que me desvia das boas intenções."
Desta forma, pode-se considerar o problema de aprendizagem como um sintoma, uma vez que o não-aprender não se configura em um quadro permanente, mas constitui o conjunto de comportamentos que aparecem como sinal de descompensação.
Assim, faz-se necessário avaliar o sintoma apresentado pela criança como significante de um estado particular deste sistema, que para equilibrar-se, precisou adotar um ou outro esquema de ação que mereceria ser olhado como sinalização positiva, mas que é caracterizado como não-aprendizagem.
Portanto, a não-aprendizagem não é o contrário de aprender, quando se apresenta como sintoma que cumpre a função de satisfazer uma carência dentro de determinada estrutura. Por exemplo, é comum a criança obter o carinho e a atenção dos pais gratificando-os através da aprendizagem, mas pode acontecer que a única maneira de ela contar com o tal carinho é não aprendendo.
Uma vez identificada a mensagem do não-aprender, é importante definir o problema de aprendizagem e considerar o processo diagnóstico para que se obtenha os dados necessários para compreender o  significado, a causa ou a finalidade da dificuldade ou do transtorno apresentado por aquela criança .

* Quézia Bombonatto é fonoaudióloga, psicopedagoga, terapeuta familiar e presidente Nacional da ABPp -Associação Brasileira de Psicopedagogia

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