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sexta-feira, 2 de abril de 2010

"Jogo de Damas" -Teatro Municipal (Suzano)

Comédia Jogo de Damas celebra a vida e a amizade na terceira idade
Foto: Marcelo Kahn
O espetáculo foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, para montagens teatrais inéditas.

A comédia Jogo de Damas - estrelada pelas atrizes Arllete Montenegro, Beatriz Tragtenberg e Maria Eugênia De Domenico – faz única apresentação na cidade de Suzano, dia 11 de abril, domingo, no Teatro Municipal Dr. Armando de Ré, às 19 horas. O enredo da montagem, que tem texto de José Eduardo Vendramini - que também dirige a peça em parceria com Marcelo Braga - conta a história de três senhoras de personalidades distintas que enfrentam os reveses da vida jogando cartas, evoluindo da tristeza das grandes perdas para a celebração da amizade e da alegria de viver.

A montagem lança mão do humor para enaltecer a amizade e mostrar o efeito da passagem do tempo sobre a vida das pessoas e suas relações. José Eduardo Vendramini coloca a terceira idade como ponto de partida para discutir questões maiores como amor, amizade, sexo e envelhecimento. Por isso a velhice é retratada de forma suave, brincalhona e descontraída, evitando a depreciação e afirmando a dignidade. O autor revela que “estamos diante de uma comédia de costumes bastante peculiar, onde o tema é sério, mas o tratamento é leve, comportando igualmente risos e lágrimas, realidade e magia”.

Vendramini e Marcelo Braga optaram pelo tratamento poético na concepção da encenação de Jogo de Damas. O cenário realista (não naturalista), assinado por Carlos Colabone (também figurinista) e os objetos de cena são resumidos ao essencial, valorizados pelos artifícios mágicos da iluminação de Paulo Oséas. A direção utiliza ainda projeções de fotos antigas das atrizes, buscando uma nostálgica identificação do público com o espetáculo.

Para reforçar o tom brincalhão do texto, os diretores apostaram na direção de atores (no caso, atrizes) e na experiência interpretativa de Arllete, Beatriz e Maria Eugênia. Eles ainda explicam que o “dinamismo da comédia se complementa nas emendas das cenas, na luz, na trilha sonora de Tunica (formada basicamente por clássicos da música nacional e internacional) e nas mudanças de cenário”. E Marcelo Braga complementa, em tom brincalhão: “O cenário e os objetos mudam, assim como mudam as coisas na vida, o tempo muda até os móveis de lugar”.

Vendramini criou situações cômicas que podem ser comparadas ao humor inglês: piadas em situações dramáticas, humor durante a tragédia. “Quero mostrar o efeito que a amizade tem sobre as dores das perdas e fazer um elogio às mulheres batalhadoras, por meio de um texto com tratamento absolutamente humano. Jogo de Damas torna-se assim um elogio à vida, celebrada e salva pelo nobre sentimento de amizade”, comenta o autor.

O dramaturgo tratou o tema da terceira idade com respeito, delicadeza e muito bom humor. Nada de melancolia, mas muita capacidade de superação. Ele brinca com as convenções morais e inverte os clichês. Esta comédia traz, literalmente, para o palco algumas das incontáveis surpresas da vida.

O enredo

Três senhoras, moradoras do bairro paulistano de Higienópolis, enfrentam os reveses da vida jogando cartas na casa de Antonieta (Beatriz Tragtenberg), que acabou de ficar viúva. Sofia (Arllete Montenegro) e Magaly (Maria Eugênia De Domenico), suas vizinhas de condomínio, acodem-na em sua solidão e passam a lhe fazer companhia. Antonieta melhora sensivelmente e sua casa se torna o refúgio para os dramas pessoais das amigas. Quando Magaly também fica viúva, Antonieta e Sofia a socorrem, aliviando seu sofrimento. Sofia e Magaly se tornam sócias, alcançam sucesso e passam a morar juntas para fazer economia. A história das três amigas evolui paralelamente à história de Polly, uma mini poodle que vai trocando de dona conforme os fatos vão se sucedendo.

Antonieta (80 anos), a mais velha das três, tem personalidade difícil, é muito ranzinza e autoritária, mas acaba se mostrando uma mulher generosa. Sofia (70 anos) precisa trabalhar muito em suas várias profissões (“bicos”) para sustentar um amante jovem e indolente; ela é uma senhora agnóstica e bastante contida, que encontrará pela frente os valores da espiritualidade. Já Magaly (60 anos), a mais nova, precisa malhar os músculos para permanecer jovem e com um amante rico, bem mais velho, que a sustenta e lhe dá boa vida. É dona de uma divertida espontaneidade e de uma inteligência bastante duvidosa (o que garante boas piadas durante a peça); seu desejo é um dia encontrar e saborear a sabedoria dos inteligentes.

Ficha técnica
Espetáculo: Jogo de Damas
Texto: José Eduardo Vendramini
Direção: Marcelo Braga e José Eduardo Vendramini
Elenco: Arllete Montenegro, Beatriz Tragtenberg e Maria Eugênia De Domenico
Cenografia e figurinos: Carlos Colabone
Iluminação: Paulo Oséas
Trilha sonora: Tunica
Programação visual: Marcelo Pestana e Carlos Cirne
Edição de vídeo e fotos: Marcelo Kahn
Operadora de som: Solange Mendes
Operador de luz: Rodrigo Palmieri
Contra-regra: Leandro Ivo
Coordenação geral e direção de produção: Neusa Andrade
Produção executiva: Geondes Antonio
Realização: Secretaria de Estado da Cultura (Prêmio ProAC) e Expressão e Arte Produções

Serviço
Única apresentação: 11 de abril - domingo - às 19 horas
Local: Teatro Municipal Dr. Armando de Ré
Rua General Francisco Glicério, 1.354 – Centro/Suzano/SP - (11) 4759-1801
Ingressos: Grátis (distribuição 1h antes do espetáculo) - Duração: 1h30
Gênero: Comédia – Classificação etária: 14 anos. Capacidade: 328 lugares. Possui ar condicionado e acesso universal. Não possui estacionamento.

José Eduardo Vendramini - autor e co-diretor

José Eduardo Vendramini é dramaturgo, diretor, professor titular do Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP. Iniciou sua trajetória artística em São José do Rio Preto, SP, onde teve intensa participação no movimento de teatro amador daquela cidade, de 1964 a 1976. Membro fundador do Festival Nacional de Teatro de São José do Rio Preto, ele participou de praticamente todas as suas realizações anuais. Entre seus inúmeros textos de teatro, destacam-se: Lona Estrelada, O Canil, Baile de Debutantes, Eleonora, Viagem ao Interior, Sinfonia dos Ancestrais e Diálogo Com a Mãe. Dirigiu grandes textos da dramaturgia mundial como À Margem da Vida, de Tennessee Williams, Romeu e Julieta, de William Shakespeare, A Mandrágora, de Maquiavel, Liolá e Esta Noite Se Improvisa, de Pirandello (em Portugal), Não Se Brinca Com O Amor, de Alfred de Musset, A Disputa, de Marivaux, e Antígone, de Jean Anouilh, entre outras. Ganhou quatro prêmios Governador do Estado (como figurinista e cenógrafo) e várias Menções Honrosas, em concursos nacionais de dramaturgia.

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