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domingo, 20 de setembro de 2009

Gravidez e gripe suína: como a grávida pode se precaver contra o vírus influenza A?

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as gestantes são mais vulneráveis às gripes, tanto a comum quanto a H1N1.
Desde que a epidemia de gripe suína se espalhou pelo mundo, um grupo em especial, o das gestantes, está em alerta. As grávidas, assim como idosos e crianças, são consideradas um grupo de alto risco para a infecção. “No nosso atendimento diário, temos investido em prevenção e informação para não criar pânico sem necessidade entre as gestantes. É preciso lembrar que, na gestação, há outros vírus mais graves que o influenza A (H1N1). O ideal é que a gestante não seja infectada por nenhum deles, principalmente no primeiro trimestre, quando está acontecendo a divisão celular fetal. A principal recomendação é evitar locais fechados e grandes aglomerações, pois estes ambientes podem permitir a circulação do vírus e aumentar a probabilidade de contaminação. Depois, reforçarmos os apelos para que a grávida lave bem as mãos. Lavar as mãos com água e sabão é uma das formas de evitar contágio de doenças infecto-contagiosas”, explica o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as gestantes são mais vulneráveis às gripes, tanto a comum quanto a H1N1. Por isso, a entidade recomenda que elas devem ter prioridade para receber tratamento com antivirais até 48 horas, após o início dos sintomas. Entidades de saúde em todo o mundo pesquisam o motivo pelo qual a mortalidade tem sido alta entre as gestantes, mas um dos possíveis fatores é a redução da imunidade entre essas mulheres, além da diminuição da capacidade pulmonar, nos três últimos meses de gestação. As mudanças esperadas para qualquer gestação normal, como alterações respiratórias, cardiovasculares e imunidade reduzida, facilitam a infecção por esse vírus e as complicações que ele causa, como rápida evolução – em até 48 horas – para pneumonia e septicemia. “O risco é ainda maior para as mulheres que têm problemas respiratórios prévios à gestação, como asma e bronquite, porque o sistema respiratório já está debilitado”, explica o ginecologista.
Se a mãe pegar a gripe suína, o bebê também corre risco. “Febre alta da mãe pode ser prejudicial para o embrião, se ocorrer nas primeiras 6 semanas, e favorecer a ocorrência de alguma malformação congênita. Já se a infecção e a febre incidirem no final da gravidez podem provocar um parto prematuro”, diz o ginecologista Aléssio Calil Mathias.
Diante dos sintomas
Os sintomas da gripe A em gestantes são os mesmos de uma gripe comum, com dores musculares, tosse, coriza e febre superior a 38° C. Vômitos e diarréia também podem acontecer. Diante destes sintomas, a gestante deve procurar o médico que a acompanha imediatamente. “É muito importante que a grávida não se automedique. Em todos os estágios da gravidez, a gestante deve tomar antivirais apenas se mostrar sinais graves e perspectiva de piora”, explica Mathias.
Para reafirmar o poder dos antivirais contra a gripe H1N1, a revista Nature divulgou no dia 13 de julho um estudo que indica estes medicamentos como a única forma efetiva no tratamento inicial da influenza A. Remédios como Tamiflu e Relenza atuam impedindo que o vírus saia das células em que se instalou e vá para as sadias, impedindo progressos da doença e reduzindo a infecção já estabelecida. “Estes medicamentos devem ser utilizados até 48 horas após o contágio. Depois deste período, os antivirais perdem a capacidade de funcionar adequadamente no organismo”, explica o diretor da Clínica Genesis.
*Afastamento do trabalhoTentando se prevenir contra a gripe suína, muitas grávidas estão deixando de fazer suas atividades rotineiras, inclusive trabalhar. Não há nenhuma lei que assegure uma licença remunerada para a gestante ficar afastada enquanto dura a epidemia da nova gripe. Nada impede, no entanto, que as empresas adotem regras próprias para as grávidas.
Em São Paulo, a Secretaria de Estado da Saúde determinou que as gestantes que trabalham em hospitais, unidades básicas de saúde, escolas, centros de educação infantil e creches públicas sejam transferidas para outros cargos em que seja possível ter menos contato com o público. A recomendação vale como uma regra para os serviços públicos e como sugestão para as empresas privadas. “Temos aconselhado as gestantes que trabalham diretamente com o público a tentar conversar com seus empregadores e chegar a um consenso, que pode ser desde uma mudança de área até trabalhar num home office”, conta o ginecologista Aléssio Calil Mathias.
Vacina em teste
Os primeiros lotes da vacina contra a gripe suína estarão prontos para imunização a partir de setembro deste ano. Segundo a OMS, a prioridade é vacinar grávidas, pessoas com problemas crônicos de saúde e trabalhadores na área de saúde. Quanto aos efeitos colaterais, já foram observados náuseas, febre, dor e diarréia, como em qualquer outro imunizante.
Até o fim de dezembro, um milhão de doses da vacina contra influenza A (H1N1) chegará ao Brasil. As demais serão produzidas pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, ainda não estão definidos os grupos prioritários para receber a vacina, que estará disponível no primeiro semestre de 2010. Tudo indica que, assim como orienta a OMS, profissionais de saúde, grávidas, idosos e crianças serão os primeiros beneficiários.
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